Juiz de Fora - MG

Candidatos a prefeito de JF enfatizam mudança Diante do episódio que atingiu a Prefeitura neste ano, envolvendo o ex-prefeito Alberto Bejani, candidatos apostaram no discurso da renovação



Priscila Magalhães
Repórter
06/10/2008

Durante a campanha eleitoral que antecedeu o primeiro turno das eleições municipais, a mudança na Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) entrou na pauta da discussão pública de forma intensa. Em alguns casos, o tema apareceu de forma mais moderada e outros candidatos o abordaram com mais ênfase, apontando também para a qualificação.

O PT, partido que não tem uma história forte nas eleições municipais, saiu na frente este ano. Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Figueira Leal, a professora Margarida Salomão (PT) foi a que conseguiu encarnar esse espírito de mudança, o que explica o fato de a candidata ter alcançado 40,82% dos votos. "Ela encarnou mais essa demanda de mudança do que os outros candidatos, principalmente os que já concorreram ou ocuparam cargos executivos", explica Paulo Roberto.O segundo turno vai ser disputado entre ela e Custódio Mattos (PSDB), que obteve 28,23%.


Foto dos candidatos que vão para o segundo turno: Custódio e Margarida

Para o profissional, a ênfase de todos os candidatos na mudança é conseqüência do episódio que atingiu a Prefeitura neste ano e envolveu o ex-prefeito Alberto Bejani. "A dinâmica da disputa em Juiz de Fora foi impactada por aquele acontecimento", completa. Ele também aponta o desgaste do processo eleitoral frente ao eleitor, que se vê cansado diante do jogo político travado, na cidade, nos últimos anos.

Outros fatores também contribuíram para que Margarida tivesse um crescimento tão acentuado em tão pouco tempo, já que na primeira pesquisa ela marcava 12% das intenções de voto, subindo para 35%; depois, 38%; e fechando com quase 41%. Um dos motivos é a união do partido. "Pela primeira vez, o PT está bastante unido no processo".

Outro fator é o crescimento do partido, alavancado pelo bom desempenho e avaliação do governo Federal. Paulo Roberto ainda cita o fato de a candidata do PT ter apresentado um programa diferente durante o horário eleitoral gratuito de televisão. "Todas as pesquisas as quais tive acesso mostraram que era o programa com melhor avaliação", comenta.

O cientista avalia que tanto Margarida quanto Custódio apontaram para o futuro, o que, associado à vontade da mudança, gerou resultados positivos. "Eles enfatizaram o que pretendem fazer pela cidade no próximo governo". Custódio também foi beneficiado pelo tempo de TV. Enquanto isso, o profissional coloca que Tarcísio foi prejudicado pela campanha, que apontava muito para o que ele já havia feito quando esteve no Executivo. "Em uma campanha que foca a transformação, ele não foi feliz ao falar do passado. Isso o marcou negativamente". Tarcísio Delgado (PMDB) alcançou 20,75% dos votos.

Votos por Zona Eleitoral
Foto dos candidatos que vão para o segundo turno: Custódio e Margarida

A Zona 153, que concentra o segundo maior colégio eleitoral da cidade, com 77.571 eleitores, registrou o maior número de votos para quatro candidatos: Margarida Salomão, Custódio Mattos, Omar Peres (PV) e Vitor Pontes (PSTU). Eles alcançaram, respectivamente, 24.736, 17.666, 4.234 votos e 1.210. Já Tarcísio Delgado recebeu mais votos na Zona 315 - foram 13.431 eleitores. O candidato Rafael Pimenta (PCB) alcançou o maior número de votos na Zona 152. O número foi 1.457.


Dos 368.011 eleitores de Juiz de Fora, 313.366 compareceram. Destes, 3,55% (o que corresponde a 11.140) votaram em branco e 6,55% (20.524) anularam o voto. Os votos válidos somam 89,9% (281.702). O número de abstenções é de 54.645. A Zona 154, que concentra 61.563 eleitores, teve o maior número de votos brancos e nulos. Foram, respectivamente, 2.057 (o que corresponde a 3,86%) e 3.846 (7,22%).

Para Paulo Roberto, votos brancos e nulos não significam alienação, como há alguns anos. Ele vai além ao considerá-los legítimos. "É uma rejeição à própria oferta de candidatos. Quanto mais isso acontece, menos se dá uma indicação de alienação, mas de insatisfação".

Corrida para o segundo turno

Foto de Paulo Roberto Leal Para o cientista político, a tendência é que o número de votos brancos e nulos mude no segundo turno, quando o embate entre os candidatos é mais polarizado e contribui para esquentar o jogo político. "Neste caso, há menos possibilidade de as pessoas não se manifestarem".

Segundo ele, não há dúvidas de que a professora Margarida Salomão é a favorita. "É claro que há muitas possibilidades nas eleições, mas, se não houver dados novos na campanha, a tendência é que ela continue na frente". Ele considera essa possibilidade levando em conta a frente favorável que a candidata possui, fazendo uma comparação ao pleito de 2004, quando a diferença entre Bejani e Custódio era menor. "O candidato do PSDB tinha que tirar um diferença menor e, mesmo assim, não foi possível".

Além disso, independente da posição que os candidatos que ficaram de fora do segundo turno tomem em relação aos que ainda concorrem à Prefeitura, a candidata vai captar mais votos, mantendo os que conquistou no último domingo, 05 de outubro. Para ele, é improvável que Tarcísio indique apoio a Custódio. "Há duas décadas de animosidade entre o Tarcisismo e o PSDB local. Mesmo que Tarcísio supere isso, não sei se seus eleitores vão superar. Também nada garante que haja liderança capaz de transferir os votos que um candidato obteve para outro que ele indique".

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.