Uma amiga de Thaís Ramos Gonçalves, uma das quatro vítimas mortas em um ataque a facadas em Visconde do Rio Branco na tarde desta terça-feira (23), fez um desabafo após presenciar parte da ocorrência e tentar ajudar a amiga. Em relato ao Portal Acessa.com, ela contou os momentos de tensão, afirmou que tentou proteger a filha do suspeito e pediu justiça pelo crime.

O suspeito do crime é um homem de 31 anos, que mantinha um relacionamento com Thaís. Para conter o agressor, policiais militares efetuaram disparos contra ele. O homem foi socorrido e levado em estado grave ao Hospital São João Batista, mas a unidade confirmou na manhã desta quarta-feira (24) que ele já chegou sem vida.

Segundo a amiga de Thaís, que preferiu não se identificar, ela estava em casa quando ouviu gritos vindos da residência da vítima. A filha de Thaís teria ido até a casa dela pedir ajuda, dizendo que o suspeito, identificado como Igor, estaria brigando com a mãe.

A mãe de Thaís, conforme o relato, estava se recuperando de cirurgias e não conseguia ir até o local. A amiga então decidiu subir até a residência para verificar o que estava acontecendo.

“Eu falei para a mãe dela que eu ia lá ver o que estava acontecendo e trazer ela. Quando cheguei lá, gritei pela Thaís e ela não respondeu. Chamei pelo Igor e ele falou para eu entrar, dizendo que eu era amiga dela e conseguiria acalmar ela”, contou.

A mulher afirmou que desconfiou da situação e pediu para que Thaís aparecesse na janela ou falasse com ela. Segundo o relato, o suspeito insistiu para que ela entrasse na casa.

“Eu falei que não ia entrar. Pedi para abrir a janela e deixar ela falar comigo. Foi quando ele abriu a porta e o portão. Eu vi a faca na mão dele e a mão dele cheia de sangue”, afirmou.

Tentativa de salvar as crianças

De acordo com a amiga, a filha do suspeito teria pedido para que ela não entrasse na residência. Ao perceber a situação, ela conta que tentou proteger a menina.

“Minha reação foi empurrar a filha dele. Eu pensei: eu vou salvar a menina. Para salvar ela, eu vou ter que ficar aqui”, relatou.

Ainda segundo o depoimento, outro homem que estava próximo entrou no local e tentou intervir. A amiga afirma que o suspeito também o atacou com uma faca.

Após conseguir fugir, ela conta que correu pedindo ajuda pelas ruas. Segundo ela, naquele momento ainda não tinha visto Thaís, mas acreditava que algo grave havia acontecido ao perceber o suspeito ferido e com a arma.

“Eu gritava ‘chama o SAMU, ele matou ela’. Ele estava com a mão cheia de sangue e com a faca. Eu chamava pela Thaís e ela não respondia”, disse.

A amiga relatou ainda que tentou proteger novamente a filha do suspeito quando ele deixou o local. Segundo ela, o homem teria feito ameaças antes de fugir.

“Eu peguei a menina, coloquei para dentro da casa da vizinha e tranquei o portão. Ele veio com a moto para cima e falou que ia matar a gente”, afirmou.

“Acabou comigo”, diz amiga ao lembrar da vítima

Depois que o suspeito deixou o local, a amiga voltou até a casa de Thaís acompanhada de outra pessoa. Segundo ela, encontrou a amiga já sem vida.

“Acabou comigo. Era a única amiga que eu tinha. Era minha amiga de verdade, nunca brigou comigo. Ele acabou com tudo”, desabafou.

Ela afirmou que ficou pedindo ajuda e tentou impedir que pessoas entrassem na residência para filmar a cena antes da chegada da polícia.

Relação era vista como tranquila, segundo amiga

Questionada sobre o relacionamento entre Thaís e o suspeito, a amiga afirmou que nunca havia percebido sinais de agressividade.

Segundo ela, Thaís dizia que Igor era uma pessoa boa, que ajudava e cuidava dela.

“Eu falei para ela que a gente tem filho e precisa olhar quem coloca dentro de casa, porque a gente não conhece o coração das pessoas. Ela respondeu que ele era bom para ela”, contou.

A amiga disse ainda que tinha conhecimento de que o suspeito fazia uso de drogas, mas afirmou que nunca havia presenciado comportamentos violentos.

Pedido de justiça

Abalada após presenciar a ocorrência, a amiga afirmou que se sente destruída e que ainda pensa no que poderia ter feito para evitar a morte de Thaís.

“Eu queria ter chegado mais cedo. Quem sabe eu conseguia salvar minha amiga. Mas quando cheguei lá, ela já não respondia mais”, relatou.

Ela também afirmou que sua principal preocupação naquele momento era proteger as crianças envolvidas.

“Minha intenção foi salvar a menina. Eu fiquei pensando que ele poderia matar ela também”, disse.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer as circunstâncias do ataque que deixou quatro mortos em Visconde do Rio Branco.

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Vivia Lima - Reprodução

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