Cal Coimbra Cal Coimbra 21/5/2011


A comunicação saudável é imprescindível na educação familiar

Foto de famíliaDiferentes motivos podem levar os pais a sentirem-se fracassados quando percebem, com o tempo, que os filhos não estão reagindo conforme eles desejariam. Hoje, vamos focar nos sentimentos infantis que comprometem seriamente a comunicação entre a criança e a família.

Durante o período de crescimento, a criança vai passando por várias experiências de vida, boas e ruins, na relação que estabelece com a família ou com quem está mais próximo, introjetando o mundo conforme a leitura que faz dele.

Esse movimento vai acontecendo rotineiramente e com o tempo vai delineando a intensidade que se diferencia de um para o outro. O amor, a angústia, a depressão, o medo e a tristeza são sentimentos comuns, mas que necessitam de atenção quando se extrapolam no comportamento infantil.

A tentativa de adaptação da criança ao meio ambiente parece ser dolorosa, e, em alguns casos, problemática, com o aparecimento de estresse na família em geral. Quando os pais não conseguem compreender certos comportamentos da criança, podem sentir-se fracassados como educadores, o que certamente começará a comprometer a comunicação saudável entre eles.

A ajuda profissional nesse momento de dor pode beneficiar a relação, antes que ela se torne dramática, de fato. A mentira costuma aparecer na criança quando ela percebe que pode ser castigada em relação a algum fato que a família não concorda. Associada à mentira, pode surgir a agressividade. O comportamento comunicativo vai se deteriorando para dar lugar a agressões, que podem ser passageiras, ou, em casos mais graves, duradouras, prolongando-se para as relações na vida adulta. Haja vista a violência que aparece na rotina das cidades.

O somatório desses comportamentos negativos pode incluir também as perturbações do sono e da alimentação. A insônia, os pesadelos, o terror ou pavor noturno são alguns sintomas que, além de prejudicarem o sono, vão refletir no dia a dia da vida da criança.

Não é raro encontrarmos discussões sérias durante a reunião do almoço ou lanche. Parece que neste momento que deveria ser tranquilo, justamente é aquele em que a família deixa para descarregar as inquietações do dia anterior. Parece que qualquer motivo, por mais insignificante que seja, potencializa a discussão.

Desde cedo, a alimentação deve proporcionar a relação saudável entre a mãe e o bebê. É o momento ideal para o diálogo entre eles. Com a ajuda do núcleo familiar, a comunicação pode desenvolver a relação saudável. O que me parece é que as palavras estão desajustadas no contexto linguístico. No meu entendimento e por tudo que venho estudando e tentando entender a comunicação entre as pessoas, o comportamento linguístico é o eixo que move as relações. E não tenho mais dúvida de que a violência é fruto da desordem linguística.

Então, podemos ficar mais atentos à comunicação durante o desenvolvimento infantil. Procurar acertar é fundamental.

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Cal Coimbra
é psicóloga e doutora em Fonoaudiologia.

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