Lucas Soares Lucas Soares 28/04/2014

Daniel Alves, a banana e o Botafogo

Os "evoluídos" do futebol europeu mais uma vez protagonizaram uma cena lamentável, e, novamente, envolvendo racismo. Mas, se o objetivo era humilhar o craque da Seleção Brasileira e do Barcelona, Daniel Alves, o tiro saiu, e muito, pela culatra.

Ao pegar a banana atirada no campo e comer, Daniel engole a seco o preconceito, a intolerância e a inveja. Se o objetivo do torcedor ao de atirar uma banana em campo era desestabilizar o jogador, a resposta veio à caráter, com duas assistências em seguida, a vitória, e, melhor ainda, engolir a banana.

 

Daniel é baiano, brasileiro, miscigenado. Daniel, vejam só, tem olhos claros, possivelmente originado de algum parente distante com descendência europeia. Mas tem lá seu cabelo pixaim e sua pele morena clara, característica que o faz ser brasileiro, assim como você, que tem a pele branca, preta, amarela, ou os cabelos lisos e crespos. Somos uma mistura. Daniel não é negro, assim como não é Neymar, ou Miranda, outros jogadores que também foram alvos de racismo no velho continente. A ofensa à Daniel não foi meramente por alguém ser negro ou não. Ofenderam um povo, que em 45 dias, será o centro das atenções do futebol mundial.

E a irreverência brasileira sobressaiu. A melhor resposta, o apoio de um povo, um pedido público de desculpas por parte do Villareal - cuja torcida foi responsável pelo ato. Mas não deveria parar aí, nunca! Enquanto a FIFA não abraçar de verdade a causa e punir o clube pelas atitudes de seus torcedores, nada vai mudar. Que sigam o exemplo como é no Brasil: se algum torcedor atira algo em campo, e não for identificado, o clube é punido. Se houver identificação, a punição então, torna-se individual.

Ironia do destino foi, praticamente na mesma hora em que o caso do Daniel acontecia, o Botafogo dá uma tacada de mestre contra o racismo. Ao entrar em campo com a camisa com as listras invertidas, poucos notaram a diferença. O slogan "se você não percebeu a camisa invertida, é porque a cor não faz a menor diferença. #somosumsó" foi sensacional! Meus parabéns ao Botafogo pela campanha e belíssima atitude.

Não viu o lance do Daniel? Confere aí!


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

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Lucas Soares Lucas Soares 28/04/2014

Daniel Alves, a banana e o Botafogo

Os "evoluídos" do futebol europeu mais uma vez protagonizaram uma cena lamentável, e, novamente, envolvendo racismo. Mas, se o objetivo era humilhar o craque da Seleção Brasileira e do Barcelona, Daniel Alves, o tiro saiu, e muito, pela culatra.

Ao pegar a banana atirada no campo e comer, Daniel engole a seco o preconceito, a intolerância e a inveja. Se o objetivo do torcedor ao de atirar uma banana em campo era desestabilizar o jogador, a resposta veio à caráter, com duas assistências em seguida, a vitória, e, melhor ainda, engolir a banana.

 

Daniel é baiano, brasileiro, miscigenado. Daniel, vejam só, tem olhos claros, possivelmente originado de algum parente distante com descendência europeia. Mas tem lá seu cabelo pixaim e sua pele morena clara, característica que o faz ser brasileiro, assim como você, que tem a pele branca, preta, amarela, ou os cabelos lisos e crespos. Somos uma mistura. Daniel não é negro, assim como não é Neymar, ou Miranda, outros jogadores que também foram alvos de racismo no velho continente. A ofensa à Daniel não foi meramente por alguém ser negro ou não. Ofenderam um povo, que em 45 dias, será o centro das atenções do futebol mundial.

E a irreverência brasileira sobressaiu. A melhor resposta, o apoio de um povo, um pedido público de desculpas por parte do Villareal - cuja torcida foi responsável pelo ato. Mas não deveria parar aí, nunca! Enquanto a FIFA não abraçar de verdade a causa e punir o clube pelas atitudes de seus torcedores, nada vai mudar. Que sigam o exemplo como é no Brasil: se algum torcedor atira algo em campo, e não for identificado, o clube é punido. Se houver identificação, a punição então, torna-se individual.

Ironia do destino foi, praticamente na mesma hora em que o caso do Daniel acontecia, o Botafogo dá uma tacada de mestre contra o racismo. Ao entrar em campo com a camisa com as listras invertidas, poucos notaram a diferença. O slogan "se você não percebeu a camisa invertida, é porque a cor não faz a menor diferença. #somosumsó" foi sensacional! Meus parabéns ao Botafogo pela campanha e belíssima atitude.

Não viu o lance do Daniel? Confere aí!


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

Lucas Soares Lucas Soares 28/04/2014

Daniel Alves, a banana e o Botafogo

Os "evoluídos" do futebol europeu mais uma vez protagonizaram uma cena lamentável, e, novamente, envolvendo racismo. Mas, se o objetivo era humilhar o craque da Seleção Brasileira e do Barcelona, Daniel Alves, o tiro saiu, e muito, pela culatra.

Ao pegar a banana atirada no campo e comer, Daniel engole a seco o preconceito, a intolerância e a inveja. Se o objetivo do torcedor ao de atirar uma banana em campo era desestabilizar o jogador, a resposta veio à caráter, com duas assistências em seguida, a vitória, e, melhor ainda, engolir a banana.

 

Daniel é baiano, brasileiro, miscigenado. Daniel, vejam só, tem olhos claros, possivelmente originado de algum parente distante com descendência europeia. Mas tem lá seu cabelo pixaim e sua pele morena clara, característica que o faz ser brasileiro, assim como você, que tem a pele branca, preta, amarela, ou os cabelos lisos e crespos. Somos uma mistura. Daniel não é negro, assim como não é Neymar, ou Miranda, outros jogadores que também foram alvos de racismo no velho continente. A ofensa à Daniel não foi meramente por alguém ser negro ou não. Ofenderam um povo, que em 45 dias, será o centro das atenções do futebol mundial.

E a irreverência brasileira sobressaiu. A melhor resposta, o apoio de um povo, um pedido público de desculpas por parte do Villareal - cuja torcida foi responsável pelo ato. Mas não deveria parar aí, nunca! Enquanto a FIFA não abraçar de verdade a causa e punir o clube pelas atitudes de seus torcedores, nada vai mudar. Que sigam o exemplo como é no Brasil: se algum torcedor atira algo em campo, e não for identificado, o clube é punido. Se houver identificação, a punição então, torna-se individual.

Ironia do destino foi, praticamente na mesma hora em que o caso do Daniel acontecia, o Botafogo dá uma tacada de mestre contra o racismo. Ao entrar em campo com a camisa com as listras invertidas, poucos notaram a diferença. O slogan "se você não percebeu a camisa invertida, é porque a cor não faz a menor diferença. #somosumsó" foi sensacional! Meus parabéns ao Botafogo pela campanha e belíssima atitude.

Não viu o lance do Daniel? Confere aí!


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.