Paulo César Nome do Colunista 26/5/2012

Depois de quatro anos afastado das telonas, Will Smith volta à ação em MIB – Homens de Preto 3

Pode-se dizer que, no cinema, a máxima "um é pouco, dois é bom e três é demais" é quase um axioma quando se trata de franquias que não mantêm um elo conectivo entre seus filmes. E a possibilidade de a terceira parte ser um potencial fracasso aumenta, vertiginosamente, quando esta é retomada após dez anos de esquecimento. Porém, Will Smith volta ao personagem que o alçou ao estrelato, apostando em muito humor e viagens no tempo para agradar o público.

O roteirista Etan Cohen (que não é o famoso irmão de Joel Coen, de Onde os Fracos não Tem Vez) precisou de um mote diferenciado para que esta nova aventura não fizesse com que o icônico Tommy Lee Jones ficasse de fora, mas que também não fosse submetido ao intenso ritmo dos outros filmes, já que se trata de um senhor septuagenário. Sendo assim, aproveitou a ideia inicial de Will Smith e transferiu as principais ações para o passado. Isso fez com que a participação do veterano ator se resumisse ao início e ao fim do longa.

A história começa com o perigoso alienígena Boris, O Animal, escapando da prisão lunar com a intenção de se vingar do homem que o colocou lá e foi responsável pela extinção de sua raça a mais de quarenta anos: o Agente K (Tommy Lee Jones). Para isso, volta no tempo para que o curso da história mude. Entretanto, o parceiro de K, o Agente J (Will Smith), também retorna ao passado para ajudar a versão jovem de seu parceiro (Josh Brolin), e ainda descobrir segredos antes não revelados.

O problema do roteiro de Cohen é na falta de sentido em sua elaboração de causas e efeitos do sempre complicado tema de viagens no tempo. Por vezes nos pegamos pensando se tal situação aconteceu, por que então isso aqui não mudou por aquilo? Porém, se tais questões forem deixadas de lado, tudo funciona. A carga cômica de Smith, as homenagens à década de 60, com direito a um agente Andy Wharol, a forma como adicionou uma tensão dramática maior que nos dois primeiros filmes foi bem-vinda. No fim, todos os pontos soltos no decorrer da trama se ligam de forma surpreendente. Todavia, quase tudo poderá desagradar aos fãs da franquia, acostumados com o frenesi quase ininterrupto.

Will Smith enche a tela. Depois de quatro anos afastado do cinema, decidiu retornar justamente no personagem que elevou seu nome ao nível de estrela gigantesca. É o papel que se sente mais à vontade, e isso é perceptível a cada sequência em que cai, atira, distribui socos e faz rir da forma mais natural possível. Já Josh Brolin surpreende. Seu jovem K não pretende em momento algum ser uma imitação do sisudo e cético do sempre ótimo Tommy Lee Jones, e sim uma versão singular que respeita os traços e a personalidade do personagem.

O fato é que MIB – Homens de Preto 3 não é um grande filme, e talvez nem tenha tais aspirações. Porém, diferentemente de outras sequências desconectadas de seus originais, o longa consegue manter um certo nível de apreciação e dá um fim digno à franquia. É só não inventarem de rodar MIB 4, senão, não haverá viagem no tempo que consiga honrar os esforços de Will Smith.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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