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    Cecília Junqueira Cecília Junqueira 19/7/2011

    Lixo - Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

     

    IlustraçãoA já clássica frase "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", do livro "O pequeno príncipe", de Saint-Exupéry, lembra os laços que criamos com tudo aquilo que cultuamos/cultivamos: uma amizade, um grande amor, um bichano de estimação e, por que não, com os produtos que consumimos e o seu lixo? Nós nos tornamos responsáveis, também, por aquilo que nos cativa...

    Adquirir um bem material, seja qual for o gênero, por livre e espontânea pressão (rs), é estar comprometido com seu berço e seu túmulo, sua origem e seu grand finale. A este comprometimento chamamos de consumo consciente, que inclui também a responsabilidade pós-consumo.

    Existe um documentário chamado "A história das coisas" (The story of stuff), de Annie Leonard, que, de forma inteligente e irônica, mostra o processo de extração, produção, consumo e descarte dos recursos naturais e seus desdobramentos sociais e ambientais, que ocorrem, na maioria das vezes, longe de nossos olhos, de forma proposital, para que tantos equívocos sejam encarados de forma natural. Sugiro que vejam.

    Não podemos esquecer que, para cada produto/serviço comprado, existe um impacto social e ambiental diretamente proporcional, cabendo ao consumidor a reflexão sobre o grau de utilidade/serventia daquele bem, porque mesmo que não queiramos, carregaremos a inescapável co-responsabilidade de sua existência ad eternum.

    É por essas e outras que menos é mais. É melhor ter um grande amigo do que dez colegas; na mesma lógica, uma bolsa de qualidade vale mais do que dez tranqueiras. É enfadonho observar que o sistema atual se vale do contrário, somos valorizados de forma proporcional ao número de objetos acumulados, e quanto mais temos menos somos...

    O que mais cresce na economia são produtos classificados como "supérfluos" (como os de higiene e beleza), e, quanto mais consumistas ficamos, mais alienados nos tornamos, aí temos que trabalhar mais para consumir mais, é isso que o sistema quer da gente. Sei que é preciso fazer a engrenagem da economia girar, o mercado tem que estar aquecido, e nada como novos produtos para que sejam gerados empregos e renda para a população, mas é preciso considerar a disponibilidade de recursos naturais, assim como a resiliência ambiental, ou seja, a capacidade do ecossistema retornar a sua forma original após uma perturbação. Do jeito que se tem feito, o futuro é utopia (ao menos para espécie humana).

    Existe, ainda, na economia capitalista, o "princípio da obsolescência planejada: as empresas desenvolvem seus produtos/serviços plenamente cientes de que eles estarão obsoletos pouco tempo depois, para fazer um produto mais moderno e obrigar [sic] o consumidor a comprá-lo." O universo da moda, dos eletroeletrônicos e dos "made in China" bebem muito dessa fonte... É assim com panelas, sapatos, celulares, xampus, canetas, garrafas plásticas... É incrível como amontoamos um monte de inutilidades para nos sentirmos felizes! Olhar para fora é sempre o caminho mais fácil...

    Há não muito tempo, as pessoas tinham uma geladeira ao longo de toda sua vida. Eu, aos quase 30 anos, estou na minha segunda. É difícil achar um aparelho que seja uma 'Brastemp" atualmente, nem a própria "Brastemp" é mais uma "Brastemp". Neste caso, foram-se os dedos e ficaram somente os anéis, ficou o nome.

    Imagino o quão difícil seja "acertar na mão" quando se fala em acelerar a economia usando conceitos como reduzir, reutilizar, reciclar. Estamos, ainda, buscando descobrir maneiras de lucrar sem maltratar tanto. E de "com-viver" com nossa responsabilidade diante das escolhas que fazemos!

    Abraços verdes!



    Cecília Junqueira é gestora ambiental, pós graduanda em problemas ambientais urbanos
    e integrante da "Mundo Verde projetos ambientais".

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