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    Doença celíaca: intolerância ao glúten afeta milhões de brasileiros

    As opções para quem não pode comer glúten são inúmeras, e o mercado de produtos especiais para quem apresenta intolerância à proteína vem crescendo

    Raphael Placido
    Repórter
    23/2/2013
    feira sem glúten

    Na manhã deste sábado, 23 de fevereiro, a cidade recebeu, no Parque Halfeld, a 1ª Feira sem Glúten de JF. O encontro, promovido pela jornalista Débora Fajardo, em parceria com a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), teve por objetivo conscientizar a população sobre a doença, que afeta milhões de brasileiros. Fabricantes de alimentos sem glúten também expuseram seus produtos.

    Quem tem o hábito de ler o rótulo de produtos, já se deparou com a expressão: "contém glúten". Mas nem todos sabem o que é isso. O glúten é uma proteína presente em quatro cereais: trigo, centeio, cevada, aveia, além do malte, subproduto da cevada.

    Para quem desenvolve a intolerância, o glúten passa a ser prejudicial e tóxico, danificando a mucosa do intestino delgado e dificultando a absorção dos alimentos.

    Débora explica que há pouquíssimos estudos sobre a doença no Brasil, mas estima-se a existência de mais de 4 milhões de celíacos no país: "Estou estudando o assunto há mais de dois anos, com meu livro praticamente concluído. É preciso conscientizar as pessoas. Todo mundo conhece, pelo menos, um parente, amigo ou vizinho que tem a doença. Infelizmente, ela é escondida e pouco divulgada porque não vende remédio", dispara. Sem cura, o tratamento da doença consiste em uma dieta totalmente isenta de glúten. Os portadores, portanto, não podem ingerir vários alimentos, sendo vetados pães, bolos, bolachas, macarrão, coxinhas, quibes, pizzas, cervejas, whisky, vodka, e todos os outros alimentos que possuírem o glúten em sua composição ou processo de fabricação.

    Principais sintomas

    Nem sempre é fácil diagnosticar a doença. Alguns sintomas são mais comuns, como diarreia, anemia constante, desânimo, mal estar gástrico e vômitos. Entretanto, algumas pessoas podem ter a doença e não sentir nada disso. Se não tratada, a enfermidade celíaca pode gerar complicações, como câncer de intestino, anemia, osteoporose e esterilidade.

    A intolerância ao glúten pode se manifestar em qualquer idade. É hereditária e, em vários casos, há mais de um portador na mesma família. Por isso, é aconselhável que os parentes próximos de quem tenha a doença façam o teste. A predisposição é detectada através de exame de sangue, mas o diagnóstico definitivo é feito pela biópsia do intestino, através de endoscopia.

    Inês Pontes é irmã da organizadora do evento, e descobriu que tinha a doença em 2009. "Depois que fui diagnosticada como celíaca, percebi que convivi com a doença praticamente a vida inteira. Sempre tive alguns sintomas, mas não fazia nem ideia. Infelizmente, grande parte dos médicos também desconhece a intolerância ao glúten", lamenta. Para ela, a experiência de conviver com o mal é semelhante a quem tem diabetes. "Você tem uma vida regrada, mas, se não comer os alimentos proibidos, pode levar uma vida normal", explica.

    Mercado em crescimento

    As opções para quem não pode comer glúten são inúmeras, e o mercado de produtos especiais para quem apresenta intolerância à proteína vem crescendo, consideravelmente, nos últimos anos. A quantidade de produtos que levam glúten à mesa do brasileiro é enorme, sobretudo, os que levam farinha de trigo. Entre as opções estão a fécula de mandioca, a farinha de arroz, o fubá de milho e o polvilho (doce ou azedo).

    José de Araújo tem uma empresa em Petrópolis, com 20 pessoas trabalhando na fabricação de alimentos. Ele conta que tudo começou quando seu filho desenvolveu a doença. "Descobrimos quando ele tinha dois anos. Hoje, ele tem 21 e está supersaudável", comemora. Ele fabrica pães, bolos, torradas, pizzas, lasanhas e farinhas especiais. Tudo sem glúten. Mas não quer parar por aí. "Queremos fabricar a primeira cerveja sem glúten do Brasil", afirma.

    Para Chico Mendonça, que também comercializa produtos sem glúten e expôs na feira, até mesmo quem não tem a doença celíaca pode se beneficiar ao consumir alimentos sem a proteína. Ele endossa a tese de que o problema não vem sendo tratado com a ênfase necessária. "O glúten é igual cerveja. Deve ser consumido com moderação por qualquer pessoa. Há um percentual muito grande de idosos que só estão desencadeando a doença agora", explica.

    Para quem quiser mais informações, Débora indica o site da Associação dos Celíacos do Brasil (Acelbra).

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