Matheus Brum Matheus Brum 17/05/2016


De Juiz de Fora para o Mundo: conheça a trajetória de Léo Santana, destaque no futsal europeu 

São 14 mil quilômetros separando Juiz de Fora, da Sibéria, na Rússia. Mas, para um atleta que deseja fazer história, essas distâncias são normais. Nascido e criado na "Princesinha de Minas", resolveu sair cedo e se aventurar no Leste Europeu. A primeira parada foi no Cazaquistão, onde fez história, vencendo a UEFA Champions League de Futsal. A segunda parada é na Rússia, em um dos locais mais frios do planeta, que tenta esquentar com toda a ginga e habilidade do futsal brasileiro. Em um bate papo exclusivo com o Portal Acessa, através do Skype, por conta das nove horas de fuso horário, Léo Santana conta sobre seu início na cidade, a glória no Kairat-CAZ, e os desafios na gélida Rússia.

Matheus Brum: Faça uma breve apresentação sobre você

Léo Santana: Meu nome é Leonardo Santana, sou natural de Juiz de Fora, tenho 28 anos, 1m73cm e comecei nas categorias de base do Sport com 8 anos. Fiquei até os 18, jogando futsal e intercalando com futebol de campo. Joguei um tempo no Tupi também.

MB: Como foi o período de profissionalização? Você tinha alguma preferência entre quadra e campo?

LS: Acho que todo brasileiro tem o sonho de ser um jogador de futebol, eu tinha também. Mas, desde novo, o futsal sempre foi mais fácil de jogar. E na quadra eu sentia mais a vontade do que no campo. Teve uma hora que eu tive que fazer uma escolha, e escolhi o futsal.

MB: E qual posição você atua hoje?

LS: O futsal hoje está um esporte muito dinâmico. Faço três funções. Jogo de fixo e costumo fazer as duas alas. É difícil achar um jogador que faz uma função fixa, por causa do jogo dinâmico.

MB: E desde criança você gostava de jogar nessas funções? Ou houve alguma mudança por causa de treinador?

LS: Na verdade, eu comecei a fazer essas funções aqui na Rússia. Antes de chegar ao profissional, no Sport, eu jogava de pivô. Gostava de ficar na frente, fazendo gols. Depois tive uma passagem no Kairat, no Cazaquistão que jogava só de ala. E aqui [no Sibiryak-RUS] já estou fazendo outras funções. Acho que a probabilidade é que daqui uns anos apareça outras funções para mim. Vai ficar faltando só jogar de goleiro (risos).

MB: Como foi sua saída de Juiz de Fora?

LS: Antes de sair de Juiz de Fora, na Associação Atlética Banco do Brasil, AABB, teve início um projeto da Lei de Incentivo ao Esporte, e foi com ele que me profissionalizei, porque davam uma ajuda de custo e de estudos. Fiquei seis meses jogando na AABB. Depois desse tempo recebi uma proposta do Praia Clube, de Uberlândia, que é uma equipe que joga a Liga Futsal, principal campeonato nacional da categoria. Cheguei no Praia com 19 para 20 anos.

MB: Como foi essa passagem no Praia Clube?

LS: No início, foi muito difícil, porque eles queriam um contrato de só 3 meses, e eu não ia jogar a Liga. E o meu sonho era jogar a Liga. Mas, acreditei que eu ia fazer esses três meses bem, para eles aumentarem meu tempo de contrato e no ano seguinte jogar a Liga. E foi isso que aconteceu. E o mais engraçado é que eu não consegui jogar a Liga toda, mesmo sendo meu sonho. Com quatro meses, recebi uma proposta para ir para fora do país, e eu aceitei de cara.

MB: Para onde você foi depois do Uberlândia?

LS: Em 2010 comecei minha carreira para fora do Brasil. Fui para o Kairat, do Cazaquistão. O treinador da equipe (João Carlos Barbosa) estava de férias no Brasil, vendo os jogos da Liga Futsal. Ele me viu, gostou de mim, fez uma proposta, e de cara eu aceitei. Na época era uma proposta muito boa, porque o futsal brasileiro não era tão valorizado. Mesmo sendo novo e não tendo jogado a Liga, que era o meu sonho, senti que era para ir embora.

MB: Como foi esse período de adaptação no Cazaquistão?

LS: Então, foi meio complicado. O pior para mim foi a língua, porque eu era novo, e no esporte e na vida pessoal, precisa muito da comunicação, principalmente dentro de quadra. Você precisa se comunicar com seu companheiro, e as vezes, no começo, era complicado. Lidar com o frio foi tranquilo, assim como a distância da família e dos amigos. Cheguei a estudar, fiz algumas aulas de russo, junto com outros brasileiros. Logo depois as coisas foram melhorando.

MB: Tinham outros brasileiros no elenco?

LS: O fator principal para eu ter me adaptado ao futsal europeu foi ter muitos brasileiros no elenco (nove jogadores mais toda comissão técnica). Isso me ajudou muito, tanto nos treinos quanto fora dele. Como muitos tinham família, rolava reunião, e isso ajudava a matar a saudade. O Kairat é um clube com tradição de ter muitos brasileiros.

MB: Como foi seu período no Kairat? Quais suas principais conquistas?

LS: Eu tive uma passagem muito boa. Era para ter ficado 5 anos, mas fiquei 3 anos e meio. É um clube que gosto muito. Tenho um carinho muito grande por eles, e eles por mim. Tenho até uma certa vontade de voltar a jogar lá. Nesse período a gente conquistou o título mais importante da história do clube e do país. Ganhamos a UEFAChampios League de Futsal, em 2013. Foi a primeira vez que o país Cazaquistão venceu um título europeu coletivo. Pra mi , ser campeão europeu foi mágico, histórico. Além desse título, na passagem venci três vezes o Campeonato Nacional e as Copas do Cazaquistão.

MB: E nessas conquistas todas, qual era o seu papel no time?

LS: No futsal é difícil você falar de titular, porque é um esporte muito dinâmico. Hoje, quem está melhor fisicamente conquista campeonatos. Na minha época, sempre jogava muito tempo. Acho que posso dizer que era uma referência no time, tanto que no título da UEFA, fui artilheiro da fase final.

MB: Conte um pouco mais sobre a conquista da UEFA

LS: Foi muito especial. Quando chegamos nas semifinais, enfrentamos o Barcelona, que era considerado um dos melhores times do mundo no futsal. E nós vencemos eles, que eram os atuais campeões europeus, por 5-4. Na final, jogamos contra o Dínamo Moscou-RUS, também um dos mais tradicionais do futsal europeu e ganhamos por 4 a 3.

MB: Mesmo com essas conquistas, nunca foi procurado pela Seleção Brasileira?

LS: Nunca fui procurado não. Tive uma passagem muito curta no Brasil e depois fui para o Cazaquistão.Até ganharmos a UEFA não éramos tão conhecidos. Já tive sondagens, mas nada de concreto.

MB: E é um sonho que você tem?

LS: Todo jogador tem o sonho de defender o seu país, mas não é algo que me tira o sono não. Tenho mais preocupação com o meu futuro, de ir para clubes com estruturas melhores, do que ser convocado para a Seleção Brasileira.

MB: E quando foi para a Rússia?

LS: A conquista da Champions deu uma visibilidade enorme. Tanto que dos nove brasileiros que tinha no Kairat, seis se transferiram. E foi o que aconteceu comigo. Seis meses depois do título recebi a proposta aqui da Russia (Sibiryak), e cá estou há dois anos e meio

MB: E como foi largar um clube que era referência para enfrentar outros desafios? Qual foi sua motivação?

LS: O que me motivou foi o campeonato russo forte. É um campeonato que é bem visto pelo mundo, difícil de entrar e com competitividade muito forte. No Kairat eu tinha uma zona de conforto muito grande, poderia estar até hoje lá. E quando tive a proposta para cá, eu precisava disso, de um algo a mais, de uma novidade, um nível de competitividade maior.

MB: Você venceu a Champions 2012/2013, já na temporada 2014/2015, o Kairash voltou a se sagrar campeão europeu. Como foi acompanhar essa conquista de longe? Bateu vontade de estar lá?

LS: Sim, com certeza. Na época da conquista até estava conversando com os brasileiros do elenco e disse que eles deviam dividir o prêmio do título comigo, porque participei de quase 50% da campanha (risos). Mas é uma satisfação muito grande ver um clube que tive uma passagem muito boa crescendo, melhorando sua estrutura. É gratificante saber que fiz parte dessa história. Sempre vou estar torcendo por eles.

MB: E o clube que está hoje? Quais suas conquistas?

LS: Então, estou no Sibiryak há dois anos e meio. O campeonato russo é muito forte, inclusive estamos nas semifinais da Liga. Até hoje o que eu conquistei foram dois bronzes da Liga e o vice-campeonato da Copa. Estou a procura do primeiro título aqui. Quem sabe não vem esse da Liga, porque assim eu posso voltar a disputar a Champions, já que só os vencedores dos campeonatos nacionais conseguem vaga. Esse ano temos mais chances porque o atual vencedor da UEFA foi o Gazprom Ugra-RUS, e eles são um sério candidato a chegar à final da Liga. Então, o time que chegar com eles já tem vaga garantida.

MB: Como foi essa final da Copa da Rússia?

LS: O sistema da Copa da Rússia é parecido com o da Copa do Brasil de Futebol. São dois jogos, dia e volta, com o gol fora sendo critério de desempate. Na final, jogamos contra o Gazprom Ugra e perdemos as duas partidas (9 a 1 e 3 a 1).

MB: Qual a fórmula de disputa da Liga?

LS: São 14 times na fase inicial, e classificam os oito melhores para o mata a mata. O sistema de disputa é playoffs, melhor de cinco. Nas quartas de final, enfrentamos o KPRF e  vencemos as três primeiras partidas, matando o confronto em 3 a 0. As semifinais começam dia 19 de maio, contra o Dínamo de Moscou.

MB: Quais são seus planos para o futuro?

LS: Eu quero ficar por aqui mais tempo. O Campeonato Russo é um dos mais fortes do mundo. Pretendo ficar aqui por bastante tempo, fazendo história como fiz no Cazaquistão.

MB: Tem saudades de Juiz de Fora? Como vê o cenário do esporte na cidade?

LS: Tenho uma saudade muito grande, gosto muito da cidade, sempre que posso vou aí. Costumo falar para todo mundo que eu conheço que Juiz de Fora tem um material humano muito forte. Tem atletas na cidade, especificamente no futsal, que poderiam estar jogando em qualquer lugar no mundo. Não sei o que falta para fazer os atletas despontarem. Talvez seja estrutura ou investimento. Não sei.


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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Matheus Brum Matheus Brum 17/05/2016


De Juiz de Fora para o Mundo: conheça a trajetória de Léo Santana, destaque no futsal europeu 

São 14 mil quilômetros separando Juiz de Fora, da Sibéria, na Rússia. Mas, para um atleta que deseja fazer história, essas distâncias são normais. Nascido e criado na "Princesinha de Minas", resolveu sair cedo e se aventurar no Leste Europeu. A primeira parada foi no Cazaquistão, onde fez história, vencendo a UEFA Champions League de Futsal. A segunda parada é na Rússia, em um dos locais mais frios do planeta, que tenta esquentar com toda a ginga e habilidade do futsal brasileiro. Em um bate papo exclusivo com o Portal Acessa, através do Skype, por conta das nove horas de fuso horário, Léo Santana conta sobre seu início na cidade, a glória no Kairat-CAZ, e os desafios na gélida Rússia.

Matheus Brum: Faça uma breve apresentação sobre você

Léo Santana: Meu nome é Leonardo Santana, sou natural de Juiz de Fora, tenho 28 anos, 1m73cm e comecei nas categorias de base do Sport com 8 anos. Fiquei até os 18, jogando futsal e intercalando com futebol de campo. Joguei um tempo no Tupi também.

MB: Como foi o período de profissionalização? Você tinha alguma preferência entre quadra e campo?

LS: Acho que todo brasileiro tem o sonho de ser um jogador de futebol, eu tinha também. Mas, desde novo, o futsal sempre foi mais fácil de jogar. E na quadra eu sentia mais a vontade do que no campo. Teve uma hora que eu tive que fazer uma escolha, e escolhi o futsal.

MB: E qual posição você atua hoje?

LS: O futsal hoje está um esporte muito dinâmico. Faço três funções. Jogo de fixo e costumo fazer as duas alas. É difícil achar um jogador que faz uma função fixa, por causa do jogo dinâmico.

MB: E desde criança você gostava de jogar nessas funções? Ou houve alguma mudança por causa de treinador?

LS: Na verdade, eu comecei a fazer essas funções aqui na Rússia. Antes de chegar ao profissional, no Sport, eu jogava de pivô. Gostava de ficar na frente, fazendo gols. Depois tive uma passagem no Kairat, no Cazaquistão que jogava só de ala. E aqui [no Sibiryak-RUS] já estou fazendo outras funções. Acho que a probabilidade é que daqui uns anos apareça outras funções para mim. Vai ficar faltando só jogar de goleiro (risos).

MB: Como foi sua saída de Juiz de Fora?

LS: Antes de sair de Juiz de Fora, na Associação Atlética Banco do Brasil, AABB, teve início um projeto da Lei de Incentivo ao Esporte, e foi com ele que me profissionalizei, porque davam uma ajuda de custo e de estudos. Fiquei seis meses jogando na AABB. Depois desse tempo recebi uma proposta do Praia Clube, de Uberlândia, que é uma equipe que joga a Liga Futsal, principal campeonato nacional da categoria. Cheguei no Praia com 19 para 20 anos.

MB: Como foi essa passagem no Praia Clube?

LS: No início, foi muito difícil, porque eles queriam um contrato de só 3 meses, e eu não ia jogar a Liga. E o meu sonho era jogar a Liga. Mas, acreditei que eu ia fazer esses três meses bem, para eles aumentarem meu tempo de contrato e no ano seguinte jogar a Liga. E foi isso que aconteceu. E o mais engraçado é que eu não consegui jogar a Liga toda, mesmo sendo meu sonho. Com quatro meses, recebi uma proposta para ir para fora do país, e eu aceitei de cara.

MB: Para onde você foi depois do Uberlândia?

LS: Em 2010 comecei minha carreira para fora do Brasil. Fui para o Kairat, do Cazaquistão. O treinador da equipe (João Carlos Barbosa) estava de férias no Brasil, vendo os jogos da Liga Futsal. Ele me viu, gostou de mim, fez uma proposta, e de cara eu aceitei. Na época era uma proposta muito boa, porque o futsal brasileiro não era tão valorizado. Mesmo sendo novo e não tendo jogado a Liga, que era o meu sonho, senti que era para ir embora.

MB: Como foi esse período de adaptação no Cazaquistão?

LS: Então, foi meio complicado. O pior para mim foi a língua, porque eu era novo, e no esporte e na vida pessoal, precisa muito da comunicação, principalmente dentro de quadra. Você precisa se comunicar com seu companheiro, e as vezes, no começo, era complicado. Lidar com o frio foi tranquilo, assim como a distância da família e dos amigos. Cheguei a estudar, fiz algumas aulas de russo, junto com outros brasileiros. Logo depois as coisas foram melhorando.

MB: Tinham outros brasileiros no elenco?

LS: O fator principal para eu ter me adaptado ao futsal europeu foi ter muitos brasileiros no elenco (nove jogadores mais toda comissão técnica). Isso me ajudou muito, tanto nos treinos quanto fora dele. Como muitos tinham família, rolava reunião, e isso ajudava a matar a saudade. O Kairat é um clube com tradição de ter muitos brasileiros.

MB: Como foi seu período no Kairat? Quais suas principais conquistas?

LS: Eu tive uma passagem muito boa. Era para ter ficado 5 anos, mas fiquei 3 anos e meio. É um clube que gosto muito. Tenho um carinho muito grande por eles, e eles por mim. Tenho até uma certa vontade de voltar a jogar lá. Nesse período a gente conquistou o título mais importante da história do clube e do país. Ganhamos a UEFAChampios League de Futsal, em 2013. Foi a primeira vez que o país Cazaquistão venceu um título europeu coletivo. Pra mi , ser campeão europeu foi mágico, histórico. Além desse título, na passagem venci três vezes o Campeonato Nacional e as Copas do Cazaquistão.

MB: E nessas conquistas todas, qual era o seu papel no time?

LS: No futsal é difícil você falar de titular, porque é um esporte muito dinâmico. Hoje, quem está melhor fisicamente conquista campeonatos. Na minha época, sempre jogava muito tempo. Acho que posso dizer que era uma referência no time, tanto que no título da UEFA, fui artilheiro da fase final.

MB: Conte um pouco mais sobre a conquista da UEFA

LS: Foi muito especial. Quando chegamos nas semifinais, enfrentamos o Barcelona, que era considerado um dos melhores times do mundo no futsal. E nós vencemos eles, que eram os atuais campeões europeus, por 5-4. Na final, jogamos contra o Dínamo Moscou-RUS, também um dos mais tradicionais do futsal europeu e ganhamos por 4 a 3.

MB: Mesmo com essas conquistas, nunca foi procurado pela Seleção Brasileira?

LS: Nunca fui procurado não. Tive uma passagem muito curta no Brasil e depois fui para o Cazaquistão.Até ganharmos a UEFA não éramos tão conhecidos. Já tive sondagens, mas nada de concreto.

MB: E é um sonho que você tem?

LS: Todo jogador tem o sonho de defender o seu país, mas não é algo que me tira o sono não. Tenho mais preocupação com o meu futuro, de ir para clubes com estruturas melhores, do que ser convocado para a Seleção Brasileira.

MB: E quando foi para a Rússia?

LS: A conquista da Champions deu uma visibilidade enorme. Tanto que dos nove brasileiros que tinha no Kairat, seis se transferiram. E foi o que aconteceu comigo. Seis meses depois do título recebi a proposta aqui da Russia (Sibiryak), e cá estou há dois anos e meio

MB: E como foi largar um clube que era referência para enfrentar outros desafios? Qual foi sua motivação?

LS: O que me motivou foi o campeonato russo forte. É um campeonato que é bem visto pelo mundo, difícil de entrar e com competitividade muito forte. No Kairat eu tinha uma zona de conforto muito grande, poderia estar até hoje lá. E quando tive a proposta para cá, eu precisava disso, de um algo a mais, de uma novidade, um nível de competitividade maior.

MB: Você venceu a Champions 2012/2013, já na temporada 2014/2015, o Kairash voltou a se sagrar campeão europeu. Como foi acompanhar essa conquista de longe? Bateu vontade de estar lá?

LS: Sim, com certeza. Na época da conquista até estava conversando com os brasileiros do elenco e disse que eles deviam dividir o prêmio do título comigo, porque participei de quase 50% da campanha (risos). Mas é uma satisfação muito grande ver um clube que tive uma passagem muito boa crescendo, melhorando sua estrutura. É gratificante saber que fiz parte dessa história. Sempre vou estar torcendo por eles.

MB: E o clube que está hoje? Quais suas conquistas?

LS: Então, estou no Sibiryak há dois anos e meio. O campeonato russo é muito forte, inclusive estamos nas semifinais da Liga. Até hoje o que eu conquistei foram dois bronzes da Liga e o vice-campeonato da Copa. Estou a procura do primeiro título aqui. Quem sabe não vem esse da Liga, porque assim eu posso voltar a disputar a Champions, já que só os vencedores dos campeonatos nacionais conseguem vaga. Esse ano temos mais chances porque o atual vencedor da UEFA foi o Gazprom Ugra-RUS, e eles são um sério candidato a chegar à final da Liga. Então, o time que chegar com eles já tem vaga garantida.

MB: Como foi essa final da Copa da Rússia?

LS: O sistema da Copa da Rússia é parecido com o da Copa do Brasil de Futebol. São dois jogos, dia e volta, com o gol fora sendo critério de desempate. Na final, jogamos contra o Gazprom Ugra e perdemos as duas partidas (9 a 1 e 3 a 1).

MB: Qual a fórmula de disputa da Liga?

LS: São 14 times na fase inicial, e classificam os oito melhores para o mata a mata. O sistema de disputa é playoffs, melhor de cinco. Nas quartas de final, enfrentamos o KPRF e  vencemos as três primeiras partidas, matando o confronto em 3 a 0. As semifinais começam dia 19 de maio, contra o Dínamo de Moscou.

MB: Quais são seus planos para o futuro?

LS: Eu quero ficar por aqui mais tempo. O Campeonato Russo é um dos mais fortes do mundo. Pretendo ficar aqui por bastante tempo, fazendo história como fiz no Cazaquistão.

MB: Tem saudades de Juiz de Fora? Como vê o cenário do esporte na cidade?

LS: Tenho uma saudade muito grande, gosto muito da cidade, sempre que posso vou aí. Costumo falar para todo mundo que eu conheço que Juiz de Fora tem um material humano muito forte. Tem atletas na cidade, especificamente no futsal, que poderiam estar jogando em qualquer lugar no mundo. Não sei o que falta para fazer os atletas despontarem. Talvez seja estrutura ou investimento. Não sei.


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

Matheus Brum Matheus Brum 17/05/2016


De Juiz de Fora para o Mundo: conheça a trajetória de Léo Santana, destaque no futsal europeu 

São 14 mil quilômetros separando Juiz de Fora, da Sibéria, na Rússia. Mas, para um atleta que deseja fazer história, essas distâncias são normais. Nascido e criado na "Princesinha de Minas", resolveu sair cedo e se aventurar no Leste Europeu. A primeira parada foi no Cazaquistão, onde fez história, vencendo a UEFA Champions League de Futsal. A segunda parada é na Rússia, em um dos locais mais frios do planeta, que tenta esquentar com toda a ginga e habilidade do futsal brasileiro. Em um bate papo exclusivo com o Portal Acessa, através do Skype, por conta das nove horas de fuso horário, Léo Santana conta sobre seu início na cidade, a glória no Kairat-CAZ, e os desafios na gélida Rússia.

Matheus Brum: Faça uma breve apresentação sobre você

Léo Santana: Meu nome é Leonardo Santana, sou natural de Juiz de Fora, tenho 28 anos, 1m73cm e comecei nas categorias de base do Sport com 8 anos. Fiquei até os 18, jogando futsal e intercalando com futebol de campo. Joguei um tempo no Tupi também.

MB: Como foi o período de profissionalização? Você tinha alguma preferência entre quadra e campo?

LS: Acho que todo brasileiro tem o sonho de ser um jogador de futebol, eu tinha também. Mas, desde novo, o futsal sempre foi mais fácil de jogar. E na quadra eu sentia mais a vontade do que no campo. Teve uma hora que eu tive que fazer uma escolha, e escolhi o futsal.

MB: E qual posição você atua hoje?

LS: O futsal hoje está um esporte muito dinâmico. Faço três funções. Jogo de fixo e costumo fazer as duas alas. É difícil achar um jogador que faz uma função fixa, por causa do jogo dinâmico.

MB: E desde criança você gostava de jogar nessas funções? Ou houve alguma mudança por causa de treinador?

LS: Na verdade, eu comecei a fazer essas funções aqui na Rússia. Antes de chegar ao profissional, no Sport, eu jogava de pivô. Gostava de ficar na frente, fazendo gols. Depois tive uma passagem no Kairat, no Cazaquistão que jogava só de ala. E aqui [no Sibiryak-RUS] já estou fazendo outras funções. Acho que a probabilidade é que daqui uns anos apareça outras funções para mim. Vai ficar faltando só jogar de goleiro (risos).

MB: Como foi sua saída de Juiz de Fora?

LS: Antes de sair de Juiz de Fora, na Associação Atlética Banco do Brasil, AABB, teve início um projeto da Lei de Incentivo ao Esporte, e foi com ele que me profissionalizei, porque davam uma ajuda de custo e de estudos. Fiquei seis meses jogando na AABB. Depois desse tempo recebi uma proposta do Praia Clube, de Uberlândia, que é uma equipe que joga a Liga Futsal, principal campeonato nacional da categoria. Cheguei no Praia com 19 para 20 anos.

MB: Como foi essa passagem no Praia Clube?

LS: No início, foi muito difícil, porque eles queriam um contrato de só 3 meses, e eu não ia jogar a Liga. E o meu sonho era jogar a Liga. Mas, acreditei que eu ia fazer esses três meses bem, para eles aumentarem meu tempo de contrato e no ano seguinte jogar a Liga. E foi isso que aconteceu. E o mais engraçado é que eu não consegui jogar a Liga toda, mesmo sendo meu sonho. Com quatro meses, recebi uma proposta para ir para fora do país, e eu aceitei de cara.

MB: Para onde você foi depois do Uberlândia?

LS: Em 2010 comecei minha carreira para fora do Brasil. Fui para o Kairat, do Cazaquistão. O treinador da equipe (João Carlos Barbosa) estava de férias no Brasil, vendo os jogos da Liga Futsal. Ele me viu, gostou de mim, fez uma proposta, e de cara eu aceitei. Na época era uma proposta muito boa, porque o futsal brasileiro não era tão valorizado. Mesmo sendo novo e não tendo jogado a Liga, que era o meu sonho, senti que era para ir embora.

MB: Como foi esse período de adaptação no Cazaquistão?

LS: Então, foi meio complicado. O pior para mim foi a língua, porque eu era novo, e no esporte e na vida pessoal, precisa muito da comunicação, principalmente dentro de quadra. Você precisa se comunicar com seu companheiro, e as vezes, no começo, era complicado. Lidar com o frio foi tranquilo, assim como a distância da família e dos amigos. Cheguei a estudar, fiz algumas aulas de russo, junto com outros brasileiros. Logo depois as coisas foram melhorando.

MB: Tinham outros brasileiros no elenco?

LS: O fator principal para eu ter me adaptado ao futsal europeu foi ter muitos brasileiros no elenco (nove jogadores mais toda comissão técnica). Isso me ajudou muito, tanto nos treinos quanto fora dele. Como muitos tinham família, rolava reunião, e isso ajudava a matar a saudade. O Kairat é um clube com tradição de ter muitos brasileiros.

MB: Como foi seu período no Kairat? Quais suas principais conquistas?

LS: Eu tive uma passagem muito boa. Era para ter ficado 5 anos, mas fiquei 3 anos e meio. É um clube que gosto muito. Tenho um carinho muito grande por eles, e eles por mim. Tenho até uma certa vontade de voltar a jogar lá. Nesse período a gente conquistou o título mais importante da história do clube e do país. Ganhamos a UEFAChampios League de Futsal, em 2013. Foi a primeira vez que o país Cazaquistão venceu um título europeu coletivo. Pra mi , ser campeão europeu foi mágico, histórico. Além desse título, na passagem venci três vezes o Campeonato Nacional e as Copas do Cazaquistão.

MB: E nessas conquistas todas, qual era o seu papel no time?

LS: No futsal é difícil você falar de titular, porque é um esporte muito dinâmico. Hoje, quem está melhor fisicamente conquista campeonatos. Na minha época, sempre jogava muito tempo. Acho que posso dizer que era uma referência no time, tanto que no título da UEFA, fui artilheiro da fase final.

MB: Conte um pouco mais sobre a conquista da UEFA

LS: Foi muito especial. Quando chegamos nas semifinais, enfrentamos o Barcelona, que era considerado um dos melhores times do mundo no futsal. E nós vencemos eles, que eram os atuais campeões europeus, por 5-4. Na final, jogamos contra o Dínamo Moscou-RUS, também um dos mais tradicionais do futsal europeu e ganhamos por 4 a 3.

MB: Mesmo com essas conquistas, nunca foi procurado pela Seleção Brasileira?

LS: Nunca fui procurado não. Tive uma passagem muito curta no Brasil e depois fui para o Cazaquistão.Até ganharmos a UEFA não éramos tão conhecidos. Já tive sondagens, mas nada de concreto.

MB: E é um sonho que você tem?

LS: Todo jogador tem o sonho de defender o seu país, mas não é algo que me tira o sono não. Tenho mais preocupação com o meu futuro, de ir para clubes com estruturas melhores, do que ser convocado para a Seleção Brasileira.

MB: E quando foi para a Rússia?

LS: A conquista da Champions deu uma visibilidade enorme. Tanto que dos nove brasileiros que tinha no Kairat, seis se transferiram. E foi o que aconteceu comigo. Seis meses depois do título recebi a proposta aqui da Russia (Sibiryak), e cá estou há dois anos e meio

MB: E como foi largar um clube que era referência para enfrentar outros desafios? Qual foi sua motivação?

LS: O que me motivou foi o campeonato russo forte. É um campeonato que é bem visto pelo mundo, difícil de entrar e com competitividade muito forte. No Kairat eu tinha uma zona de conforto muito grande, poderia estar até hoje lá. E quando tive a proposta para cá, eu precisava disso, de um algo a mais, de uma novidade, um nível de competitividade maior.

MB: Você venceu a Champions 2012/2013, já na temporada 2014/2015, o Kairash voltou a se sagrar campeão europeu. Como foi acompanhar essa conquista de longe? Bateu vontade de estar lá?

LS: Sim, com certeza. Na época da conquista até estava conversando com os brasileiros do elenco e disse que eles deviam dividir o prêmio do título comigo, porque participei de quase 50% da campanha (risos). Mas é uma satisfação muito grande ver um clube que tive uma passagem muito boa crescendo, melhorando sua estrutura. É gratificante saber que fiz parte dessa história. Sempre vou estar torcendo por eles.

MB: E o clube que está hoje? Quais suas conquistas?

LS: Então, estou no Sibiryak há dois anos e meio. O campeonato russo é muito forte, inclusive estamos nas semifinais da Liga. Até hoje o que eu conquistei foram dois bronzes da Liga e o vice-campeonato da Copa. Estou a procura do primeiro título aqui. Quem sabe não vem esse da Liga, porque assim eu posso voltar a disputar a Champions, já que só os vencedores dos campeonatos nacionais conseguem vaga. Esse ano temos mais chances porque o atual vencedor da UEFA foi o Gazprom Ugra-RUS, e eles são um sério candidato a chegar à final da Liga. Então, o time que chegar com eles já tem vaga garantida.

MB: Como foi essa final da Copa da Rússia?

LS: O sistema da Copa da Rússia é parecido com o da Copa do Brasil de Futebol. São dois jogos, dia e volta, com o gol fora sendo critério de desempate. Na final, jogamos contra o Gazprom Ugra e perdemos as duas partidas (9 a 1 e 3 a 1).

MB: Qual a fórmula de disputa da Liga?

LS: São 14 times na fase inicial, e classificam os oito melhores para o mata a mata. O sistema de disputa é playoffs, melhor de cinco. Nas quartas de final, enfrentamos o KPRF e  vencemos as três primeiras partidas, matando o confronto em 3 a 0. As semifinais começam dia 19 de maio, contra o Dínamo de Moscou.

MB: Quais são seus planos para o futuro?

LS: Eu quero ficar por aqui mais tempo. O Campeonato Russo é um dos mais fortes do mundo. Pretendo ficar aqui por bastante tempo, fazendo história como fiz no Cazaquistão.

MB: Tem saudades de Juiz de Fora? Como vê o cenário do esporte na cidade?

LS: Tenho uma saudade muito grande, gosto muito da cidade, sempre que posso vou aí. Costumo falar para todo mundo que eu conheço que Juiz de Fora tem um material humano muito forte. Tem atletas na cidade, especificamente no futsal, que poderiam estar jogando em qualquer lugar no mundo. Não sei o que falta para fazer os atletas despontarem. Talvez seja estrutura ou investimento. Não sei.


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com