Paulo César Paulo César 11/2/2012


Cada um tem a gêmea que merece traz Adam Sandler em dose dupla e Al Pacino como ele mesmo

A comédia é um gênero carente de bons roteiros, que tenham um fundamento no mínimo digno para explicar sequências bizarras e absurdas. Talvez por isso Missão Madrinha de Casamento tenha feito tanto sucesso de público e crítica, além de ter conseguido uma indicação ao Oscar de roteiro. Mas a maioria é como Cada um Tem a Gêmea que Merece, nova parceria entre Adam Sandler e o diretor Denis Dugan, que apresenta um argumento ridículo, com o protagonista fazendo dois personagens, e ainda conta a participação de Al Pacino, e uma ponta do excêntrico Johnny Deep.

A trama gira em torno de Jack, um publicitário que recebe a terrível visita de sua gêmea Jill para o feriado de ação de graças, e decide não ir embora, levando a família à loucura com seu comportamento nada convencional. Para se livrar do problema, ele decide arrumar um namorado para a irmã e, para sua sorte, quem se encanta por ela é Al Pacino. Jack, então, tenta unir o útil ao agradável, já que arrumará alguém para ficar com a irmã, e conseguirá um astro para seu comercial de rosquinha.

Sendo sensato é impossível pensar que uma história dessas consiga ser bem construída ao ponto de o filme se tornar interessante. As situações passam de absurdas a inaceitáveis a cada minuto em que a película avança. Como se não bastasse, temos de aturar Sandler se passando por mulher, uma missão indigesta. A inserção de gêmeos na abertura e no final do longa, para tentar dar o tom do que se seguiria, além de ter sido dispensável e desinteressante, deixou claro que tudo o que disseram foi pura "forçação de barra"para que o público aceitasse as bobagens que se seguiriam.

O problema de Sandler é que perdeu a inocência e a infantilidade que faziam ser toleráveis suas comédias como O Paizão. Desde que entrou nessa empreitada de construir comédias adultas (Zohan, Esposa de Mentirinha) ou dramáticas (Reine sobre Mim, Tá rindo de Quê), rendeu apenas uma obra interessante, que foi Click, em 2005. Depois disso, seus filmes ficaram cansativos e exageradamente apelativos, com cenas repulsivas, indignas do gênero que Buster Keaton e Charles Chaplin brilhantemente consolidaram na era do cinema mudo. E quando tudo isso não se apresenta, não sobra nada, apenas o enfado do ator.

Estranho foi ver Al Pacino dançando, cantando e se expondo ao constrangimento ao interpretar uma faceta gagá e ensandecida dele mesmo. A situação deverá deixar os fãs do ator, que já foi o poderoso chefão, muito chateados. Outro que fez uma pontinha foi Johnny Deep, trajando uma camisa com estampa de Justin Bieber, que, para muitos, será o ponto alto do filme. Katie Holmes é inexpressiva como sempre e Adam Sandler orquestra tudo da maneira mais estúpida possível.

Quem se divertir com essa comédia será porque já está acostumado a agradar-se com qualquer coisa, ou porque estava esperando algo muito pior do que a premissa foi capaz de passar. Ou simplesmente por ter o senso crítico pouco exigente mesmo.


Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

Cada um tem a gêmea que merece traz Adam Sandler em dose dupla e Al Pacino fazendo ele mesmo

 

A comédia é um gênero carente de bons roteiros, que tenham um fundamento no mínimo digno para explicar sequências bizarras e absurdas. Talvez por isso Missão Madrinha de Casamento tenha feito tanto sucesso de público e crítica, além de ter conseguido uma indicação ao Oscar de roteiro. Mas a maioria é como Cada um Tem a Gêmea que Merece, nova parceria entre Adam Sandler e o diretor Denis Dugan que apresenta um argumento ridículo, com o protagonista fazendo dois personagens, e ainda conta a participação de Al Pacino, e uma ponta do excêntrico Johnny Deep.

A trama gira em torno de Jack, um publicitário que recebe a terrível visita de sua gêmea Jill para o feriado de ação de graças, e decide não ir embora, levando a família à loucura com seu comportamento nada convencional. Para se livrar do problema, ele decide arrumar um namorado para a irmã, e para sua sorte quem se encanta por ela é Al Pacino. Jack então tenta unir o útil ao agradável, já que arrumará alguém para ficar com a irmã, e conseguirá um astro para seu comercial de rosquinha.

Sendo sensato é impossível pensar que uma história dessas consiga ser bem construída ao ponto de o filme se tornar interessante. As situações passam de absurdas a inaceitáveis a cada minuto em que a película avança. Como se não bastasse, temos de aturar Sandler se passando por mulher, uma missão indigesta. A inserção de gêmeos na abertura e no final do longa, para tentar dar o tom do que se seguiria, além de ter sido dispensável e desinteressante, deixou claro que tudo o que disseram foi pura forçação de barra para que o público aceitasse as bobagens que se seguiriam.

O problema de Sandler é que perdeu a inocência e infantilidade que faziam ser toleráveis suas comédias como O Paizão. Desde que entrou nessa empreitada de construir comédias adultas (Zohan, Esposa de Mentirinha) ou dramáticas (Reine sobre Mim, Tá rindo de Quê) rendeu apenas uma obra interessante, que foi Click, em 2005. Depois disso, seus filmes ficaram cansativos e exageradamente apelativos, com cenas repulsivas, indignas do gênero que Buster Keaton e Charles Chaplin brilhantemente consolidaram na era do cinema mudo. E quando tudo isso não se apresenta, não sobra nada, apenas o enfado do ator.

Estranho foi ver Al Pacino dançando, cantando e se expondo ao constrangimento ao interpretar uma faceta, gagá e ensandecida dele mesmo. A situação deverá deixar os fãs do ator, que já foi o poderoso chefão, muito chateados. Outro que fez uma pontinha foi Johnny Deep trajando uma camisa com estampa de Justin Bieber, que para muitos será o ponto alto do filme. Katie Holmes é inexpressiva como sempre e Adam Sandler orquestra tudo da maneira mais estúpida possível.

Quem se divertir com essa comédia será por que já está acostumado a agradar-se de qualquer coisa, ou por que estava esperando algo muito pior do que a premissa foi capaz de passar. Ou simplesmente por ter o senso crítico pouco exigente mesmo.

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