Juiz de Fora recebe força máxima para combater a dengue

Está garantido o repasse de R$ 825.517,03 mil, que serão destinados ao financiamento de ações de conscientização e controle na Zona da Mata

Cintia Charlene
*Colaboração
25/1/2013
antonio marques e bruno

O secretário de Saúde de Minas Gerais, Antônio Jorge de Souza Marques, esteve em Juiz de Fora na tarde desta sexta-feira, 25 de janeiro, quando assinou um documento para liberação de recurso da ordem de R$ 825.517,03 mil. O valor será destinado ao financiamento de ações de conscientização e controle da dengue na Zona da Mata, já que Juiz de Fora é o município que registra o pior resultado do Liraa em toda Minas Gerais. O objetivo é fortalecer as ações que ocorrem em todo o Estado, a fim de reverter o aumento expressivo do número de casos da doença.

De acordo com Marques, a cidade tem um terreno muito propício ao quadro epidêmico. "Felizmente, Juiz de Fora não tem números importantes em notificação, mas existe essa infestação. Trata-se de uma cidade de fronteira com o Rio de Janeiro, que tem sempre uma situação epidêmica grave. Diante desse quadro e com os recursos sendo repassados, vamos contratar mais agentes de endemia, o que deverá ser somado ao apoio da população. Nossa intenção é, ainda, contar com mais materiais de comunicação, e deixar pronto o processo seletivo, recurso para ser destinado caso haja necessidade de contratar mais profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros, para que possamos montar unidades de hidratação.''

O secretário  ressaltou a importância de se focar na mobilização das pessoas, já que a maioria dos focos está dentro de casa. E, em relação aos profissionais da saúde, a intenção é que esteja tudo preparado para qualquer eventualidade. ''Nós temos que preparar um fluxo assistencial, um bom manejo clínico para que os médicos estejam em alerta e para que possamos oferecer os insumos necessários, os meios e diagnósticos. Tudo está previsto neste convênio assinado com a Prefeitura de Juiz de Fora e com a (Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes)."

Para o prefeito Bruno Siqueira, a parceria entre o Estado e o município, contando com o apoio da população, conseguirá resolver o problema da dengue. ''É fundamental que o cidadão possa otimizar os mecanismos que vão ser divulgados, fazer com que, em sua residência, o seu trabalho seja como o de um agente. A preocupação é muito grande, mas com trabalho sério e participação da população, vamos enfrentar o problema'' afirma o prefeito.

Manifestação

No dia do anúncio de recursos destinados ao combate à dengue em Juiz de Fora, agentes de endemia paralisaram as atividades, como forma de manifestação contra a demissão de 25 agentes, ocorrida nesta sexta-feira, 25. Quanto ao fato, o secretário de Saúde da cidade, José Laerte Barbosa, afirmou que não será tolerada irresponsabilidade, já que o que está em risco é a vida das pessoas. ''Alguns desses agentes estavam deixando de fazer os seus trabalhos. Deveriam fazer a visita às casas, não faziam e lançavam como se tivessem cumprido. Isso, não toleramos, é uma irresponsabilidade muito grande e, por isso, tivemos de tomar a decisão radical de demiti-los. Temos que fazer um trabalho que dê segurança à população e não podemos fazer de conta que estamos trabalhando.''

Em relação à "Força Saúde contra a Dengue" prevista para ocorrer neste fim de semana na Zona Norte e nas demais regiões ao longo da semana, Barbosa afirma que está mantida. ''Quero deixar claro que a maioria dos agentes endemistas são trabalhadores dedicados e preparados, e deram o esforço necessário para fazer o Liraa bem feito. A parceria com a Superintendência Regional de Saúde nos garante a força que precisamos para seguir. Agentes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vão compor nossas equipes, cumprindo, assim, fielmente o cronograma de trabalho."

Sindicato

De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Juiz de Fora (Sinserpu), Amarildo Romanazzi, as demissões ocorreram porque 25 agentes não foram trabalhar no último sábado, dia 19. '' A Glênia [subsecretária de Vigilância em Saúde, Glênia Maria Magalhães Campos] fez uma convocação na sexta  para trabalharmos no sábado, e nós perguntamos a ela como seria o pagamento. A resposta era que não sabia, sendo  as  questões resolvidas posteriormente. Algumas pessoas, como não sabiam se iam receber pelo dia trabalhado, resolveram faltar. E, num ato de represália, 25 trabalhadores foram demitidos. É um ato de irresponsabilidade da Prefeitura, nós estamos contestando com o objetivo de suspender este ato e avaliar caso a caso."

Para um dos agentes demitidos, Carlos Alberto Jordão, essa atitude gerou muita insatisfação. ''Em sete anos de trabalho, eu nunca faltei e, no dia em que precisei faltar, eles vêm com punição. Eu pedi folga, o que foi negado. Eu disse que precisaria resolver um problema, ela pediu e eu apresentei uma justificativa. E agora sou surpreendido desta forma.''

Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde, Glênia Maria Magalhães Campos, as pessoas que foram demitidas não estavam correspondendo às expectativas exigidas. "Nós fizemos uma parceria com a Secretaria de Saúde, e precisamos de uma equipe firme, conjunta, coesa, que possa dar as respostas que a população pede. A dengue é uma doença séria, e é com seriedade que nossa equipe vai trabalhar. Todas as pessoas que foram demitidas sabem porque foram demitidas'' explica Glênia. De acordo com  a subsecretária, a PJF está contratando 50 agentes concursados para preencherem as novas vagas, juntamente com a Secretaria de Estado,  com a contratação de mais 50 pessoas, o que proporciona um efetivo maior para as ações contra a dengue.

*Cintia Charlene é estudante do 7º período de Comunicação Social da UFJF

Os textos são revisados por Juliana França

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.