SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Sabesp, companhia de saneamento básico e fornecimento de água do estado de São Paulo, anunciou nesta terça-feira (2) novos protocolos de segurança e fiscalização das suas obras, para evitar que acidentes como o do bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital, voltem a acontecer.

O plano de ação é dividido em três pilares: reforço nos protocolos de engenharia e segurança, intensificação de fiscalização e monitoramento, e ampliação do programa de treinamento, capacitação e certificação dos trabalhadores.

O principal ponto é o aumento das equipes de supervisão e fiscalização das obras, que vai passar de 200 para 600 fiscais. E o trabalho se dará a partir de critérios de risco e complexidade, considerando especialmente obras em locais com presença de redes de gás, intervenções por método não destrutivo e valas a céu aberto com profundidade superior a dois metros.

Na prática, os trabalhadores abrirão um buraco de 50 centímetros por 50 centímetros no chão de forma manual até encontrarem a rede da Comgás. Somente após a identificação dos encanamentos é que a obra prosseguirá com a perfuração do solo com uso de maquinário.

O novo procedimento amplia de 1 metro para 3 metros a chamada "zona de atenção" utilizada no mapeamento de interferências no subsolo e na confirmação em campo dessas interferências. Essa medida será aplicada em cerca de 60 obras -5% das 1.200 frentes ativas no estado- que utilizam o método de furo direcional perto dessas redes.

"Ficou claro com o acidente do Jaguaré que precisávamos ir além do que as normas técnicas exigem, acrescentando novas camadas de segurança, controle, prevenção e acompanhamento dos procedimentos já existentes. Essas novas medidas representam uma mudança concreta de patamar em prevenção, fiscalização e resposta operacional", afirma o presidente da empresa, Carlos Piani.

A empresa também ampliará o monitoramento e o controle das obras com uso de tecnologia por câmeras com inteligência artificial.

Segundo a Sabesp, até o fim de 2026, todas as obras serão acompanhadas 24 horas por dia a partir de um Centro de Monitoramento e Controle, que conta ainda com todos os cadastros das redes subterrâneas disponíveis tanto da Sabesp quanto de outras concessionárias.

O objetivo, diz, é ampliar a capacidade de monitoramento em tempo real, identificar situações de risco com mais rapidez e apoiar a tomada de decisão pelas equipes técnicas em campo.

Por fim, a companhia exigirá um nível mínimo de capacitação técnica dos operários que trabalham nas ruas. Para isso, o programa de treinamento, qualificação e certificação será ampliado e passará a ser obrigatório tanto para os colaboradores da Sabesp quanto para os profissionais terceirizados.

"Não contrataremos empresas que não atendam à certificação exigida para a execução desses serviços. Essa medida reforça nossa diretriz de tolerância zero com práticas inseguras e busca assegurar que as contratadas atuem com equipes qualificadas, treinadas e alinhadas aos padrões técnicos e operacionais da Sabesp", afirma o diretor-executivo de Engenharia e Inovação, Roberval Tavares.

Duas semanas após a explosão que atingiu o bairro do Jaguaré, moradores relatam que a relocação e o pagamento de indenizações seguem sem resolução.

Tags:
São Paulo