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    Bairros de Juiz de Fora viram cenário do curta-metragem Barbante

    Além de atores locais, grandes nomes contracenam no filme, como a atriz, Laura Cardoso, e o protagonista do premiado "Central do Brasil", Vinícius de Oliveira

    Angeliza Lopes
    Repórter
    28/07/2015
    curta

    Será que o outro lado da linha do trem permanece tranquilo e preservado como em nossa infância? A amizade que beira convivência familiar nos bairros de Juiz de Fora será cenário para o curta-metragem Barbante. Com gravação entre os dias 1° e 4 de agosto, o filme pretende resgatar os tempos que se transformam a cada dia, conforme caminha as mudanças causadas pelo desenvolvimento desenfreado. Nas cenas do primeiro roteiro de Daniel Couto, com direção de Samir Hauaji, o menino Zeca, de 13 anos, sofre com a ausência de seu cachorrinho desaparecido, chamado Barbante, e busca ajuda nas pessoas de seu bairro, que também vivem suas histórias que se passam do outro lado da linha do trem, que divide o progresso da vida pacata das comunidades periféricas. Além de atores locais, as cenas serão interpretadas por grandes nomes, como a atriz, Laura Cardoso, e o protagonista do premiado Central do Brasil e outros longas como Linha de Passe e Abril Despedaçado, Vinícius de Oliveira.

    Idealizado há quatro anos por uma equipe técnica formada por experientes profissionais do município, o projeto ganhou forma em 2014 e foi contemplado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei Murilo Mendes. Os personagens principais são interpretados por quatro garotos, entre 11 e 13 anos, que fazem parte do grupo de teatro do programa Gente em Primeiro Lugar e vivem no curta a primeira oportunidade de estrelarem nas telas do cinema. O filme conta também com dois gigantes do teatro juiz-forano, José Luiz Ribeiro e Márcia Falabella. Para fechar o time, o diretor de fotografia Mauro Pianta sai de trás das câmeras e dá vida a um dos personagens da narrativa.

    De acordo com o roteirista e montador, Daniel Couto, a inspiração surgiu da observação do cotidiano no bairro em que cresceu, que é Poço Rico. Ele conta que ao reparar nas relações de proximidade entre vizinhos, das brincadeiras de ruas da região periférica, pode refletir sobre as mudanças nos comportamentos sociais que serão progressivos com o passar do tempo, conforme a expansão do desenvolvimento de diversas regiões da cidade, em especial o seu bairro. "As características e o modo como as pessoas se relacionam nos bairros e no Centro são diferentes. Na comunidade as pessoas além de serem mais próximas, se tornam um pouco uma família. A ambientação do filme é o registro desta realidade, que um dia pode se perder", explica.

    Couto destaca que a história tem essências de sua infância, com situações que observa no seu dia a dia. "Alguns personagens tem o nome de vizinhos meus e em uma das cenas, as crianças brincam de 'bete', que eu brincava muito quando mais novo. A narrativa não possui uma bibliografia da minha vida, mas tem muitos elementos que a compõe".

    Pequenos, grandes atores

    Zeca, interpretado por Richard Oliveira dos Santos, 13 anos, já sobe aos palcos há seis anos e em sua primeira experiência no cinema já vai contracenar com uma das atrizes mais renomadas do país, que é Laura Cardoso. Aluno do oitavo ano da escola Municipal Professor Augusto Gotardelo, no bairro Caiçaras, Santos fala que está ansioso e animado para fazer o trabalho. "Estou tentando ver Zeca em mim, pois o mais difícil é a tristeza do personagem. O mote principal da narrativa que é a busca pelo cachorro já aconteceu comigo, por isso, ao mesmo tempo que está sendo difícil, está mais fácil por já ter passado por isso e entender o sentimento", afirma.

    A turma de Zeca será composta pelos atores mirins Pedro Augusto Costa, 11 anos, do Parque Independência; Wecsley Britto, 14 anos, do Carlos Chagas; e Nicolas Furtado, 11 anos, do Mariano Procópio.

    filme filme

    O roteirista explica que no primeiro momento a escolha por jovens atores do programa da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) veio da contrapartida exigida pela Lei Murilo Mendes, que financia o projeto. Mas, após selecionar os garotos, a escolha dos talentos fez toda a diferença para as interpretações. "Como eles possuem apenas experiência no teatro, precisaram de passam por um trabalho de preparação com o diretor Samir, pois no palco as expressões são muito amplificadas, mas já nas telas qualquer reação mais forte pode parecer caricata. Além disso, tem toda a dinâmica das gravações que envolvem câmera, luz, áudio. No teatro são eles no palco, mas no cinema tem várias pessoas juntas e é mais devagar, planejada e conturbada, com ações mais marcadas. Depois dos dois meses de preparo, todos eles se saíram super bem!".

    No próximo final de semana as cenas serão gravadas nos bairros Poço Rico, Vitorino Braga e Barbosa Lage. Laura Cardoso interpretará a avó de Zeca, enquanto o Vinícius fará o papel de seu irmão, que terá um amor platônico no bairro e tem como objetivo conquistar seu amor após comprar uma moto. O roteirista acrescenta que Barbante é um filme sobre perdas, mas não chega ser apenas um drama. A partir da história da busca do cachorro são narradas várias situações paralelas que vão se interligando.

    Festival

    Após as gravações, a previsão é que o filme seja finalizado até o primeiro semestre de 2016. Daniel Couto afirma que a intenção da equipe é levar o filme para os festivais pelo Brasil. "Fazer cinema, gravar um CD ou escrever um livro para ficar guardado na gaveta é chato, queremos que mais e mais pessoas assistam. A intenção é fazer a carreira do curta nos festivais e depois de reconhecido, tentar divulgá-lo em um circuito mais aberto ao público".

    Filme para todos os públicos

    A produção pretende apresentar ao espectador a vida dentro e fora das casas, mostrando o contexto das estruturas familiares e das relações pessoais que compõem este ambiente bairrista. A amizade entre os garotos, a mercearia como ponto de encontro, a amargura de um romance platônico e um amor interrompido pela morte. Tais situações compõem um mosaico que ainda preserva características singulares, algo que, com o passar dos anos, vêm perdendo espaço com a realidade apressada e verticalizada das cidades. É um filme, portanto, voltado para todos os públicos, seja pela identificação com as histórias, personagens ou com o próprio bairro. A ideia é recuperar o olhar para esta realidade ainda tão próxima, dentro de nossa cidade, e nos identificarmos ali.

    Equipe técnica

    A equipe técnica de "Barbante" é formada, basicamente, por um grupo de profissionais locais que vem trabalhando com cinema há cinco anos em Juiz de Fora e que atuou nos filmes "Casa de boneca", "Entre parênteses", "Aqueles cinco segundos" e "Estamos vivos", entre outros. Boa parte é proveniente da produtora Impülso, que se destaca na produção cinematográfica. Samir Hauaji assina a direção e Daniel Couto é montador e roteirista. Na direção de fotografia, Kiko Barbosa, e Cezar Campos na produção.

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