Acordar cedo, ir para o ponto de ônibus e... conferir as horas de cinco em cinco minutos. Já reparou que viramos escravos do relógio? Sempre preocupados com a hora?

Não, não é um problema só seu! A rotina da maioria das pessoas leva a essa preocupação com o horário. Hora de entrar no serviço, hora de sair, hora de levar ou buscar filhos na escola, hora da consulta médica... Vivemos "organizados" em agendamentos.

Um detalhe que altere o cronograma nos tira do eixo, porque sabemos que é uma bola de neve. Se uma empregada doméstica atrasa para chegar ao serviço, consequentemente os empregadores também vão atrasar para o trabalho deles, seja fora de casa ou em homework. Afinal, vivemos rigorosamente cronometrados.

FOTO: Acessa.com/Renan Ribeiro - ônibus

E, nessa realidade, o transporte coletivo tem um peso muito grande. Moradores do bairro Milho Branco, na zona Norte de Juiz de Fora sabem muito bem o que isso quer dizer.

Antes do carnaval, alguns me procuraram para dizer que a linha 646, Milho Branco-Av. Rio Branco, estava atrasando muito ou nem passava no primeiro horário, de 6h20min. Mantive contato e a situação parecia ter normalizado.

Mas, nesta semana, houve atrasos na segunda e na terça. Hoje, quarta, 08/03, o coletivo não passou nesse horário. Uma moradora com dificuldades para caminhar contou que foi preciso andar até à praça do bairro para pegar outra linha que passa pela avenida Rio Branco, onde ela trabalha, na área central.

Ao perceber que o ônibus não passaria e, tendo que entrar no serviço às 7h, ela se desesperou. Precisa do emprego e tem atrasado com muita frequência, por conta do ônibus. Os empregadores também trabalham e esperam a funcionária chegar para saírem, já que têm uma criança em casa que estuda à tarde.

Alguns moradores chegaram a criar um grupo no WhatsApp para trocar informações sobre atrasos e dividir o valor do transporte por aplicativo, quando percebem que o ônibus não vai passar no horário determinado.

O gasto a mais gera insatisfação e as reclamações engrossam a lista de problemas enfrentados pelo transporte público em Juiz de Fora.

Problemas sem solução

FOTO: Arquivo - ônibus teve problemas mecânicos da linha que atende o distrito de Torreões

Nos últimos anos, vimos empresas aparentemente sólidas declararem falência. Outra, que apresentava apenas problemas pontuais, passou a ter carros quebrados todos os dias. A situação se tornou insustentável até que mais uma empresa fechou as portas.

Hoje, apenas o Consórcio Via JF está operando no município. E os problemas continuam. As empresas que antes apresentavam uma relativa estabilidade nos serviços prestados, agora têm ônibus envolvidos em acidentes constantes e com problemas mecânicos.

Entrei em contato com a Ansal, do Consórcio Via JF, e pedi informações sobre os atrasos da linha 646. Em nota, o representante da empresa informou que "sobre a linha 646 (Milho Branco - Avenida Rio Branco), em análise realizada (período Fevereiro a início de Março 2023), identificamos que os atrasos no atendimento da viagem de 06:20 são provenientes do deslocamento do ônibus para o primeiro ponto (atraso de percurso) em decorrência do trânsito.

Estamos avaliando a possibilidade antecipar a saída para este deslocamento."

Entrei em contato com a Prefeitura/Secretaria de Mobilidade Urbana também para saber se houve registro de reclamações em relação a essa linha e se alguma providência está sendo tomada. Em nota, a assessoria informou que "a SMU já constatou que o quadro de horários realmente não foi cumprido e já está analisando as sanções cabíveis a serem aplicadas ao consórcio responsável."

Já o Sinttro, Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário, tem duas assembleias marcadas para esta quinta-feira, 09/03. A primeira é às 9h. A pauta é "O futuro do transporte coletivo em Juiz de Fora". Segundo o vice-presidente do Sinttro, Claudinei Janeiro, são muitos assuntos para a categoria discutir. Além de avaliar os problemas no transporte coletivo, a categoria vai votar, na segunda reunião, as propostas que forem apresentadas.

Arquivo - ônibus teve problemas mecânicos da linha que atende o distrito de Torreões
Capa coluna - Ônibus urbano

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