Falta de apoio desmotiva campeão do ranking de Corridas de JF

Jocemar Corrêa precisa conciliar o trabalho com as competições, mas, atualmente, a situação está mais difícil. Desempregado, ele já pensou em parar de correr

Angeliza Lopes
Repórter
10/09/2015
jocemar

Mesmo no ponto mais alto do pódio do Ranking de Corridas de Rua de Juiz de Fora há cinco anos, o corredor Jocemar Fernandes Corrêa, 30 anos, ainda espera ser enxergado pelos patrocinadores e apoiadores do esporte do município. Na classificação parcial do ranking divulgada em agosto, após seis provas, ele retorna a liderar na pontuação (140 pontos), com diferença de cinco pontos do segundo colocado.

Mesmo com pouco apoio, o atleta compete nas disputas da cidade e região nos finais de semana, mas precisa conciliar seus treinos com o trabalho. Mas, nos últimos meses a situação está mais complicada. Corrêa, sempre lembrado entre os nomes mais citados em matérias de corrida da ACESSA.com desde 2006, já pensou até em parar de competir. Atualmente, ele recebe bolsa apoio da VidaAtiva para participar das competições.

"Tenho que trabalhar para manter as contas e disputar. Atualmente, estou desempregado buscando 'bicos' como eletricista. Para participar com os melhores do país você precisa ter dedicação exclusiva, igual a eles. Estou chegando em um momento da minha vida que tenho que pensar se deixo o esporte de lado e dedico mais ao trabalho ou continuo correndo. Mas sempre queremos seguir com nossos sonhos, mesmo na dificuldade", desabafa.

A corrida chegou cedo na vida de Jocemar Fernandes. Com apenas 19 anos ele descobriu o esporte enquanto servia no Exército, onde permaneceu até seus 22 anos. As distâncias foram crescendo e hoje ele compete até 42 km, mas se diz melhor nas corridas de 10 km e 21 km.

Ele avalia que a competição que teve melhor desempenho foi na competição em Barbacena, quando disputou com grandes corredores do país os 10,5 km, com percurso com várias subidas e descidas. "Corri com atletas da Pé de Vento e Cruzeiro, que são as equipes de destaque no país e fiquei em 7° lugar. Estava com dores na coluna e poderia ter saído melhor. Também já corri em BH, Petrópolis e Ubá", destaca.

Alçar voos em Petrópolis

Ainda este ano, Corrêa pretende disputar nas competições que ajudam na visibilidade do atleta, se conquistada boas colocações, que são a Corrida da Pampulha em Belo Horizonte e a São Silvestre, em São Paulo. Ele conta que já foi convidado a treinar na equipe 'Pé de Vento', em Petrópolis, onde treina o segundo colocado na Meia Maratona Internacional do Rio, Giovani dos Santos.

jocemar"Já recebi instrução da equipe por um tempo. Mas, por morar em Juiz de Fora, tive que deixar, por falta de patrocínio. Infelizmente, mesmo sendo campeão cinco vezes na cidade, não tive grandes apoios. Sei que muitos deles só vão aparecer depois de me classificar nas grandes competições nacionais, mas preciso de apoio inicial para custear as inscrições, passagem e treinos e estou vendo esta oportunidade apenas fora da cidade", destaca.

Treinos e dietas

Mesmo com todas as dificuldades, Corrêa continua treinando de segunda a sábado, pelo menos 2 horas por dia. Nas terças e quintas ele pratica tiros de 1 mil a 400 m e nos outros dias corre de 10 km a 21 km. As dietas também são um problema pelos altos custos em complementos alimentares e alimentos caros. "Todas as etapas de preparo tem seu preço. Às vezes tenho que optar ou pela vitamina ou pelas frutas e carne. Cheguei a fazer dieta com uma nutricionista, mas estou com dificuldades para arcar com os custos mínimos", afirma.

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