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    As opções da Academia

    Caso premiar "Brokeback Mountain" seja demais para os votantes da Academia, a opção provável será "Munique" (ao lado), do mago Steven Spielberg. Saindo dos filmes de ação e ficção científica, o cineasta mais poderoso de Hollywood (alcunha adquirida com os milhões de bilheteria arrecadados ao longo de sua trajetória com filmes como "Tubarão", "ET", a série Indiana Jones, "Parque dos Dinossauros" e os recentes "Minority Report", "Prenda-me se For Capaz" e "Guerra dos Mundos") reconstitui a vingança do serviço secreto de Israel contra terroristas que atacaram e mataram 11 atletas judeus nas Olimpíadas de 1972. É certamente o filme mais corajoso e maduro de Spielberg, indo além da tentativa de ser sério em "A Lista de Schindler", seu olhar sobre o Holocausto nazista.

    O diretor (que é judeu) tem a seu favor, para evitar acusação de se posicionar para algum lado no filme, as opiniões contrárias de alas dos dois segmentos - palestinos alegam que foram retratados como vilões na tela; autoridades israelenses já afirmaram que se sentiram pintadas como monstros. Nesse sentido, o filme pode surgir como surpresa na premiação, caso os votantes não ousem dar o prêmio à produção de Ang Lee - e seria outra alfinetada no governo Bush, já que Spielberg deixa claro ao longo da projeção estar fazendo paralelos entre os anos 70 e a atual campanha anti-terror americana ao redor do planeta.

    Mas não é só "Munique" a tratar de temas espinhosos politicamente. O ator George Clooney se embrenhou pela segunda vez na direção e realizou "Boa Noite e Boa Sorte". Aborda um momento na vida do jornalista Edward R. Murrow, profissional que teve a coragem de enfrentar na TV o senador Joseph McCarthy, responsável pela caça aos comunistas no país nos anos 60. Clooney vem se notabilizando pelas posições contrárias a Bush, seja em entrevistas públicas, quando destila toda a sua raiva a respeito do governo, quanto nos filmes em que decide participar, como é o caso desde "Boa Noite..." ou de "Syriana", sobre a indústria do petróleo e pelo qual ele está concorrendo a ator coadjuvante no Oscar.

    Os outros dois indicados a melhor filme ficam bem mais atrás nas chances de saírem premiados: "Capote" tem muito a seu favor apenas a elogiada atuação de Phillip Seymour Hoffman (que deve lhe valer o prêmio na categoria); e "Crash - No Limite", um mosaico abordando diversos personagens em conflito racial na cidade de Los Angeles, foi lançado no meio de 2005, o que já pode ter causado certo esquecimento dos votantes, e padece da ingenuidade e simplismo de seu roteiro - porém, não será inesperado se o diretor Paul Haggis sair da festa razoavelmente bem premiado, já que "Crash" possui muitos admiradores.

    "O Jardineiro Fiel" (foto acima), produção inglesa dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles ("Cidade de Deus"), esteve bem cotado ao Oscar por um bom tempo, mas acabou indicado apenas a melhor atriz coadjuvante (Rachel Weisz), roteiro adaptado, trilha sonora e montagem. "Johnny e June" é favorito para atriz (Reese Whiterspoon, que interpreta a showgirl June Carter, esposa e parceira de palco de Johnny Cash por décadas) e talvez ator, com Joaquin Phoenix, em franca briga com o Hoffman de "Capote".


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