Paulo César Paulo César 14/01/2012

Em Sherlock Holmes 2, Guy Ritchie mantém o sucesso de sua franquia com ação, humor e Robert Downey Jr. 

Um dos mais famosos personagens da literatura mundial, criado por Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, já ganhou diversas adaptações desde o cinema preto e branco de meados século passado, passando pelo Brasil através da obra de Jô Soares, até chegar ao ritmo frenético e irresistível de Guy Ritchie. E parece ser através deste é que o célebre detetive conquistou a admiração do público com a mescla de ação e estratégia guiada por um Robert Downey Jr. em sua melhor forma.

Quando uma série de ataques terroristas abalam a Europa do final do século XIX causando grande tensão entre as nações mais poderosas, Holmes (Downey Jr.) percebe que alguém está manipulando a situação. E como sempre estava certo. O professor Moriart (Jared Harris) pretende, através de sua grande capacidade estratégica, provocar uma guerra mundial para obter lucro com seus novos produtos, armas e curativos. Com a ajuda de seu fiel companheiro Dr. Watson (Jude Law) e da cigana Simza (Noomi Rapace), além, óbvio, de toda sua eloquência, fará de tudo para parar as ações de Moriart.

Ritchie usa toda sua característica principal para manter o nível do primeiro filme de 2009, a frenética montagem e das sequências em câmera lenta. Amarra as pontas do roteiro escrito a quatro mãos por Kieran e Michelle Mulroney, sem deixar que o público perceba seus "truques" e fiquem imunes às inevitáveis surpresas das resoluções das situações mais complicadas. Tudo com os vértices emocionais devidamente demarcados por uma trilha sonora ágil e arrojada. Apesar de esse seu modo de dirigir ser batido, já que é a mesma desde seu debute em Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes, a fidelidade estilística faz com que crie um cinema só seu, conseguindo dar fim a sua má fase iniciada após o bom Snatch – Porcos e Diamantes (2001) até o primeiro Sherlock (2009).

O humor inteligente, outra máxima do diretor, mudou a mística do comportado detetive, dando-lhe mais desembaraço e exagerada brutalidade estabanada, que certamente é o que mais incomoda aos defensores do Holmes original. Mas na licença poética proposta no filme, não é propriamente uma adaptação e sim uma reinvenção do mito, que em momento algum perde a qualidade do bom suspense.

Robert Downey Jr. realmente encontrou o seu melhor. Assim como Johnny Deep se imortalizou na maquiagem extravagante de Jack Sparrow de Piratas do Caribe, Downey Jr. será sempre lembrado por dar vida ao mais carismático dos Sherlocks. Encontra um equilíbrio essencial entre seu inquestionável talento e a canastrice que todo ator carrega dentro de si. Jude Law atua dentro de sua média, mas é insuficiente para dividir as atenções com seu companheiro. Noomi Rapace tem pouco texto e importância no decorrer da história para mostrar do que foi capaz na versão sueca de Os Homens que não Amavam as Mulheres, porém não compromete.

Não dá para dizer que a versão de Ritchie sobre Holmes é a melhor feita para o cinema, entretanto é com certeza a mais divertida. E apesar de abusar de clichês básicos de explosões e tiroteios para garantir o bom andamento do filme nas bilheterias, paga sua conta contribuindo com boas sequências de humor refinado e montagem categórica. Se Conan Doyle pudesse assisti-lo, poderia até não bater palmas, mas boas gargalhadas não conseguiria evitar.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg. 

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