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    Cecília Junqueira Cecília Junqueira 22/01/2016

    O beber feminino

    Mulheres são diferentes de homens, diferentes na constituição genética, na formação psicológica e no exercício dos papéis de convivência.

    Vivemos um processo chamado empoderamento feminino, já ouviu falar? Empoderar significa conseguir poder, e nunca fomos tão poderosas mesmo, a igualdade de gênero já é uma realidade, ocupamos o maior cargo de poder de uma nação, ganhamos o Nobel da Paz, somos maioria nas universidades, desenvolvemos múltiplos papeis na teia social, somos mãe, mulheres, profissionais de mercado...

    A aquisição dessas novas habilidades tão complexas e profundas, podem gerar desordem nos papéis femininos e até uma crise de identidade. O alcoolismo é uma das possíveis resultantes desse conflito.

    Vamos às especificidades do beber feminino?

    • Mulheres são mais vulneráveis aos efeitos físicos do álcool do que homens (de mesmo peso e altura), porque apresentam menor porcentagem de água corporal, o que reduz a diluição do álcool no corpo, três latas de cerveja por dia é considerado um volume alto de consumo.

    • Mulheres com problemas pelo uso de álcool apresentam maior morbidade e mortalidade que homens (problemas cognitivos, cardiovasculares, gastrointestinais, infertilidade, menopausa precoce, osteoporose aumentada...)

    • Mulheres que bebem durante a gravidez podem gerar bebês com a síndrome alcoólica fetal (SAF), 3º maior causa de retardo nos Estados Unidos.

    • O suicídio é sensivelmente mais comum em mulheres, de 30% a 50% das mulheres que pedem ajuda em centros especializados já tiveram ideação suicida.

    • Em 2/3 das mulheres, o alcoolismo é uma dependência secundária, se desenvolve a partir de problemas depressivos ou ansiedade. Nesse caso, a bebida funciona como uma forma de automedicação. Por isso é fundamental tratar a doença primária em paralelo com a secundária.

    • Mulheres alcoolistas apresentam maior tendência a escolher homens abusadores de substâncias em busca de proteção mútua, o que potencializa o uso.

    • Mulheres alcoolistas abandonam menos seus “parceiros-problema” do que homens na mesma situação.

    • A sociedade tolera menos o beber feminino, é muito comum a mulher ser estigmatizada e estar relacionada com a promiscuidade e o abuso sexual, gerando um misto de culpa e vergonha.

    • O cuidado com os filhos e com os idosos costumam ser responsabilidade primária da mulher, o alcoolismo feminino desconstrói esse paradigma da forma mais dolorosa possível.

    Vimos hoje algumas particularidades sobre o beber feminino que devem ser levadas em consideração nos programas de tratamento, inclusive os diferentes estágios do ciclo de vida feminino.

    Sugiro uma frase que vale para todas as etapas da mulher:

    Empoderar-se sim, perder a sobriedade jamais!


    Cecília Sertã Junqueira Rodrigues é Terapeuta Conselheira em Dependência Química, presta consultoria para empresas e escolas e aconselhamentos individuais em clínica.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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