Paulo César Paulo César 7/1/2012

Alvin e os Esquilos retorna aos cinemas com mais paródias do que músicas 

Hoje, mais do que nunca, a indústria cinematográfica explora ao máximo seus produtos que fazem sucesso. Com Alvin e os Esquilos não foi diferente. Os felpudos, criados na década de 60 por Ross Bagdasarian, ganharam seu terceiro filme, com a direção de Mike Mitchell, devido ao grande triunfo nas bilheterias dos dois anteriores. Porém, a expectativa de um novo sucesso termina quando fica clara a falta de atrativos do novo enredo.

Quando Dave (Jason Lee) decide fazer um cruzeiro e levar seus "filhos" junto, mal poderia imaginar a grande confusão que estava por vir. Alvin ignora as ordens de seu tutor e sai aprontando todas na festa noturna do navio. Além disso, mete as esquiletes e seu irmão Simon na bagunça. Mas o pior estava para acontecer. Depois de adquirir uma pipa, Alvin e toda a sua turma acabam saindo do navio e indo parar em uma ilha deserta. Lá encontram a náufraga Zoe (Jenny Slate), que não bate lá muito bem da cabeça. Dave vai atrás dos pequenos na companhia do ex-empresário Ian, que faz um bico fantasiado de pelicano no navio.

Pela sinopse já é possível perceber a grande carência de uma boa história. O que os roteiristas Nathan Aibel e Glenn Berger fizeram foi simplesmente parodiar situações de outros filmes famosos, como por exemplo a náufraga que tem bolas como amiguinhas, assim como Tom Hanks e a bola Wilson em Náufrago, e a repentina transformação do tímido Simon em um corajoso aventureiro galanteador, lembrando a situação do brinquedo Buzz em Toy Story 3. Tudo isso semeado na atmosfera da novela mexicana "Rebelde".

As crises de autoridade entre pais e filhos, que poderiam ter sido melhor exploradas, são bobas, e ainda são permeados de um ou outro número de música estridente. Se a tentativa era focar no aprendizado que a situação acarretaria a Alvin e os outros esquilos, isso foi conduzido para uma direção totalmente oposta. Em quase todo o filme, o que imperou foi poucas sequências de aventura bem curtas, que provavelmente não agradou seu público alvo, o infantil.

Seu grande carro-chefe, ou o que deveria ser, os números musicais (que adultos odeiam, mas crianças adoram), foram reduzidos a pequenas palhinhas de sucessos de grandes cantores do momento como Lady Gaga e Iggy Pop. As melhores sequências ficaram por conta da dupla Dave e Ian, que, entre uma situação desastrosa e outra, rendeu boas risadas. Já a náufraga (incrivelmente bem arrumada para quem estava a algum tempo perdida na ilha) não teve importância nenhuma, e só não passou totalmente despercebida pela reviravolta nos minutos finais.

Pode ser que Alvin e cia tenham fôlego para mais filmes, mesmo se esse fracassar. Entretanto, se a pedra fundamental de qualquer produção cinematográfica, o roteiro, continuar a ser apenas uma colcha de retalhos de outros longas bem sucedidos preenchidos com músicas top nas paradas, conseguirá apenas a antipatia do público adulto e, o mais terrível, a indiferença do infantil.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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