Paula Medeiros Paula Medeiros 21/5/2011


Sedução e espetacularização garantem mais um Piratas do Caribe

Se podemos definir a indústria cinematográfica como uma fábrica de espetáculos, certamente podemos usar a série Piratas do Caribe como um belo exemplo ilustrativo. Sua fórmula é baseada nos principais elementos do cine blockbuster, porém com um diferencial: a consistência. Não adianta insistir em roteiros megalomaníacos que não se sustentam. Para consolidar uma série como uma das mais bem sucedidas e rentáveis da história, é necessário ir além, enxergar novas possibilidades e explorar novos horizontes.

É o caso do quarto volume de Piratas, Navegando em Águas Misteriosas. Ao encerrar a trilogia, mesmo deixando brechas para um novo roteiro, algo a mais deveria ser levado em conta. Realizar uma quarta empreitada não poderia ser somente comercial. Se fez, então, necessário trazer novos ares e novas alternativas ao enredo. Esse pode ser um dos principais motivos para a saída de Gore Verbinski, diretor dos três anteriores, e a entrada de Rob Marshall na direção. Diretor de dois musicais de sucesso, Chicago (2002) e Nine (2009), Marshall conduziu bem as coreografias de Piratas 4. Coreografias sim, por que não? As lutas corporais são verdadeiros passos bem ensaiados e executados. E mais: não são cansativas, mesmo após a enxurrada de filmes de ação que estreiam dia após dia. As cenas de perseguição, como a primeira em que a guarda real vai atrás de Jack Sparrow (Johnny Depp), são divertidas, dinâmicas e atraentes. Ainda que com um final bastante previsível, elas conseguem entreter e despertar curiosidade nos espectadores.

Outro grande destaque de não só Piratas 4¸ mas de toda a saga, é a direção de arte. Os cenários e os figurinos, fundamentais na ambientação e na beleza das cenas, são confeccionados nos mínimos detalhes, conferindo preciosidade à estética e à historicidade propostas.

Mais um atrativo forte são as interpretações. Comentar o papel de Depp, Jack Sparrow, já não é novidade. O ator se consagrou na pele do pirata mais caricato de todos os tempos. Mesmo depois de três longas, Sparrow consegue entreter e arrancar risadas da plateia, que vibra a cada trejeito alcoolizado ou a cada expressão irônica. Geoffrey Rush, no papel do sinistro Barbossa, também é fundamental para a consolidação da caricatura da pirataria. Ele simboliza o lado negro dos ladrões dos mares e toda a aura obscura que os envolve. Outra grande aquisição para a trama foi Penélope Cruz, no papel de Angélica. Ela não precisa esconder seu típico sotaque espanhol, muito menos o jeito explosivo da cultura hispânica e o fato contribui tanto para a sensualidade da personagem, quanto para sua veia cômica.

A incursão da série na mais badalada tecnologia do momento, o 3D, tornou o espetáculo ainda mais atraente ao público. Bem executado, ele conferiu às cenas mais dinâmica e vivacidade e não serviu apenas como publicidade. Diversos filmes que se dizem tridimensionais, como Santuário (2011) e Padre (2011) o fazem apenas por puro marketing, já que a tecnologia fica praticamente inativa aos olhos de quem vê.

Vale a pena comentar também a aura sobrenatural de Piratas. Ela é sedutora, assim como as sereias que habitam as águas misteriosas navegadas por Sparrow, Barbossa e Angélica. O fato contribui ainda para a essência fantástica do enredo, tão essencial à trama quanto às boas interpretações e a direção de arte.

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas é exatamente como falamos antes: um espetáculo diante de quem vê. Se o cinema ainda é levado em conta como uma "fábrica de sonhos", sem dúvidas o longa contribui, por diversos motivos, para que essa denominação seja mantida por mais algum tempo.

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Paula Medeiros
é estudante de Comunicação Social com participação em Projetos Cinematográficos.

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