Paulo César Paulo César 28/7/2012

O cavaleiro das trevas ressurge e encerra de forma sensacional a trilogia dirigida por Chris Nolan

Há sete anos, Christopher Nolan resolveu encarar a terrível missão de levar de volta às telonas o Homem-morcego, que andava meio em baixa no mundo cinematográfico, depois que Joel Schumacher conduziu o péssimo Batman & Robin, em 1997. Porém, depois do mediano Batman Begins (2005) e do excelente Batman – O cavaleiro das trevas (2008), Nolan chega ao momento derradeiro de sua trilogia, mantendo o mote que fez de seus filmes mais do que simples trilhers de super-heróis repletos de ação, a arte cinematográfica de primeira linha.

A história se passa oito anos após os acontecimentos de O cavaleiro das trevas e Gothan City gozarem de uma paz, que a população acredita que se deve ao sacrifício do visionário justiceiro Harvey Dent (Aaron Eckhart). Bruce Wayne (Christian Bale) vive em um autoexílio, onde mantém Batman fora de ação, pois é acusado do assassinato de Dent. Entretanto, quando o terrorista Bane (Tom Hardy) surge como uma ameaça real e implacável, trazendo o mais puro caos apocalíptico à cidade, o cavaleiro das trevas terá de usar todas as forças para evitar o pior. Ainda contará com o fator mais importante de toda a trilogia, o humanismo.

O roteiro, escrito pelo próprio Nolan com a ajuda de seu irmão Jhonatan, mantém o teor claustrofóbico que conduz o espírito da saga. As dúvidas de Wayne sobre qual é seu verdadeiro papel para com Gothan não desapareceu. Para não sintonizar os acontecimentos apenas no protagonista, mais personagens com essas características humanistas são incluídos, como o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) e a bela ladra Selina Kyle (Anne Hathaway), que travarão batalhas internas durante todo o longa.

A dedicação com que a psiquê dos personagens é confeccionada dá outro nível ao trabalho do diretor. Parece que, simplesmente, os cria e eles ganham vida própria na película. Desde Wayne até o intrépido comissário Gordon (Gary Oldman), todos têm um alto teor realístico, o que faz o público aceitar que é possível que qualquer ser humano comum venha a se tornar um herói, simplesmente fazendo o que é o certo.

O trabalho na direção é firme e mantém uma parábola crescente desde o primeiro filme. A forma como desenvolveu uma espécie de purgatório, tanto para o herói mascarado quanto para a população de Gothan é soberba e agoniante. Nolan não tem pressa em chegar ao ápice e mantém o nível de tensão e ação altíssimos sem que tudo descambe para algo pueril. Auxiliado por uma trilha sonora inebriante do experiente Hans Zimmer e uma fotografia sombria e pulsante, sufoca o público que fica à mercê das manipulações inteligentes que se sucedem filme adentro.

Bale se firma como o melhor de todos que ostentaram o uniforme do morcegão, pois se segura muito bem na carga dramática nos piores momentos de seu personagem. Anne Hathaway mostra que tem talento e versatilidade para encarar qualquer papel encarnando uma femme fatale que vive no limite da razão. Gordon-Levitt é a grata surpresa do filme com a dureza com que encarna o corajoso policial Blake. Mas não tem como negar que os vilões de Nolan são os melhores. Tom Hardy não decepciona e mantém a escrita e encarna um Bane cruel, que mescla a astúcia de Ra's Al Ghul (Liam Neeson) do primeiro filme com a atitude do sociopata Coringa (Heath Ledger) em uma ótima atuação, mesmo escondido atrás da máscara.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge pode ser considerado uma grande metáfora para a vida de qualquer pessoa e ainda um entretenimento de qualidade inquestionável. Mas, com certeza, o principal resultado da empreitada de Nolan no universo Batman é a prova de que existe, sim, a possibilidade de fazer cinema de verdade usando os quadrinhos como fonte. Um fim absolutamente digno para uma saga espetacular, que merece ser tratada de forma honrosa pelos autos cinematográficos daqui para frente.


Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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