O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um inquérito civil para investigar a retirada de uma ponte ferroviária metálica do século XIX localizada na região de Pitangueiras, zona rural de Prados, no Campo das Vertentes. A estrutura, considerada um bem de relevante interesse cultural do estado, foi encontrada posteriormente em um empreendimento de Lima Duarte, na Zona da Mata.
A investigação foi aberta após a Promotoria de Justiça de Prados tomar conhecimento da remoção da ponte, que integra um antigo trecho ferroviário implantado no século XIX. O objetivo é apurar possíveis danos ao patrimônio histórico, cultural e ambiental causados pela retirada da estrutura.
Entre as primeiras medidas adotadas, o MPMG solicitou informações à Polícia Civil sobre a existência de investigação criminal, pediu esclarecimentos à Prefeitura de Prados e requisitou dados à Superintendência do Patrimônio da União em Minas Gerais (SPU/MG) para verificar a titularidade e a situação jurídica do bem.
Após diligências iniciais, a ponte foi localizada no empreendimento Ibiti Projeto, em Lima Duarte. Diante da descoberta, o Ministério Público requisitou ao responsável pelo empreendimento documentos que comprovem a aquisição da estrutura, incluindo contratos, notas fiscais, documentos de transporte e a identificação de todos os envolvidos na retirada e no deslocamento da peça.
Em nota, o Ibiti Projeto informou que a ponte foi adquirida de forma regular junto a um comerciante do ramo de antiguidades, com emissão de nota fiscal e demais documentos pertinentes. Segundo a empresa, o transporte ocorreu com as autorizações exigidas pelos órgãos competentes.
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O empreendimento afirmou ainda que, desde que surgiram os questionamentos sobre a origem e a situação patrimonial da estrutura, tem mantido uma postura de total transparência e colaboração com as autoridades. De acordo com a nota, toda a documentação referente à aquisição e ao transporte da ponte foi disponibilizada aos órgãos responsáveis pela apuração.
O Ibiti Projeto ressaltou que aguarda o posicionamento oficial das autoridades sobre a definição jurídica e patrimonial da estrutura e disse confiar no trabalho técnico conduzido pelos órgãos competentes. A empresa também ressaltou que acompanha o caso com respeito às manifestações da sociedade e às decisões que vierem a ser tomadas.
O empreendimento destacou que atua há mais de 40 anos com foco na preservação ambiental e cultural, mantendo áreas de regeneração ambiental e apoiando iniciativas de valorização do patrimônio histórico e das tradições regionais. Segundo o projeto, esses princípios orientam sua atuação também neste momento.
O MPMG determinou uma vistoria da Polícia Militar de Meio Ambiente para verificar possíveis intervenções irregulares em Área de Preservação Permanente (APP) na região onde a ponte estava instalada, incluindo movimentação de terra e eventual supressão de vegetação.
O Ministério Público informou que acompanha as investigações criminais em andamento e que, na esfera cível, adotará as medidas necessárias para proteger o patrimônio cultural e ambiental. Entre as possibilidades analisadas está a reparação de eventuais danos e a restituição da ponte ao seu local de origem, caso haja viabilidade técnica e jurídica.
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