Daniel Carvalho faz a diferença, Cléo marca e Tupi é derrotado na estreia da Série B

Matheus Brum
Colaboração*
14/05/2016

Para quem gosta de frio, a noite estava agradável em Juiz de Fora. Mesmo com a mística de que sexta-feira 13, remete a acontecimentos ruins, havia um sentimento bom nas 1.841 pessoas presentes no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Afinal de contas, era a tão sonhada estreia do Tupi na Série B do Campeonato Brasileiro.

Às 21h20, Glaysson, Filippe Formiga, Hélder, Heitor, Bruno Costa, Felipe Alves, Recife, Rafael Jataí, Jonathan, Giancarlo e Thiago Silvy, escreveram seus nomes na história do clube. Ao saírem do vestiário e pisarem no gramado, se eternizaram como os primeiros jogadores disputando a Segunda Divisão pela centenária instituição.

Às 21h29, um minuto antes do horário oficial, a bola rolou no Mário Helênio. Começava então a primeira das 38 batalhas que o Tupi, próximo de completar 104 anos, teria que enfrentar. O primeiro tempo foi morno. Com um time muito mudado em relação ao Mineiro, era perceptível que os jogadores não se conheciam direito. Porém, do outro lado, o Goiás também não encaixava uma forma de jogo, principalmente por não conhecer muito o time Carijó.

Enderson Moreira colocou o Esmeraldino para fazer uma marcação sob pressão e de forma individualizada. A saída de bola do Tupi ficou comprometida em alguns momentos. Porém, boas jogadas saíam em uma jogada individual, ou falha do time visitante, através das pontas.

Jogando basicamente num 4-3-3, Drubscky pedia para que os volantes não ficassem fixos, e flutuassem pelo meio de campo, acionando Silvy pela direita, Jonathan pela esquerda e Giancarlo centralizado.

Essa mistura de troca de posições mais jogadas individuais levou a primeira grande chance do jogo, aos 33 minutos, quando Giancarlo deu uma "casquinha" na bola, Silvy arrancou pela esquerda, cortou para o meio e chutou no ângulo esquerdo de Ivan, que fez um grande defesa.

Do outro lado, o atual campeão goiano não conseguia encaixar a marcação, não tinha controle do meio de campo, totalmente dominado pela movimentação de Jataí, Felipe Alves e Recife, e abusava da ligação direta do campo de defesa para o centroavante Rafhael Lucas, preso entre os zagueiros alvinegros. Jogando no 4-1-4-1, no momento defensivo, o Tupi congestionava o meio, não dando brechas para toque de bola do adversário.

Às 22h16, terminou os primeiros 45 minutos do time de Santa Terezinha na Série B. Na arquibancada, os torcedores estavam felizes. Afinal, mesmo sendo uma partida truncada, quem buscou o jogo foi a equipe da casa.

Todavia, no segundo tempo, tudo foi diferente. Durante o intervalo, Enderson Moreira conseguiu arrumar todo o time goiano, abdicando da marcação sob pressão, de forma individualizada, e trabalhando com jogadores mais compactados, e um meio de campo com mais jogadores. Quando estava sem a bola, defendia no 4-4-1-1, deixando apenas dois jogadores na frente para puxar contra-ataque.

O time carijó sentiu essa mudança e não conseguia mais articular as jogadas. Giancarlo sumiu entre os zagueiros (Deivid e Anderson Salles), e Silvy e Jonathan, sem troca de posições pelos flancos, eram alvos fáceis da marcação esmeraldina. No meio, começou a sobressair a falta de qualidade no passe dos volantes, que não conseguiam fazer nada de diferente para deixar os companheiros na cara do gol.

No banco de reservas, Drubscky gritava, gesticulava, pulava, mas, nada fazia o time melhorar. Em 14 minutos, queimou as três substituições, colocando Henrique, Marcos Serrato e Michel Henrique, nas vagas de Recife, Felipe Alves e Giancarlo, respectivamente. Com as mudanças, Henrique foi para a ponta direita, recuando Jonathan para fazer o meio de campo com Serrato e Jataí.

As mudanças deram certo, e o time conseguiu ter toque de bola, envolvendo o Goiás por alguns instantes, com jogadas de ultrapassagem dos pontas e laterais pelos flancos. Aos 32, Bruno Costa chegou na linha de fundo pela esquerda, cruzou para Michel Henrique na área, que ajeitou para Jonathan chutar à esquerda de Ivan. Aos 34, a melhor chance do jogo. Depois de uma bela troca de passes no meio, Henrique chegou na linha de fundo pela direita e cruzou no segundo pau. Bruno Costa apareceu como homem surpresa, mas escorou mal de perna esquerda, mandando à direita do gol.

Todos esses lances animaram a torcida. Havia uma grande possibilidade de começar a Série B com uma vitória, em cima de uma equipe tradicional. Só que, em alguns momentos, o futebol é ingrato, e a camisa começa a pesar.

Ao ver Drubscky mexer no time, Enderson fez o mesmo. Sacou Wagner, Murilo e Rafhael Lucas, para as entradas de Daniel Carvalho, Patrick e Cléo. E foram justamente os três que mudaram a história do jogo.

Querendo a vitória por estar com o apoio da torcida, o Galo partiu para o ataque, deixando espaços na defesa. Aos 36, Hélder falhou no campo de defesa, a bola sobrou para Daniel Carvalho, que abriu na direita para Cléo, que foi ao fundo, e cruzou para o próprio camisa 10, que escorou para Wendel, quase na marca do pênalti, chutar no canto direito, e Glaysson fazer uma grande defesa.

Aos 41, o Goiás não perdoou as falhas do Tupi. Daniel Carvalho pegou a bola na direita, viu Cléo se posicionar entre os zagueiros carijó, e fez o cruzamento de perna esquerda. O camisa 18 foi mais rápido que Hélder na corrida e escorou de perna direita, em posição legal. A bola bateu no travessão. Só que o rebote sobrou para o próprio Cléo, que bateu no canto esquerdo do goleiro Glaysson, que já estava vendido no lance.

Nesse momento, alguns torcedores já começaram a deixar o Mário Helênio. Até que não perderam nada. O Tupi tentou, mas nenhum lance perigoso aconteceu até o apito final do árbitro, que às 23h20, deu fim à primeira partida da história do Tupi na Série B. Algumas vaias foram ouvidas, mas, muitos adeptos reconheceram o esforço do time, que acabou de ser montado nessa semana.

A próxima partida do Galo Carijó é complicadíssima. Enfrenta o Vasco, no próximo sábado, dia 21, às 16h, em São Januário.

Ficha técnica

Tupi: Glaysson, Filippe Formiga, Hélder, Heitor e Bruno Costa; Felipe Alves (Marcos Serrato), Recife (Henrique) e Rafael Jataí; Jonathan, Giancarlo (Michel Henrique) e Thiago Silvy; Técnico: Ricardo Drubscky

Goiás: Ivan, Sueliton, Deivid, Anderson Salles e Jefferson; Wendel, Willian, Léo Sena, Wagner (Daniel Carvalho) e Murilo (Patrick); Rafhael Lucas (Cléo); Técnico: Enderson Moreira

Arbitragem: Gleidson Santos Oliveira (BA), auxiliado por José Carlos Oliveira dos Santos (BA) e Paulo de Tarso Bregalda (BA).

Público: 1.841 presentes. 1444 pagantes

Renda: R$28.215,00


*Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

-

Daniel Carvalho faz a diferença, Cléo marca e Tupi é derrotado na estreia da Série B

Matheus Brum
Colaboração*
14/05/2016

Para quem gosta de frio, a noite estava agradável em Juiz de Fora. Mesmo com a mística de que sexta-feira 13, remete a acontecimentos ruins, havia um sentimento bom nas 1.841 pessoas presentes no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Afinal de contas, era a tão sonhada estreia do Tupi na Série B do Campeonato Brasileiro.

Às 21h20, Glaysson, Filippe Formiga, Hélder, Heitor, Bruno Costa, Felipe Alves, Recife, Rafael Jataí, Jonathan, Giancarlo e Thiago Silvy, escreveram seus nomes na história do clube. Ao saírem do vestiário e pisarem no gramado, se eternizaram como os primeiros jogadores disputando a Segunda Divisão pela centenária instituição.

Às 21h29, um minuto antes do horário oficial, a bola rolou no Mário Helênio. Começava então a primeira das 38 batalhas que o Tupi, próximo de completar 104 anos, teria que enfrentar. O primeiro tempo foi morno. Com um time muito mudado em relação ao Mineiro, era perceptível que os jogadores não se conheciam direito. Porém, do outro lado, o Goiás também não encaixava uma forma de jogo, principalmente por não conhecer muito o time Carijó.

Enderson Moreira colocou o Esmeraldino para fazer uma marcação sob pressão e de forma individualizada. A saída de bola do Tupi ficou comprometida em alguns momentos. Porém, boas jogadas saíam em uma jogada individual, ou falha do time visitante, através das pontas.

Jogando basicamente num 4-3-3, Drubscky pedia para que os volantes não ficassem fixos, e flutuassem pelo meio de campo, acionando Silvy pela direita, Jonathan pela esquerda e Giancarlo centralizado.

Essa mistura de troca de posições mais jogadas individuais levou a primeira grande chance do jogo, aos 33 minutos, quando Giancarlo deu uma "casquinha" na bola, Silvy arrancou pela esquerda, cortou para o meio e chutou no ângulo esquerdo de Ivan, que fez um grande defesa.

Do outro lado, o atual campeão goiano não conseguia encaixar a marcação, não tinha controle do meio de campo, totalmente dominado pela movimentação de Jataí, Felipe Alves e Recife, e abusava da ligação direta do campo de defesa para o centroavante Rafhael Lucas, preso entre os zagueiros alvinegros. Jogando no 4-1-4-1, no momento defensivo, o Tupi congestionava o meio, não dando brechas para toque de bola do adversário.

Às 22h16, terminou os primeiros 45 minutos do time de Santa Terezinha na Série B. Na arquibancada, os torcedores estavam felizes. Afinal, mesmo sendo uma partida truncada, quem buscou o jogo foi a equipe da casa.

Todavia, no segundo tempo, tudo foi diferente. Durante o intervalo, Enderson Moreira conseguiu arrumar todo o time goiano, abdicando da marcação sob pressão, de forma individualizada, e trabalhando com jogadores mais compactados, e um meio de campo com mais jogadores. Quando estava sem a bola, defendia no 4-4-1-1, deixando apenas dois jogadores na frente para puxar contra-ataque.

O time carijó sentiu essa mudança e não conseguia mais articular as jogadas. Giancarlo sumiu entre os zagueiros (Deivid e Anderson Salles), e Silvy e Jonathan, sem troca de posições pelos flancos, eram alvos fáceis da marcação esmeraldina. No meio, começou a sobressair a falta de qualidade no passe dos volantes, que não conseguiam fazer nada de diferente para deixar os companheiros na cara do gol.

No banco de reservas, Drubscky gritava, gesticulava, pulava, mas, nada fazia o time melhorar. Em 14 minutos, queimou as três substituições, colocando Henrique, Marcos Serrato e Michel Henrique, nas vagas de Recife, Felipe Alves e Giancarlo, respectivamente. Com as mudanças, Henrique foi para a ponta direita, recuando Jonathan para fazer o meio de campo com Serrato e Jataí.

As mudanças deram certo, e o time conseguiu ter toque de bola, envolvendo o Goiás por alguns instantes, com jogadas de ultrapassagem dos pontas e laterais pelos flancos. Aos 32, Bruno Costa chegou na linha de fundo pela esquerda, cruzou para Michel Henrique na área, que ajeitou para Jonathan chutar à esquerda de Ivan. Aos 34, a melhor chance do jogo. Depois de uma bela troca de passes no meio, Henrique chegou na linha de fundo pela direita e cruzou no segundo pau. Bruno Costa apareceu como homem surpresa, mas escorou mal de perna esquerda, mandando à direita do gol.

Todos esses lances animaram a torcida. Havia uma grande possibilidade de começar a Série B com uma vitória, em cima de uma equipe tradicional. Só que, em alguns momentos, o futebol é ingrato, e a camisa começa a pesar.

Ao ver Drubscky mexer no time, Enderson fez o mesmo. Sacou Wagner, Murilo e Rafhael Lucas, para as entradas de Daniel Carvalho, Patrick e Cléo. E foram justamente os três que mudaram a história do jogo.

Querendo a vitória por estar com o apoio da torcida, o Galo partiu para o ataque, deixando espaços na defesa. Aos 36, Hélder falhou no campo de defesa, a bola sobrou para Daniel Carvalho, que abriu na direita para Cléo, que foi ao fundo, e cruzou para o próprio camisa 10, que escorou para Wendel, quase na marca do pênalti, chutar no canto direito, e Glaysson fazer uma grande defesa.

Aos 41, o Goiás não perdoou as falhas do Tupi. Daniel Carvalho pegou a bola na direita, viu Cléo se posicionar entre os zagueiros carijó, e fez o cruzamento de perna esquerda. O camisa 18 foi mais rápido que Hélder na corrida e escorou de perna direita, em posição legal. A bola bateu no travessão. Só que o rebote sobrou para o próprio Cléo, que bateu no canto esquerdo do goleiro Glaysson, que já estava vendido no lance.

Nesse momento, alguns torcedores já começaram a deixar o Mário Helênio. Até que não perderam nada. O Tupi tentou, mas nenhum lance perigoso aconteceu até o apito final do árbitro, que às 23h20, deu fim à primeira partida da história do Tupi na Série B. Algumas vaias foram ouvidas, mas, muitos adeptos reconheceram o esforço do time, que acabou de ser montado nessa semana.

A próxima partida do Galo Carijó é complicadíssima. Enfrenta o Vasco, no próximo sábado, dia 21, às 16h, em São Januário.

Ficha técnica

Tupi: Glaysson, Filippe Formiga, Hélder, Heitor e Bruno Costa; Felipe Alves (Marcos Serrato), Recife (Henrique) e Rafael Jataí; Jonathan, Giancarlo (Michel Henrique) e Thiago Silvy; Técnico: Ricardo Drubscky

Goiás: Ivan, Sueliton, Deivid, Anderson Salles e Jefferson; Wendel, Willian, Léo Sena, Wagner (Daniel Carvalho) e Murilo (Patrick); Rafhael Lucas (Cléo); Técnico: Enderson Moreira

Arbitragem: Gleidson Santos Oliveira (BA), auxiliado por José Carlos Oliveira dos Santos (BA) e Paulo de Tarso Bregalda (BA).

Público: 1.841 presentes. 1444 pagantes

Renda: R$28.215,00


*Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

Daniel Carvalho faz a diferença, Cléo marca e Tupi é derrotado na estreia da Série B

Matheus Brum
Colaboração*
14/05/2016

Para quem gosta de frio, a noite estava agradável em Juiz de Fora. Mesmo com a mística de que sexta-feira 13, remete a acontecimentos ruins, havia um sentimento bom nas 1.841 pessoas presentes no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Afinal de contas, era a tão sonhada estreia do Tupi na Série B do Campeonato Brasileiro.

Às 21h20, Glaysson, Filippe Formiga, Hélder, Heitor, Bruno Costa, Felipe Alves, Recife, Rafael Jataí, Jonathan, Giancarlo e Thiago Silvy, escreveram seus nomes na história do clube. Ao saírem do vestiário e pisarem no gramado, se eternizaram como os primeiros jogadores disputando a Segunda Divisão pela centenária instituição.

Às 21h29, um minuto antes do horário oficial, a bola rolou no Mário Helênio. Começava então a primeira das 38 batalhas que o Tupi, próximo de completar 104 anos, teria que enfrentar. O primeiro tempo foi morno. Com um time muito mudado em relação ao Mineiro, era perceptível que os jogadores não se conheciam direito. Porém, do outro lado, o Goiás também não encaixava uma forma de jogo, principalmente por não conhecer muito o time Carijó.

Enderson Moreira colocou o Esmeraldino para fazer uma marcação sob pressão e de forma individualizada. A saída de bola do Tupi ficou comprometida em alguns momentos. Porém, boas jogadas saíam em uma jogada individual, ou falha do time visitante, através das pontas.

Jogando basicamente num 4-3-3, Drubscky pedia para que os volantes não ficassem fixos, e flutuassem pelo meio de campo, acionando Silvy pela direita, Jonathan pela esquerda e Giancarlo centralizado.

Essa mistura de troca de posições mais jogadas individuais levou a primeira grande chance do jogo, aos 33 minutos, quando Giancarlo deu uma "casquinha" na bola, Silvy arrancou pela esquerda, cortou para o meio e chutou no ângulo esquerdo de Ivan, que fez um grande defesa.

Do outro lado, o atual campeão goiano não conseguia encaixar a marcação, não tinha controle do meio de campo, totalmente dominado pela movimentação de Jataí, Felipe Alves e Recife, e abusava da ligação direta do campo de defesa para o centroavante Rafhael Lucas, preso entre os zagueiros alvinegros. Jogando no 4-1-4-1, no momento defensivo, o Tupi congestionava o meio, não dando brechas para toque de bola do adversário.

Às 22h16, terminou os primeiros 45 minutos do time de Santa Terezinha na Série B. Na arquibancada, os torcedores estavam felizes. Afinal, mesmo sendo uma partida truncada, quem buscou o jogo foi a equipe da casa.

Todavia, no segundo tempo, tudo foi diferente. Durante o intervalo, Enderson Moreira conseguiu arrumar todo o time goiano, abdicando da marcação sob pressão, de forma individualizada, e trabalhando com jogadores mais compactados, e um meio de campo com mais jogadores. Quando estava sem a bola, defendia no 4-4-1-1, deixando apenas dois jogadores na frente para puxar contra-ataque.

O time carijó sentiu essa mudança e não conseguia mais articular as jogadas. Giancarlo sumiu entre os zagueiros (Deivid e Anderson Salles), e Silvy e Jonathan, sem troca de posições pelos flancos, eram alvos fáceis da marcação esmeraldina. No meio, começou a sobressair a falta de qualidade no passe dos volantes, que não conseguiam fazer nada de diferente para deixar os companheiros na cara do gol.

No banco de reservas, Drubscky gritava, gesticulava, pulava, mas, nada fazia o time melhorar. Em 14 minutos, queimou as três substituições, colocando Henrique, Marcos Serrato e Michel Henrique, nas vagas de Recife, Felipe Alves e Giancarlo, respectivamente. Com as mudanças, Henrique foi para a ponta direita, recuando Jonathan para fazer o meio de campo com Serrato e Jataí.

As mudanças deram certo, e o time conseguiu ter toque de bola, envolvendo o Goiás por alguns instantes, com jogadas de ultrapassagem dos pontas e laterais pelos flancos. Aos 32, Bruno Costa chegou na linha de fundo pela esquerda, cruzou para Michel Henrique na área, que ajeitou para Jonathan chutar à esquerda de Ivan. Aos 34, a melhor chance do jogo. Depois de uma bela troca de passes no meio, Henrique chegou na linha de fundo pela direita e cruzou no segundo pau. Bruno Costa apareceu como homem surpresa, mas escorou mal de perna esquerda, mandando à direita do gol.

Todos esses lances animaram a torcida. Havia uma grande possibilidade de começar a Série B com uma vitória, em cima de uma equipe tradicional. Só que, em alguns momentos, o futebol é ingrato, e a camisa começa a pesar.

Ao ver Drubscky mexer no time, Enderson fez o mesmo. Sacou Wagner, Murilo e Rafhael Lucas, para as entradas de Daniel Carvalho, Patrick e Cléo. E foram justamente os três que mudaram a história do jogo.

Querendo a vitória por estar com o apoio da torcida, o Galo partiu para o ataque, deixando espaços na defesa. Aos 36, Hélder falhou no campo de defesa, a bola sobrou para Daniel Carvalho, que abriu na direita para Cléo, que foi ao fundo, e cruzou para o próprio camisa 10, que escorou para Wendel, quase na marca do pênalti, chutar no canto direito, e Glaysson fazer uma grande defesa.

Aos 41, o Goiás não perdoou as falhas do Tupi. Daniel Carvalho pegou a bola na direita, viu Cléo se posicionar entre os zagueiros carijó, e fez o cruzamento de perna esquerda. O camisa 18 foi mais rápido que Hélder na corrida e escorou de perna direita, em posição legal. A bola bateu no travessão. Só que o rebote sobrou para o próprio Cléo, que bateu no canto esquerdo do goleiro Glaysson, que já estava vendido no lance.

Nesse momento, alguns torcedores já começaram a deixar o Mário Helênio. Até que não perderam nada. O Tupi tentou, mas nenhum lance perigoso aconteceu até o apito final do árbitro, que às 23h20, deu fim à primeira partida da história do Tupi na Série B. Algumas vaias foram ouvidas, mas, muitos adeptos reconheceram o esforço do time, que acabou de ser montado nessa semana.

A próxima partida do Galo Carijó é complicadíssima. Enfrenta o Vasco, no próximo sábado, dia 21, às 16h, em São Januário.

Ficha técnica

Tupi: Glaysson, Filippe Formiga, Hélder, Heitor e Bruno Costa; Felipe Alves (Marcos Serrato), Recife (Henrique) e Rafael Jataí; Jonathan, Giancarlo (Michel Henrique) e Thiago Silvy; Técnico: Ricardo Drubscky

Goiás: Ivan, Sueliton, Deivid, Anderson Salles e Jefferson; Wendel, Willian, Léo Sena, Wagner (Daniel Carvalho) e Murilo (Patrick); Rafhael Lucas (Cléo); Técnico: Enderson Moreira

Arbitragem: Gleidson Santos Oliveira (BA), auxiliado por José Carlos Oliveira dos Santos (BA) e Paulo de Tarso Bregalda (BA).

Público: 1.841 presentes. 1444 pagantes

Renda: R$28.215,00


*Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com