Lucas Soares Lucas Soares 13/04/2015

Os estaduais têm que acabar?

Quando o artilheiro Fred, do Fluminense, falou que "o Carioca tinha que acabar", ao ser expulso injustamente contra o Flamengo, no último domingo, 5 de abril, levantou uma polêmica que rendeu (e ainda rende) assunto para toda semana. O Campeonato Carioca de Futebol tem que acabar? E os outros estaduais?

Pra responder essa pergunta, é preciso fazer uma análise histórica de como os campeonatos estaduais foram construídos como parte importante da história do futebol brasileiro, antes mesmo da criação da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata), hoje considerados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como os primeiros campeonatos nacionais da modalidade. Mas isso é papo longo e pra outra hora, o lance aqui é o futebol de hoje.

Pra começar, o Bom Senso FC defende o fim dos estaduais e a criação de um calendário universal, com mais divisões e com os clubes "menores" tendo jogos durante o ano todo. Isso, inevitavelmente, cria maiores verbas de patrocínio e empregos no futebol em toda a temporada. De acordo com o movimento, cerca de 16 mil atletas ficam desempregados ao final dos campeonatos locais, enquanto os clubes da primeira divisão jogam até 85 jogos em uma mesma temporada. Para se ter ideia, a maioria dos clubes do país joga em média apenas 17 partidas por ano.

Vamos ter, por exemplo, o Tupi. Teve até agora 12 partidas oficiais no ano (onze pelo Mineiro e uma pela Copa do Brasil) e jogará, pelo menos, mais 19 (18 pela Série C do Brasileirão e uma pela Copa do Brasil). Caso o Carijó não consiga a classificação em nenhuma das competições, termina o ano com 31 jogos! Enquanto que um clube da Série A ou B joga, apenas no Brasileirão, 38 partidas.

Então, pelo bem do futebol, qual seria o certo? Equiparar os campeonatos e dar condição aos clubes de ter um calendário mais democrático e inclusivo. Minha proposta seria fazer Séries C e D nos mesmos moldes das Séries A e B, com 38 jogos, em turno e returno. Na Série D, nas quais os clubes têm de lutar pela classificação nos estaduais, esta medida seria extinta. Coloca-se acesso e descenso, como faz-se nas divisões superiores e, por fim, a criação de uma Série E, esta proveniente de vagas dos REGIONAIS.

Por que regionais? Na contra-mão dos públicos pífios dos estaduais do Sul e Sudeste, grandes centros do futebol nacional, no Nordeste nós temos a Copa do Nordeste, conhecida como Nordestão e Lampions League, uma brincadeira com a competição européia mais importante. Desde que retornou ao calendário oficial do futebol em 2013, é sucesso absoluto de público, com jogos disputados e um real clima de competição, já que vale vaga na Copa Sul-Americana, uma competição internacional para clubes que, por vezes, não têm chance de disputá-las.

Não faz muito tempo, tínhamos regionais Rio-SP e Sul-Minas, por exemplo, que também davam vaga na Copa dos Campeões. Esta, por sua vez, garantia ao campeão uma vaga na Libertadores. Ambas as competições foram extintas em 2002 para a criação do Brasileirão de pontos corridos no ano seguinte.

O Campeonato Pernambucano, por exemplo, é um bom exemplo do que pode ser feito. Na primeira fase, que começa ainda em dezembro, os pequenos jogam entre si a chance de entrar na elite. Na segunda fase, já com a presença dos grandes, são dois hexagonais simultâneos, com dez jogos cada, para definir a semifinal e a final, ambas com dois jogos. Ao todo, um grande pode jogar 14 jogos no máximo para ser campeão e, um pequeno, 28. Tudo isso simultaneamente com a Copa do Nordeste, gerando um maior impacto para todos os clubes participantes.

Eu não acho que o Carioca ou qualquer outro Estadual têm que acabar.  Acho que, da forma como está, não pode continuar. Tem é que ser feito uma reunião entre os clubes e as federações, para encontrarem fórmulas de disputas justas, com calendário inclusivo para todos os times, incluindo os de menor expressão. A CBF, ao invés de se enriquecer para sabe-se lá pra quê, deveria é ajudar os clubes, custeando viagens e montando torneios competitivos. E pra você? O que deve ser feito?


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e pós-graduado em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora. Apaixonado por futebol, repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

Lucas Soares Lucas Soares 13/04/2015

Os estaduais têm que acabar?

Quando o artilheiro Fred, do Fluminense, falou que "o Carioca tinha que acabar", ao ser expulso injustamente contra o Flamengo, no último domingo, 5 de abril, levantou uma polêmica que rendeu (e ainda rende) assunto para toda semana. O Campeonato Carioca de Futebol tem que acabar? E os outros estaduais?

Pra responder essa pergunta, é preciso fazer uma análise histórica de como os campeonatos estaduais foram construídos como parte importante da história do futebol brasileiro, antes mesmo da criação da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata), hoje considerados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como os primeiros campeonatos nacionais da modalidade. Mas isso é papo longo e pra outra hora, o lance aqui é o futebol de hoje.

Pra começar, o Bom Senso FC defende o fim dos estaduais e a criação de um calendário universal, com mais divisões e com os clubes "menores" tendo jogos durante o ano todo. Isso, inevitavelmente, cria maiores verbas de patrocínio e empregos no futebol em toda a temporada. De acordo com o movimento, cerca de 16 mil atletas ficam desempregados ao final dos campeonatos locais, enquanto os clubes da primeira divisão jogam até 85 jogos em uma mesma temporada. Para se ter ideia, a maioria dos clubes do país joga em média apenas 17 partidas por ano.

Vamos ter, por exemplo, o Tupi. Teve até agora 12 partidas oficiais no ano (onze pelo Mineiro e uma pela Copa do Brasil) e jogará, pelo menos, mais 19 (18 pela Série C do Brasileirão e uma pela Copa do Brasil). Caso o Carijó não consiga a classificação em nenhuma das competições, termina o ano com 31 jogos! Enquanto que um clube da Série A ou B joga, apenas no Brasileirão, 38 partidas.

Então, pelo bem do futebol, qual seria o certo? Equiparar os campeonatos e dar condição aos clubes de ter um calendário mais democrático e inclusivo. Minha proposta seria fazer Séries C e D nos mesmos moldes das Séries A e B, com 38 jogos, em turno e returno. Na Série D, nas quais os clubes têm de lutar pela classificação nos estaduais, esta medida seria extinta. Coloca-se acesso e descenso, como faz-se nas divisões superiores e, por fim, a criação de uma Série E, esta proveniente de vagas dos REGIONAIS.

Por que regionais? Na contra-mão dos públicos pífios dos estaduais do Sul e Sudeste, grandes centros do futebol nacional, no Nordeste nós temos a Copa do Nordeste, conhecida como Nordestão e Lampions League, uma brincadeira com a competição européia mais importante. Desde que retornou ao calendário oficial do futebol em 2013, é sucesso absoluto de público, com jogos disputados e um real clima de competição, já que vale vaga na Copa Sul-Americana, uma competição internacional para clubes que, por vezes, não têm chance de disputá-las.

Não faz muito tempo, tínhamos regionais Rio-SP e Sul-Minas, por exemplo, que também davam vaga na Copa dos Campeões. Esta, por sua vez, garantia ao campeão uma vaga na Libertadores. Ambas as competições foram extintas em 2002 para a criação do Brasileirão de pontos corridos no ano seguinte.

O Campeonato Pernambucano, por exemplo, é um bom exemplo do que pode ser feito. Na primeira fase, que começa ainda em dezembro, os pequenos jogam entre si a chance de entrar na elite. Na segunda fase, já com a presença dos grandes, são dois hexagonais simultâneos, com dez jogos cada, para definir a semifinal e a final, ambas com dois jogos. Ao todo, um grande pode jogar 14 jogos no máximo para ser campeão e, um pequeno, 28. Tudo isso simultaneamente com a Copa do Nordeste, gerando um maior impacto para todos os clubes participantes.

Eu não acho que o Carioca ou qualquer outro Estadual têm que acabar.  Acho que, da forma como está, não pode continuar. Tem é que ser feito uma reunião entre os clubes e as federações, para encontrarem fórmulas de disputas justas, com calendário inclusivo para todos os times, incluindo os de menor expressão. A CBF, ao invés de se enriquecer para sabe-se lá pra quê, deveria é ajudar os clubes, custeando viagens e montando torneios competitivos. E pra você? O que deve ser feito?


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e pós-graduado em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora. Apaixonado por futebol, repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

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Lucas Soares Lucas Soares 13/04/2015

Os estaduais têm que acabar?

Quando o artilheiro Fred, do Fluminense, falou que "o Carioca tinha que acabar", ao ser expulso injustamente contra o Flamengo, no último domingo, 5 de abril, levantou uma polêmica que rendeu (e ainda rende) assunto para toda semana. O Campeonato Carioca de Futebol tem que acabar? E os outros estaduais?

Pra responder essa pergunta, é preciso fazer uma análise histórica de como os campeonatos estaduais foram construídos como parte importante da história do futebol brasileiro, antes mesmo da criação da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata), hoje considerados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como os primeiros campeonatos nacionais da modalidade. Mas isso é papo longo e pra outra hora, o lance aqui é o futebol de hoje.

Pra começar, o Bom Senso FC defende o fim dos estaduais e a criação de um calendário universal, com mais divisões e com os clubes "menores" tendo jogos durante o ano todo. Isso, inevitavelmente, cria maiores verbas de patrocínio e empregos no futebol em toda a temporada. De acordo com o movimento, cerca de 16 mil atletas ficam desempregados ao final dos campeonatos locais, enquanto os clubes da primeira divisão jogam até 85 jogos em uma mesma temporada. Para se ter ideia, a maioria dos clubes do país joga em média apenas 17 partidas por ano.

Vamos ter, por exemplo, o Tupi. Teve até agora 12 partidas oficiais no ano (onze pelo Mineiro e uma pela Copa do Brasil) e jogará, pelo menos, mais 19 (18 pela Série C do Brasileirão e uma pela Copa do Brasil). Caso o Carijó não consiga a classificação em nenhuma das competições, termina o ano com 31 jogos! Enquanto que um clube da Série A ou B joga, apenas no Brasileirão, 38 partidas.

Então, pelo bem do futebol, qual seria o certo? Equiparar os campeonatos e dar condição aos clubes de ter um calendário mais democrático e inclusivo. Minha proposta seria fazer Séries C e D nos mesmos moldes das Séries A e B, com 38 jogos, em turno e returno. Na Série D, nas quais os clubes têm de lutar pela classificação nos estaduais, esta medida seria extinta. Coloca-se acesso e descenso, como faz-se nas divisões superiores e, por fim, a criação de uma Série E, esta proveniente de vagas dos REGIONAIS.

Por que regionais? Na contra-mão dos públicos pífios dos estaduais do Sul e Sudeste, grandes centros do futebol nacional, no Nordeste nós temos a Copa do Nordeste, conhecida como Nordestão e Lampions League, uma brincadeira com a competição européia mais importante. Desde que retornou ao calendário oficial do futebol em 2013, é sucesso absoluto de público, com jogos disputados e um real clima de competição, já que vale vaga na Copa Sul-Americana, uma competição internacional para clubes que, por vezes, não têm chance de disputá-las.

Não faz muito tempo, tínhamos regionais Rio-SP e Sul-Minas, por exemplo, que também davam vaga na Copa dos Campeões. Esta, por sua vez, garantia ao campeão uma vaga na Libertadores. Ambas as competições foram extintas em 2002 para a criação do Brasileirão de pontos corridos no ano seguinte.

O Campeonato Pernambucano, por exemplo, é um bom exemplo do que pode ser feito. Na primeira fase, que começa ainda em dezembro, os pequenos jogam entre si a chance de entrar na elite. Na segunda fase, já com a presença dos grandes, são dois hexagonais simultâneos, com dez jogos cada, para definir a semifinal e a final, ambas com dois jogos. Ao todo, um grande pode jogar 14 jogos no máximo para ser campeão e, um pequeno, 28. Tudo isso simultaneamente com a Copa do Nordeste, gerando um maior impacto para todos os clubes participantes.

Eu não acho que o Carioca ou qualquer outro Estadual têm que acabar.  Acho que, da forma como está, não pode continuar. Tem é que ser feito uma reunião entre os clubes e as federações, para encontrarem fórmulas de disputas justas, com calendário inclusivo para todos os times, incluindo os de menor expressão. A CBF, ao invés de se enriquecer para sabe-se lá pra quê, deveria é ajudar os clubes, custeando viagens e montando torneios competitivos. E pra você? O que deve ser feito?


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e pós-graduado em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora. Apaixonado por futebol, repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.