Paulo César Paulo César 9/6/2012

Madagascar 3 – Os procurados aposta em humor circense para arrancar gargalhadas

Algumas pessoas acham que cinema é arte, e só admitem apreciá-lo desta maneira. Outros aproveitam seu alto poder de ser um infalível entretenimento, comem pipoca e tomam refrigerante, sem ficar preocupados se o roteiro é bem escrito ou a fotografia satisfaz. Em ambos os casos, tudo só vale se o filme for bom. No caso de Madagascar 3 – Os procurados, não há a preocupação em ser uma animação cabeça, nos moldes de Wall-E e Up -Altas aventuras, mas sim uma ode à alegria, que arranca gargalhadas de crianças de todas as idades.

O leão Alex, com seus amigos, a zebra Martin, a Hipopótamo Gloria e a girafa Mellman, estão na África esperando o retorno dos pinguins, que foram a Monte Carlo tentar a sorte no cassino e conseguir dinheiro para comprar um avião e, assim, retornar para Nova York. Mas, cansados de esperar, os animais desembarcam em território europeu com o intuito de achar os pinguins e retornar para casa. Mas, quando uma intrépida inspetora do controle de animais, astuta e maléfica, dispõe a eliminá-los, eles são obrigados a se juntar a um circo itinerante em um mini-tour pela Europa, que, na verdade, será a grande chance de voltarem à América.

O roteiro de Noah Baumbach, em momento algum, tem compromisso com qualquer lógica plausível, já que se trata de uma fábula surreal. E, desde o primeiro filme, pode ser considerado, sem exagero nenhum, um no sense cômico. Bastou então sintonizar a aura circense com o humor afiado já presentes nos dois anteriores para achar o ponto ideal. O que facilita que este filme não tenha uma queda considerável na carga humorística, tal qual acontece no segundo filme, é o estilo rodízio utilizado para que todos os personagens tenham a oportunidade de arrancar gargalhadas. Em meio a trilha sonora ágil (de Piaf a Kate Perry) e sequências malucas, o frenesi é agradável.

Ao incluir o tema circo como o fio condutor das ações, foi criado, involuntariamente ou não, uma grande homenagem à alegria. Fazendo com que o público se deixasse levar pela diversão inocente, tal como os circos de outrora proporcionavam. Os pinguins e sua gangue de macacos, o Rei Julien e seus dois comparsas, a trupe liderada pelo tigre russo e a inspetora obcecada com seu número musical a la Piaf, todos deixam sua marca.

Pode ser que Madagascar 3 passe longe de estar no nível de animações da Disney/Pixar, e que seu roteiro não passe de um amontoado de gags e spots de humor hiperbólico, mas negar seu poder de divertir e alegrar é impossível. Então se nasceu com a intenção de ser apenas um entretenimento, nada mais, pode-se dizer que terá uma vida plena. Viva o afro-circo!



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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