Paula Medeiros Paula Medeiros 20/4/2011


Festival de Cannes contrapõe-se à entressafra do cinema

Estamos num período que pode ser chamado de entressafra do cinema. Essa denominação remete a um intervalo de tempo em que as grandes produções indicadas e premiadas pelo Oscar vão saindo de cartaz para dar lugar ao chamado "cinema de verão". A fase em que estamos agora é, na verdade, uma transição entre produções, já que o auge das férias acontece nos meses de julho e agosto, época em que as atividades escolares são interrompidas nos Estados Unidos. Não é à toa que vemos chegar às salas de exibição inúmeras comédias, romances água com açúcar e animações, sendo a grande maioria bastante mediana. Esses filmes antecedem a entrada dos verdadeiros blockbusters, reservados para as férias por seu grande apelo ao entretenimento. Em alguns momentos chega a ser difícil encontrar um filme mais intelectualizado ou mesmo dramático.

Aproveitando essa queda da produção americana mais reflexiva, surge o Festival de Cannes, que está na 64ª edição e acontece, este ano, no período de 11 a 22 de maio. Ele oferece uma contraproposta aos blockbusters e ao cinema puramente comercial. Os chamados filmes de autor — obras em que a "assinatura criativa" do diretor é facilmente identificada — são apresentados na Competição Oficial, aquela que dará a Palma de Ouro à melhor produção. Outra parte da premiação inclui a mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard), que tem como principal intenção destacar propostas totalmente originais quanto à sua intenção e estética. Com o objetivo de apresentar filmes que rompem com os padrões industriais de produção, Cannes estabelece-se como maior resistência dessa entressafra cinematográfica.

O Festival não funciona somente como uma grande pré-estreia para essas produções, mas sim como um verdadeiro termômetro para os filmes, que podem ter, ali, seu primeiro contato com o público e com a crítica internacional. A premiação de Cannes, diferentemente do Oscar, leva em consideração outros aspectos, como a subjetividade da obra e a influência autoral do diretor sobre o resultado final. Não é à toa que muitos dos filmes que disputam a Palma de Ouro participam apenas deste festival.

Diretores como Lars Von Trier, Pedro Almodóvar, Woody Allen e Quentin Tarantino são comumente vistos em Cannes. Nesse ano, o novo longa de Allen, Meia-Noite em Paris [trailer acima], foi o escolhido para a abertura oficial do Festival, em 11 de maio, mas não concorre à estatueta. Von Trier também apresenta sua nova produção, Melancholia, obra que narra um drama familiar sob o pano de fundo da colisão de um planeta com a Terra. O filme disputa a Palma de Ouro com a nova produção de Almodóvar, La Piel que habito, que traz Antonio Banderas no papel principal, e com o longa do inglês Terrence Malick, A Árvore da Vida.

Além de oferecer uma Palma de Ouro honorária ao diretor italiano Bernardo Bertolucci (Último Tango em Paris e Os Sonhadores), consolidando sua posição entre os principais autores do cinema europeu, o festival traz Robert De Niro como presidente do júri neste ano. Ao todo, foram selecionadas 19 produções para a Competição Oficial. Confira abaixo a lista completa.

Competição oficial
  • La piel que habito, de Pedro Almodóvar (Espanha)
  • L'Apollonide - Souvenirs de la Maison close, de Bertrand Bonello (França)
  • Pater, d'Alain Cavalier (França)
  • Footnote, de Joseph Cedar (Israel)
  • Once upon a time in Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)
  • Le gamin au vélo, de Jean-Pierre et Luc Dardenne (Bélgica)
  • Le havre, d'Aki Kaurismaki (Finlândia)
  • Hanezu no tsuki, de Naomi Kawase (Japão)
  • Sleeping beauty, de Julia Leigh (Austrália). Primeiro filme
  • Polisse, Ma¯wenn (França)
  • A árvore da vida, de Terrence Malick (EUA)
  • La source des femmes, de Radu Mihaileanu (Romênia)
  • Hara-kiri: Death of a samurai, de Takashi Miike (Japão, 3D)
  • Habemus Papam, de Nanni Moretti (Itália)
  • We need to talk about Kevin, de Lynne Ramsay (Grã-Bretanha)
  • Michael, de Markus Schleinzer (Áustria) - Primeiro filme
  • This must be the place, de Paolo Sorrentino (Itália)
  • Melancholia, de Lars Von Trier (Dinamarca)
  • Drive, de Nicolas Winding Refn (cineasta dinamarquês, produção dos EUA)
Fora de competição
  • Midnight in Paris, de Woody Allen (EUA), filme de abertura
  • La Conquête, de Xavier Durringer (França)
  • The beaver, de Jodie Foster (EUA)
  • The artist, de Michel Hazanavicius (França)
  • Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas, de Rob Marshall (EUA, 3D)
  • Mostra Um Certo Olhar
  • Restless, de Gus Van Sant (EUA) 
  • The hunter, de Bakur Bakuradze (Rússia)
  • Halt auf freier strecke, d'Andreas Dresen (Alemanha) - Primeiro filme
  • Hors satan, de Bruno Dumont (França)
  • Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin (EUA) - Primeiro filme
  • Les neiges du Kilimandjaro, de Robert Guédiguian (França)
  • Skoonheid, d'Oliver Hermanus (África do Sul)
  • The day he arrives, de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)
  • Bonsa, de Cristian Jimenez (Chile)
  • Tatsumi, d'Eric Khoo (Cingapura, animação)
  • Arirang, de Kim Ki-duk (Coreia do Sul)
  • Et maintenant on va où?, de Nadine Labaki (Líbano)
  • Loverboy, de Catalin Mitulescu (Romênia)
  • Yellow sea, de Na Hong-jin (Coreia do Sul)
  • Miss Bala, de Gerardo Naranjo (México)
  • Trabalhar cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil) - Primeiro filme
  • L'exercice de l'etat, de Pierre Schoeller (França)
  • Toomelah, d'Ivan Sen (Austrália)
  • Oslo, August 31st, de Joachim Trier (Noruega)
Exibições especiais
  • Labrador, de Frederikke Aspck - Primeiro filme
  • Le maître des forges de l'enfer, de Rithy Panh
  • Michel Petrucciani, de Michael Radford
  • Tous au Larzac, de Christian Rouaud
Sessão da meia-noite
  • Wu xia, de Chan Peter Ho-Sun (China)
  • Dias de gracia, de Tekla Taidelli (México)

Paula Medeiros
é estudante de Comunicação Social com participação em Projetos Cinematográficos.

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