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    Victor Bitarello Victor Bitarello 28/03/2016

    A triste história de um vencedor: "Spotlight: Segredos Revelados"

    Quero, ao comentar sobre o filme “Spotlight: Segredos Revelados” (“Spotlight”), abordar o fato de que ele foi o grande vitorioso na maior festa do cinema mundial, o Oscar. Pouco favorito, houve surpresa quando de seu anúncio, até mesmo para Morgan Freeman, que foi quem deu a notícia. Os participantes da produção, que pareciam não acreditar que aquilo estava acontecendo, ficaram perplexos, já que tudo indicava que a vitória iria para “O Regresso” ou “Mad Max - Estrada da Fúria”.

    Apesar de também ganhar o prêmio como por melhor roteiro original, não encontro justificativa para a vitória. Não encontro. Ao menos, não em aspectos cinematográficos.

    Baseado em fatos reais, o filme fala sobre as investigações que uma equipe do caderno “Spotlight”, do jornal “The Globe”, em Boston, nos EUA, promoveu para publicar uma matéria sobre a grande quantidade de casos de abusos sexuais que padres praticavam contra crianças, sendo que os casos eram acobertados pelos superiores hierárquicos, que optavam por transferir os padres para outra paróquia, sem haver nenhum tipo de punição criminal. Mesmo que muitos de nós já tenhamos ouvido falar de casos assim, é possível sair do cinema bem chocado e muito triste de ver o quanto coisa desse nível acontece por aí. É um filme muito duro de ser assistido. A história nos mantém muito “presos” à tela, não somente em virtude da temática, mas da forma como é conduzida. É um bom filme, com muita qualidade e um time de atores que está excelente no filme, em especial Mark Ruffalo e Rachel McAdams. Michael Keaton está dando sorte para os filmes que participa. Ano passado em “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” e agora em “Spotlight”.

    No entanto, a questão é que, por mais interessante, apesar de forte, que seja a história, os concorrentes tinham peso demais sobre ele. Muito maior qualidade e diversidade para mostrar. O chato “O Regresso” era o mais perfeito tecnicamente. “Mad Max - Estrada da Fúria” tinha um trabalho de ação explosiva como há muito não se via no cinema, com muita criatividade, tanto que venceu diversos prêmios técnicos. Tinha também “A Grande Aposta”, que abordou de maneira muito divertida e absurdamente inteligente o momento na vida de quatro pessoas, duas dessas sendo pessoas jurídicas, que perceberam que haveria uma queda no mercado imobiliário americano por volta de 2007, 2008, e que realmente houve. O filme é fantástico! Até mesmo o simples e tenso “O Quarto de Jack”, numa tensão que eu não sentia desde “Cisne Negro”, ganha pela força que a atriz Brie Larson imprimiu nele. É muito bem dirigido.

    Mas não. Optaram por reconhecer um flime típico da Sessão da Tarde.

    Num primeiro momento, eu pensei que a vitória foi dada como um revanchismo contra a Igreja Católica.

    A Igreja Católica, na figura do fabuloso e inteligentíssimo Papa Francisco, vem se posicionando sem pudor contra o famoso “american way of life”, em especial sobre as crueldades do sistema capitalista e a necessidade de proteção ao meio ambiente, ambas as coisas atingindo os EUA na alma e na carne.

    Mas depois, refletindo mais calmamente, eu preferi pensar que a Academia não seria tão ridícula a esse ponto, e que decidiram premiar porque sim. Assim mesmo. Porque sim.

    Então, o que pode se dizer sobre “Spotlight - Segredos Revelados” é isso. É um ótimo filme. A história é instigante e não dá sono. É muito triste a realidade mostrada no filme e eu só não a abordei neste texto com maior profundidade para não fugir da temática “cinema”, porque sem dúvida é algo que rende muita conversa, e o próprio filme traz muitas propostas de reflexão sobre as questões padre/celibato/abusos/hierarquia.

    Mas não foi uma vitória merecida. Não foi.


    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Ator amador há 15 anos e estudioso de cinema e teatro. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Pós graduando em Direito Processual Civil.

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