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    Amanda Beloti Amanda Beloti 4/05/2016

    O que é a Plica Sinovial Patológica

    Hoje minha coluna é especialmente, para uma paciente querida, que está enfrentando um problema ortopédico "pouco falado", mas que pode ser frequente. É a Síndrome da Plica Sinovial Patológica.

    A plica sinovial é uma prega normal da membrana sinovial (membrana que envolve toda a articulação do joelho) que se projeta para dentro da articulação. Este tecido é característico da fase embrionária (ainda dentro do útero materno) e durante seu desenvolvimento estas pregas são absorvidas pela cápsula articular. Mas em cerca de 70% da população isso não acontece e "sobra" uma prega no interior da membrana. Geralmente, ela passa despercebida a vida inteira. No entanto, se torna patológica (doença) em alguns atletas devido à grande quantidade de stress mecânico imposto sobre o joelho. Ocorre então um processo inflamatório, seguido de espessamento do tecido e muita dor. Mas existem outras causas como: excesso de uso do joelho sem um aparato muscular adequado (sobrepeso, esforço maior do que a capacidade), traumatismos (quedas, acidentes), complicações pós-operatórias do joelho, ou condições inflamatórias de outras estruturas do joelho, que ficam próximas da plica, e podem causar uma inflamação mais generalizada (ao poupar "pisar de um jeito", pisamos de outro que sobrecarrega outras estruturas).
    Existem quatro tipos de plicas sinoviais no joelho: a suprapatelar (acima da patela – a mais freqüente em dores ), a medial, a infrapatelar (abaixo da patela) e a lateral (esta, raríssima em acometimentos patológicos).

    Na imagem acima, um joelho direito dobrado, onde visualizamos as plicas

    Após estabelecida uma lesão na plica, ela se inflama, incha e toda vez que o joelho se dobra e estende ela é "mordida" pela articulação. A cada "mordida" ela se espessa mais, e as "mordidas" tornam-se muito mais frequentes. O atrito com o fêmur deixa a plica hipersensível à palpação e ao movimento, podendo causar até um bloqueio da articulação (o joelho não dobra ou não estica totalmente). É quando ouvimos um estalido.

    No exemplo acima, a plica sinovial medial inflamada. Pode ser confundida com lesão de menisco.

    Os sintomas mais comuns são dor aguda, em queimação, com inchaço e estalos, além do bloqueio já mencionado. Pode ser relatada uma "falha" do joelho enquanto o paciente anda ou corre. A dor é mais frequente na região anterior e medial do joelho (de dentro) que piora quando se realiza a flexão do joelho, quando se permanece por longos períodos com o joelho dobrado e quando se sobe escadas. Geralmente são piores pela manhã, diminuindo ao longo do dia.

    O diagnóstico é feito pelo médico, que vai avaliar o histórico do paciente, os sinais e sintomas relatados, com exames de imagem (se julgar necessário). A Plica Sinovial Patológica pode ser confundida com Síndrome Patelo-Femoral, Bursite da Pata-de-Ganso, Osteocondrite Dissecante e Lesão de Menisco. Por isso é importante que seu médico esteja atento a todos os detalhes. No exame de imagem a Plica aparece de forma bem evidente e é citada no laudo.

    Visão da Plica na Ressonância Nuclear Magnética e na Artroscopia de joelho

    O tratamento visa primeiramente afastar o paciente do mecanismo de lesão (seja o esporte ou a demanda aumentada de atividade sem preparo), com um repouso. O médico pode prescrever medicações anti-inflamatórias (não se medique sem supervisão!!!) e então a fisioterapia dá início a um processo de:

    • redução da inflamação (com gelo e recursos como laser e etc);
    • fortalecimento muscular local visando o restabelecimento da mecânica ideal do joelho (cada músculo que passa por ali tem sua função e deve estar preparado corretamente para que todos os movimentos do joelho ocorram da maneira mais harmônica possível, sem lesar nenhuma estrutura adjacente);
    • redução da aderência da patela, mobilizando a articulação de forma cuidadosa (manobra que deve ser executada PELO FISIOTERAPEUTA – muitas pessoas tentam em casa e acabam causando mais lesão);
    • podem ser usadas bandagens funcionais caso o fisioterapeuta julgue necessário;
    • busca de flexibilidade muscular local.

    Caso o quadro não regrida, talvez se faça necessária a intervenção cirúrgica.

    Obrigada a todos pela leitura! Pedido de temas no e-mail amanda.beloti@yahoo.com.br ou no Facebook.

    Até a próxima coluna!


    Amanda Beloti é fisioterapeuta graduada em 2009 pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Cursa Especialização em Fisioterapia Traumato-Ortopédica pela mesma instituição. Instrutora Internacional de Pilates pela Pilates Plus (autorizada pela Associação Norte-Americana de Pilates). Sócia-proprietária do Consultório de Fisioterapia e Pilates STUDIO A. Saiba mais.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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