Lucas Soares Lucas Soares 10/11/2014

Atlético-MG e Flamengo, o amado e o odiado

Atlético-MG e Flamengo decidiram, na última quarta-feira, a vaga na final da Copa do Brasil 2014. Melhor para o Galo, que mais uma vez superou um placar adverso no jogo de ida e, na base do "EU ACREDITO", entoado por todo estádio, sufocou o adversário até obter o placar que necessitava para a classificação. Não vou entrar no mérito futebolístico e na postura na qual o rubro-negro entrou em campo (até porque já falei disso em outro portal), e sim, prefiro focar nas diferenças históricas e motivacionais que essa boa fase pode gerar aos clube mineiro.

Para isso, voltamos lá na década de 1940, quando, através da Rádio Nacional, com sede no Rio de Janeiro, os narradores e comentaristas esportivos contavam, para todo o Brasil, os feitos de superação de um clube que vestia vermelho e preto naquela cidade. Não havia imparcialidade, talvez nem mesmo daquilo que era dito. Quando o Flamengo vencia, era idolatrado. Vitórias simples tornavam-se épicas nas vozes de quem contava, e, principalmente, para quem ouvia. O que era aquela bastilha rubro-negra? O que esse time seria capaz de fazer?

Os anos passaram e, com a chegada e a popularização da televisão no Brasil, ficaram mais evidentes os misteriosos milagres do rubro-negro. Torcedor do Mais Querido, Roberto Marinho, dono da Rede Globo, foi um dos principais contribuintes para espalhar o nome do clube por todo o país. Na década de 1980 e no início da de 1990, como todo fã de futebol sabe, o Flamengo ganhou tudo: cinco Campeonatos Brasileiros, Libertadores, Copa Intercontinental, Campeonatos Cariocas, Copa do Brasil... O time de Zico era daqueles que levava 195 mil pessoas ao Maracanã em uma final de campeonato. Não demorou muito e o rubro-negro ficou conhecido em todo o mundo, principalmente após a vitória sobre o Liverpool, em 1981.

Todo esse breve histórico para falar de como o Atlético-MG vem entrando no cotidiano do torcedor brasileiro. Se em 2013 as épicas reviravoltas deram o inédito título da Taça Libertadores para o Galo, esse ano a Copa do Brasil já entrou para a história após reverter, praticamente, dois 3 a 0 em menos de 90 minutos, contra Corinthians e o próprio Flamengo.

Eu sou torcedor do Flamengo e não escondo isso de ninguém. Talvez o meu "defeito" como torcedor seja gostar mais do esporte do que do meu próprio time - e olha que eu sou daqueles fanáticos, que compra produtos oficiais, pay-per-view, sócio-torcedor e ainda vai no estádio! E, quando o Atlético fez o quarto gol, não deu nem pra ficar p*** da vida com meu time. Foi muito merecida a vitória dos caras, simplesmente porque "acreditaram" até o final, porque mostraram ao Brasil todo que no futebol tudo é possível. Enquanto muitos não acreditaram, eles acreditaram.

Os feitos do Atlético tornaram-se ainda mais expressivos, desta vez, por ser contra o Rubro-Negro, acostumado a esse tipo de situação. Recebi muitas gozações de torcedores adversários, e a maioria deles com um "GALOOOO" no WhatsApp, no Facebook ou mesmo pessoalmente. De onde surgiram tantos atleticanos assim? É culpa do Flamengo, odiado por toda a torcida adversária, ou do Atlético-MG, dono de feitos incríveis nos últimos dois anos em mata-mata?

Acho que a resposta está em uma mistura das duas questões. Em Juiz de Fora, terra de supremacia rubro-negra em números de torcedores, estourou-se um foguetório logo após o gol da classificação. Gritos de "GALOOOOOO" eram ouvidos de bares e residências. Celebravam a derrota de um odiado e a vitória de um novo queridinho dos torcedores. Não falo isso de forma pejorativa. É um elogio. Ano passado, na Libertadores, foi a mesma coisa nas épicas classificações contra Tijuana, Newell's e Olímpia.

Para concluir o raciocínio, lógico que o Atlético precisa fazer muito mais. Pra começar, precisa vencer o maior rival na decisão da Copa do Brasil para consolidar a boa fase. Se conseguir o sucesso, precisa de fazer ainda mais: ganhar pelo menos mais um título, já que o Brasileirão não leva desde 1971.

O clássico dos dois melhores times do Brasil nos últimos dois anos promete ser eletrizante. Atlético e Cruzeiro não vai parar só Belo Horizonte, como o país inteiro vai se interessar pela decisão - principalmente após as duas últimas classificações do Galo. E aí, sua torcida vai pra quem?


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

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Lucas Soares Lucas Soares 10/11/2014

Atlético-MG e Flamengo, o amado e o odiado

Atlético-MG e Flamengo decidiram, na última quarta-feira, a vaga na final da Copa do Brasil 2014. Melhor para o Galo, que mais uma vez superou um placar adverso no jogo de ida e, na base do "EU ACREDITO", entoado por todo estádio, sufocou o adversário até obter o placar que necessitava para a classificação. Não vou entrar no mérito futebolístico e na postura na qual o rubro-negro entrou em campo (até porque já falei disso em outro portal), e sim, prefiro focar nas diferenças históricas e motivacionais que essa boa fase pode gerar aos clube mineiro.

Para isso, voltamos lá na década de 1940, quando, através da Rádio Nacional, com sede no Rio de Janeiro, os narradores e comentaristas esportivos contavam, para todo o Brasil, os feitos de superação de um clube que vestia vermelho e preto naquela cidade. Não havia imparcialidade, talvez nem mesmo daquilo que era dito. Quando o Flamengo vencia, era idolatrado. Vitórias simples tornavam-se épicas nas vozes de quem contava, e, principalmente, para quem ouvia. O que era aquela bastilha rubro-negra? O que esse time seria capaz de fazer?

Os anos passaram e, com a chegada e a popularização da televisão no Brasil, ficaram mais evidentes os misteriosos milagres do rubro-negro. Torcedor do Mais Querido, Roberto Marinho, dono da Rede Globo, foi um dos principais contribuintes para espalhar o nome do clube por todo o país. Na década de 1980 e no início da de 1990, como todo fã de futebol sabe, o Flamengo ganhou tudo: cinco Campeonatos Brasileiros, Libertadores, Copa Intercontinental, Campeonatos Cariocas, Copa do Brasil... O time de Zico era daqueles que levava 195 mil pessoas ao Maracanã em uma final de campeonato. Não demorou muito e o rubro-negro ficou conhecido em todo o mundo, principalmente após a vitória sobre o Liverpool, em 1981.

Todo esse breve histórico para falar de como o Atlético-MG vem entrando no cotidiano do torcedor brasileiro. Se em 2013 as épicas reviravoltas deram o inédito título da Taça Libertadores para o Galo, esse ano a Copa do Brasil já entrou para a história após reverter, praticamente, dois 3 a 0 em menos de 90 minutos, contra Corinthians e o próprio Flamengo.

Eu sou torcedor do Flamengo e não escondo isso de ninguém. Talvez o meu "defeito" como torcedor seja gostar mais do esporte do que do meu próprio time - e olha que eu sou daqueles fanáticos, que compra produtos oficiais, pay-per-view, sócio-torcedor e ainda vai no estádio! E, quando o Atlético fez o quarto gol, não deu nem pra ficar p*** da vida com meu time. Foi muito merecida a vitória dos caras, simplesmente porque "acreditaram" até o final, porque mostraram ao Brasil todo que no futebol tudo é possível. Enquanto muitos não acreditaram, eles acreditaram.

Os feitos do Atlético tornaram-se ainda mais expressivos, desta vez, por ser contra o Rubro-Negro, acostumado a esse tipo de situação. Recebi muitas gozações de torcedores adversários, e a maioria deles com um "GALOOOO" no WhatsApp, no Facebook ou mesmo pessoalmente. De onde surgiram tantos atleticanos assim? É culpa do Flamengo, odiado por toda a torcida adversária, ou do Atlético-MG, dono de feitos incríveis nos últimos dois anos em mata-mata?

Acho que a resposta está em uma mistura das duas questões. Em Juiz de Fora, terra de supremacia rubro-negra em números de torcedores, estourou-se um foguetório logo após o gol da classificação. Gritos de "GALOOOOOO" eram ouvidos de bares e residências. Celebravam a derrota de um odiado e a vitória de um novo queridinho dos torcedores. Não falo isso de forma pejorativa. É um elogio. Ano passado, na Libertadores, foi a mesma coisa nas épicas classificações contra Tijuana, Newell's e Olímpia.

Para concluir o raciocínio, lógico que o Atlético precisa fazer muito mais. Pra começar, precisa vencer o maior rival na decisão da Copa do Brasil para consolidar a boa fase. Se conseguir o sucesso, precisa de fazer ainda mais: ganhar pelo menos mais um título, já que o Brasileirão não leva desde 1971.

O clássico dos dois melhores times do Brasil nos últimos dois anos promete ser eletrizante. Atlético e Cruzeiro não vai parar só Belo Horizonte, como o país inteiro vai se interessar pela decisão - principalmente após as duas últimas classificações do Galo. E aí, sua torcida vai pra quem?


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

Lucas Soares Lucas Soares 10/11/2014

Atlético-MG e Flamengo, o amado e o odiado

Atlético-MG e Flamengo decidiram, na última quarta-feira, a vaga na final da Copa do Brasil 2014. Melhor para o Galo, que mais uma vez superou um placar adverso no jogo de ida e, na base do "EU ACREDITO", entoado por todo estádio, sufocou o adversário até obter o placar que necessitava para a classificação. Não vou entrar no mérito futebolístico e na postura na qual o rubro-negro entrou em campo (até porque já falei disso em outro portal), e sim, prefiro focar nas diferenças históricas e motivacionais que essa boa fase pode gerar aos clube mineiro.

Para isso, voltamos lá na década de 1940, quando, através da Rádio Nacional, com sede no Rio de Janeiro, os narradores e comentaristas esportivos contavam, para todo o Brasil, os feitos de superação de um clube que vestia vermelho e preto naquela cidade. Não havia imparcialidade, talvez nem mesmo daquilo que era dito. Quando o Flamengo vencia, era idolatrado. Vitórias simples tornavam-se épicas nas vozes de quem contava, e, principalmente, para quem ouvia. O que era aquela bastilha rubro-negra? O que esse time seria capaz de fazer?

Os anos passaram e, com a chegada e a popularização da televisão no Brasil, ficaram mais evidentes os misteriosos milagres do rubro-negro. Torcedor do Mais Querido, Roberto Marinho, dono da Rede Globo, foi um dos principais contribuintes para espalhar o nome do clube por todo o país. Na década de 1980 e no início da de 1990, como todo fã de futebol sabe, o Flamengo ganhou tudo: cinco Campeonatos Brasileiros, Libertadores, Copa Intercontinental, Campeonatos Cariocas, Copa do Brasil... O time de Zico era daqueles que levava 195 mil pessoas ao Maracanã em uma final de campeonato. Não demorou muito e o rubro-negro ficou conhecido em todo o mundo, principalmente após a vitória sobre o Liverpool, em 1981.

Todo esse breve histórico para falar de como o Atlético-MG vem entrando no cotidiano do torcedor brasileiro. Se em 2013 as épicas reviravoltas deram o inédito título da Taça Libertadores para o Galo, esse ano a Copa do Brasil já entrou para a história após reverter, praticamente, dois 3 a 0 em menos de 90 minutos, contra Corinthians e o próprio Flamengo.

Eu sou torcedor do Flamengo e não escondo isso de ninguém. Talvez o meu "defeito" como torcedor seja gostar mais do esporte do que do meu próprio time - e olha que eu sou daqueles fanáticos, que compra produtos oficiais, pay-per-view, sócio-torcedor e ainda vai no estádio! E, quando o Atlético fez o quarto gol, não deu nem pra ficar p*** da vida com meu time. Foi muito merecida a vitória dos caras, simplesmente porque "acreditaram" até o final, porque mostraram ao Brasil todo que no futebol tudo é possível. Enquanto muitos não acreditaram, eles acreditaram.

Os feitos do Atlético tornaram-se ainda mais expressivos, desta vez, por ser contra o Rubro-Negro, acostumado a esse tipo de situação. Recebi muitas gozações de torcedores adversários, e a maioria deles com um "GALOOOO" no WhatsApp, no Facebook ou mesmo pessoalmente. De onde surgiram tantos atleticanos assim? É culpa do Flamengo, odiado por toda a torcida adversária, ou do Atlético-MG, dono de feitos incríveis nos últimos dois anos em mata-mata?

Acho que a resposta está em uma mistura das duas questões. Em Juiz de Fora, terra de supremacia rubro-negra em números de torcedores, estourou-se um foguetório logo após o gol da classificação. Gritos de "GALOOOOOO" eram ouvidos de bares e residências. Celebravam a derrota de um odiado e a vitória de um novo queridinho dos torcedores. Não falo isso de forma pejorativa. É um elogio. Ano passado, na Libertadores, foi a mesma coisa nas épicas classificações contra Tijuana, Newell's e Olímpia.

Para concluir o raciocínio, lógico que o Atlético precisa fazer muito mais. Pra começar, precisa vencer o maior rival na decisão da Copa do Brasil para consolidar a boa fase. Se conseguir o sucesso, precisa de fazer ainda mais: ganhar pelo menos mais um título, já que o Brasileirão não leva desde 1971.

O clássico dos dois melhores times do Brasil nos últimos dois anos promete ser eletrizante. Atlético e Cruzeiro não vai parar só Belo Horizonte, como o país inteiro vai se interessar pela decisão - principalmente após as duas últimas classificações do Galo. E aí, sua torcida vai pra quem?


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.