Jussara Hadadd Jussara Hadadd 12/07/2013

Sexo, amor e liberdade

 

Amor

_ Eu preciso de amor, me sinto muito sozinha. Não aguento mais a minha solidão.

_ Não suporto mais viver com aquela pessoa, mas não consigo me desapegar.

_ E como vou viver sem os benefícios que esta relação me dá?

_ Acho que ele está me usando, mas eu gosto de estar com ele. E se isto não der em nada?

_ Temos diferenças sociais, econômicas e intelectuais, mas me sinto tão bem com ele.

_ Ele diz que me ama, mas me acusa de se infantil e pegajosa. Está sem paciência para mim.

_ Meu corpo é feliz com ele, adoro estar ali, mas ele não cresce nunca.

Assim, dizendo mesmo com toda humildade, que amor de verdade enxerga além dos gestos e das palavras. Que espera o outro crescer, amadurecer, que compreende e acredita e, que o limite em ser assim, surge naturalmente em um desfecho sereno.

Assim explicitamente, sem desejar ser subentendida, digo que amor de verdade, por mais que escondido, não espera uma realidade que vá trazer em seus braços, conforto ou compensações pelos tempos vividos, ditos sem pretensões ou revindicações pelos direitos atribuídos ao bem estar em compartilhar. Bastavam de verdade os bons momentos.

Que amor de verdade, pretende apenas a felicidade das horas passadas em paz. Na paz que assegura um bem querer e quem sabe até um querer.

Que amor de verdade faz acontecer, que não é preciso prever ou prover. Que o desejo brota de uma saudade que sem maldade se transforma em prazer sem nada dever.

Que amor de verdade deixa ir com a mesma alegria com que viu chegar. Que não teme o porvir. Que não sofre antes de se alegrar.

Que o corpo que ama de verdade sente sem se preocupar, não se importa onde tanta sensação vai desaguar. E deixa a emoção entrar, a pele esquentar e o coração vibrar, o sexo pulsar e o peito inflar e a vontade de seguir junto, aflorar de um momento despreocupado.

Que o corpo se entrega num beijo criança que não mede o tempo nem as consequências, mas apenas a alegria, o deleite e a gratidão em estar sendo beijado, numa espera silenciosa e resignada, de que aquele beijo fique ali por tempo indeterminado.

Que não tem preço, nem obrigação, quando em um amor nutrido de compaixão e seus olhos de bondade, tem-se a visão de algo encantador que faz do momento presente tudo o que se queria para vida inteira. E é este momento, a vida inteira. E o tal futuro juntos, seria o prêmio, não fosse antes o medo, a armadilha ansiosa e silenciosa que destrói o encantamento entre os casais.

E é infelizmente por não saber amar em cada momento presente, por não ter a coragem de entregar o coração, por puro medo de ser feliz sem garantias, que o homem se vê cada dia mais sozinho, mais perdido e abandonado.

E é ainda por isso que muitos casais se veem de repente frios, tristes e vivendo de uma aparente felicidade nutrida pela falsidade que hoje em dia se compra em joalherias, perfumarias, concessionárias de automóveis, agencias de viagens. Casais que não trazem no peito a alegria que dá brilho aos olhos e faz seus corpos pedirem o corpo do parceiro que chega embrulhado em um sorriso sincero, faceiro.

Quantas voltas, quantos anos de vida, quantos amores perdidos até a idade de entender que era tão simples ser feliz, tão mais barato do que se pagou. Bastava talvez ser atento, humilde e bem disposto. Bastava talvez, se preocupar menos com o futuro e, providenciar de ser alguém bom e merecedor da providencia divina, talvez fosse o bastante.


Jussara Hadadd é filósofa clínica, psicoterapeuta, especialista em sexualidade feminina, escritora, palestrante.
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