Paula Medeiros Paula Medeiros 11/6/2011

X-Men – Primeira Classe ou como começar uma história

Alguns tendem a sentir um arrepio ao ver a estreia de filmes que narram o início não explicado de uma saga já consagrada (os chamados prequels). Baseados em diversas experiências mal-sucedidas, pensamos todo tipo de coisa. A ideia mais comum que temos é a de que filmes com esse apelo são meramente comerciais, sem qualquer preocupação com a verdadeira história ou com algum fio condutor concreto. Se você pensou isso quando viu que a franquia X-Men ganharia uma "origem", felizmente você se enganou.

X-Men – Primeira Classe é de fato um filme de primeira, como há algum tempo o cinema comercial não experimentava. O sucesso do longa se dá devido a uma série extensa de fatores engenhosos e bem aproveitados. O primeiro deles é o fato de a narrativa fantástica ser trazida para um contexto fortemente humanizado. O foco na ideia de que os x-men são humanos, apenas alvos de mutações – o filme deixa claro que isso é passível de acontecer a qualquer um – e que ser diferente é especial, confere à história o carisma inicial. Potencializando esse argumento, está a história de Mística (interpretada por Jennifer Lawrence), que passa, durante o filme, por profundas transformações como a do status menina versus mulher e humano versus mutante.

Um dos highlights de X-Men – Primeira Classe é o fato de ele não se concentrar somente em cenas de ação megalomaníacas e preencher as lacunas explicativas com bobagens e histórias sem sentido. A origem do mega vilão Magneto é tão consistente que terminamos o filme sem saber de que lado estamos. As justificativas para o rancor e a raiva do perverso "homem magnético" são tão concisas e tecnicamente bem executadas, que quase nos deixamos levar por sua conduta do olho por olho, dente por dente. Na verdade, na história, não existe a ideia de vilão versus herói quando se trata de Xavier e Magneto. Há apenas a divergência de opiniões, plausível e, portanto, respeitável.

Fundamental para a criação dessa tensão latente entre eles, que passam quase a totalidade do filme como melhores amigos, foi a interpretação de Michael Fassbender, o Magneto. Sua atuação, valorizada pelos close-ups iniciais das cenas mais violentas e pela contida, mas aparente, sensibilidade de Erik Lehnsher (nome do personagem, antes de se tornar Magneto) que vai se desdobrando ao longo do filme, demonstram um talento de destaque e confirmam a escolha como um acerto.

Assim como Lehnsher, James McAvoy, o Professor X, completa as escolhas bem sucedidas do roteiro. Ele dá toda a vivacidade que Xavier parece não ter nas outras produções. Ainda caminhando, ele mostra o lado jovial e vivo do professor durante a faculdade, antes de se formar um doutor. Tal imagem é essencial para o humanismo pretendido pela storyline. Assim como os outros, ele é, antes de um mutante dotado de poderes telepáticos, um ser humano, que comete erros, que se diverte, que se apaixona.

E como falar do elenco sem citar o verdadeiro vilão de X-Men – Primeira Classe? Encarnando Sebastian Shaw, Kevin Bacon integra primorosamente o time de atores escalados. Dotado de malícia e jeito únicos, Shaw é o típico vilão playboy necessário para balancear a dose humanística. Suas maldades arquitetadas ditam as cenas de ação do filme, mas sem cair no clichê do vilão que está ali apenas para que haja um embate.

Além dos acertos no elenco e no roteiro, outro elemento que merece ser celebrado neste X-Men é a direção de arte. Os figurinos e o cenário setentistas esculpidos nos mínimos detalhes confirmam a época ilustrada. O submarino classy de Shaw, as salas reservadas dos cassinos de Vegas e o Cérebro, aparelho usado por Xavier, são de um apuro técnico inigualável.

Muitos são os elogios destinados a X-Men – Primeira Classe. Isso se deve ao fato de ele atingir um nível desejado por quase a totalidade dos filmes, mas conquistado por muito poucos. Unindo, de forma redonda, elementos de ação, comédia, romance, drama e ficção científica, X-Men é um filme inclassificável. Não é daqueles voltados para uma única parcela de espectadores. Pelo contrário, consegue um feito que é para poucos: atingir a massa sem deixar lacunas, ainda mais sendo uma adaptação de HQ cuja temática é voltada aos super-heróis. Agora, se me perguntarem de novo se eu quero assistir a um prequel vou pensar duas vezes antes de desacreditá-lo.

Ficha Técnica
X-Men - Primeira Classe / X-Men - First Class
EUA , 2011 - 132 min.
Ação / Aventura
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Bryan Singer, Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman, Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Beth Goddard, Morgan Lily, Oliver Platt, Álex González, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult, Caleb Landry Jones, Edi Gathegi, Corey Johnson, Lucas Till, Laurence Belcher, Bill Milner

 



Paula Medeiros
é estudante de Comunicação Social com participação em Projetos Cinematográficos. 

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