Cal Coimbra Cal Coimbra 23/8/2011

Comunicando com seu bebê

"No bebê está o futuro do mundo.
A mãe deve segurá-lo apertado;
assim ele saberá que o mundo é seu.
O pai deverá levá-lo à montanha mais alta;
assim ele poderá ver com o que
seu mundo se parece."

Foto de grávidaAinda na vida intrauterina, o bebê tem suas próprias tabelas e ritmos de tempo, como se fossem vários relógios internos, cada um com um ritmo diferente. Mas esse ritmo pode mudar em resposta a diferentes situações e agentes desencadeadores, como ruídos, ou quantidade de cigarros fumados pela mãe, por exemplo. O estresse emocional da mãe gestante é fator desencadeante de mudança no ritmo cardíaco desses bebês, que acabam por apresentar batimentos cardíacos rápidos, sendo muito ativos. Por outro lado, a mãe em estado tranquilo está psicologicamente à disposição do bebê, empática às suas necessidades. Somente neste estado conseguem se comunicar um com o outro.

O meio ambiente no útero parece uma sinfonia de sons e vibrações, fato observado através de pesquisa, ao se colocarem microfones muito pequenos junto ao bebê aos seis ou sete meses da gestação.

Observou-se que é possível comparar o volume de sons maternos (zunido do sangue correndo nos vasos sanguíneos, batimentos cardíacos, ruídos intestinais, e até mesmo a voz da mãe) com o volume de uma rua moderadamente movimentada. Durante a gestação, os pais e as mães sentem emoções diferentes por estarem compartilhando sentimentos, procurando compreender o mundo complexo do bebê, e isso faz parte do caminho de se tornarem mãe e pai.

Nenhuma mãe duvida, hoje em dia, que seu bebê a reconheça, antes que ele pronuncie seu nome, antes que ele chore na presença de um estranho, antes mesmo que ele sorria.

As capacidades discriminativas do recém-nascido são a visão, o olfato e o paladar, a audição, as coordenações entre visão e audição, a visão e a preensão, bem como a visão e a motricidade. Essas extraordinárias capacidades o fazem ser ativo capaz de ver, ouvir, desejar, escolher objetos, pessoas ou situações e até tentar interferir nos acontecimentos para chamar atenção sobre si.

Também no contexto de vida ativa do bebê estão os estados de consciência, que vão desde o sono profundo até o choro forte.

O bebê de termo pode se auto-organizar e se defender de alguma situação que não lhe esteja sendo agradável, podendo também mudar seus estados de consciência. Quando ele não consegue essa mudança, como mecanismo de defesa, pode chegar a um nível alto de estresse, comprometendo significativamente seu desenvolvimento. Regurgitar, desviar o olhar, arquear os ombros, apresentar náuseas, por exemplo, são estratégias autoprotetoras, que precisam ser levadas em conta como sinal de alerta contra o estresse e as implicações na comunicação.

Para aprofundamento no assunto, recomendo livros de Klaus&Klaus.

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Cal Coimbra
é psicóloga e doutora em Fonoaudiologia

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