Endometriose acomete entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva A doença não causa infertilidade em 100% dos casos. Entretanto, embora os hormônios da gravidez possam auxiliar o quadro, esta é dificultada

Aline Furtado
Repórter
22/3/2011
Ilustração sobre endometriose

Muitas pessoas sequer já ouviram falar, mas com o drama vivido pela personagem Carol, da atriz Camila Pitanga, na novela Insensato Coração, da Rede Globo, a endometriose passou a ser comentada, o que acaba despertando dúvidas em quem não conhece a doença.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Endometriose, a doença acomete entre 10% e 15% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva, sendo que a maioria tem idade entre 30 e 40 anos.

Segundo o chefe do Departamento de Saúde da Mulher, o ginecologista Elídio Fábio Goulart de Lana, a infertilidade ocasionada pela doença atinge entre 50% e 60% das pacientes. Mas, afinal, o que é a endometriose? A doença é caracterizada pela presença de células endometriais fora do local onde deveriam estar, ou seja, no interior do útero.

O endométrio é a membrana que reveste a parede uterina e é renovada mensalmente por meio do fluxo menstrual. "Esta renovação é necessária para que haja a preparação do útero para receber uma possível gravidez. Há dois hormônios que auxiliam nesta preparação, o estrogênio e a progesterona." Contudo, em alguns casos, ocorre o refluxo pelas trompas, levando, então, o sangue menstrual para o abdômen da mulher. "Além do sangue, são levadas células endometriais, que podem se aderir à parte de trás do útero, onde se organizam e multiplicam-se."

Desta forma, as células que menstruam passam a ocupar a pelve, podendo ser os ovários, a bexiga, o apêndice, o intestino grosso, entre outros órgãos. "Um agravante é que o fator imunológico da paciente pode não ser capaz de destruir estas células endometriais que ocupam o local onde não deveriam estar." Com isso, podem se formar nódulos e até cistos de sangue menstrual, acarretando uma reação inflamatória.

Entre os problemas ocasionados pela formação do endométrio fora do ambiente uterino estão a aderência de órgãos, que ocorre quando o sangue faz com que diferentes órgãos se entrelacem; a dor na pelve; cólicas menstruais intensas, que chegam a incapacitar a paciente ao trabalho; dor durante a relação sexual; fluxo menstrual intenso; além da infertilidade.

Predisposição

A endometriose é detectada mais frequentemente em mulheres com histórico familiar positivo para a doença. "Quem tem irmã ou mãe que têm ou tiveram o problema deve estar sempre atenta aos sintomas." Além disso, a doença pode acometer mulheres que apresentam gestação tardia ou nenhuma gestação, e também aquelas em que a primeira menstruação ocorreu de maneira precoce ou quando o intervalo entre os sangramentos mensais é curto.

E mais, mulheres que apresentam baixo Índice de Massa Corporal (IMC) e aquelas que passaram por muitas cauterizações no útero, já fizeram cirurgia no colo do órgão ou apresentam má formação também podem desencadear o quadro de endometriose.

Tratamento

No caso de suspeita da doença, o médico solicita a ultrassonagrafia, que permite a visualização de possíveis cistos. Para a confirmação, é indicada a realização da videolaparoscopia, que permite a completa visualização do abdômen, assim como de nódulos e cistos. "Esse procedimento permite, inclusive, ver a coloração dos cistos, que geralmente têm cor arroxeada devido ao fato de serem formados por sangue menstrual velho", explica Lana.

O tratamento consiste no uso de medicamentos analgésicos, a fim de aliviar os transtornos acarretados pelas cólicas intensas. "Em alguns casos, administramos remédios com quantidades especiais de hormônio, que fazem com que a mulher não menstrue mais", explica o coordenador.

Além disso, no caso de cistos maiores, acima de um centímetro de diâmetro, a intervenção cirúrgica para remoção dos mesmos pode ser feita por meio da laparoscopia ou da incisão na barriga da paciente, o que pode auxiliar na liberação de órgãos que tenham sido atingidos pela aderência. "No que diz respeito a possíveis nódulos desenvolvidos em decorrência da endometriose, é indicado que sejam realizadas biópsias."

Gravidez e cura

De acordo com Lana, caso a paciente que apresenta a endometriose consiga engravidar, há tendência de melhoria. "Isto porque os hormônios da gravidez fazem com que os transtornos sejam reduzidos. Mas, infelizmente, a fertilidade é dificultada nestes casos."

Já com relação à cura, não é possível afirmar que ela exista, visto que, os tratamentos são capazes de impedir que as células saiam do interior do útero e se organizem na pelve, mas não há certeza de que o problema não volte até o final da vida reprodutiva da mulher.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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