Paulo César Paulo César 3/3/2012

Nova franquia de Anjos da Noite exagera em tiroteios e pancadaria

 

As continuações - forma como as sequências são conhecidas, na maioria das vezes, deixam a desejar aos fãs, que ávidos por verem os desdobramentos do filme anterior, se amontoam nas filas dos cinemas. Em raras vezes, a saga tem um andamento lógico e cumpre seu papel para com o público. No caso de Anjos da Noite 4 – O Despertar, o reinício da história pode decepcionar quem adora toda a mística dos vampiros e lobisomens (lycans, no caso) e agradar a quem preza mesmo por tiros e pancadarias frenéticas.

Neste novo capítulo da série iniciada em 2003, a guerra entre os seres das sombras é descoberta pelos humanos, que iniciam uma força-tarefa digna de guerra mundial para eliminar os infectados, batizada de O Expurgo. Selene (Kate Beckinsale) e Michael (Scott Speedman) tentar reagir, mas acabam pegos. Anos depois, com a infecção sob controle, a exterminadora de lycans acorda em um hospital e descobre que tem uma filha híbrida, que está sendo caçada pelos homens e lobisomens. Daí para frente usará de muitos tiros e bombas para proteger sua cria.

A direção de Marlind e Stein parte com tudo para a ação absurda como vista apenas em exemplares de Chuck Norris. O filme se perde do mote inicial, que era evidenciar uma guerra secreta entre os vampiros e os lycans, fato que elevou a audiência do primeiro longa, apelando às cenas sangrentas e indigestas, com artilharia pesadíssima e exagerada. É quase impossível lembrar de alguma cena que não tenha a presença dos itens citados.

O roteiro escrito a quatro mãos por uma equipe liderada pelo diretor dos dois primeiros filmes, Len Wiseman, pecou ao introduzir o maniqueísmo à trama, determinando um lado como sendo vilão (os lycans) e os vampiros se tornando os mocinhos. A falta de criatividade em desenvolver as reviravoltas acabou deixando algumas situações sem explicação, além, é claro, do excesso de pancadaria, que fez os personagens tornarem-se monossilábicos e com falas pobres.

Apesar de sentir-se bem incorporando a personagem, Kate Beckinsale é prejudicada pelo roteiro fraco. Seu desempenho, elogiado nos dois primeiros longas, que combinou seu belo corpo com uma expressão impiedosa de femme fatale, se esfacelou no teor meloso inserido na trama para que a personagem mostrasse amor pela filha. O restante do elenco, inferior aos primeiros, ficou preso ao mesmo problema de Kate, a falta de um roteiro caprichado.

Certeza mesmo é que o final deixou uma fenda para que mais uma continuação chegue aos cinemas e que os efeitos visuais são o único aspecto que compensará o dinheiro gasto pelo espectador, com pipoca e refrigerante.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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