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    Sexta-feira, 19 de novembro de 2010, atualizada às 17h40

    Plantas medicinais são oportunidade de negócio para agricultores familiares

    Aline Furtado
    Repórter
    Plantas medicinais

    Minas Gerais apresenta solo favorável ao plantio de espécies diversas, incluindo as que podem ser utilizadas com finalidade terapêutica. Somado a isto, o número de famílias que sobrevivem da agricultura familiar no Estado é grande.

    Entretanto, de acordo com o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal de Viçosa (UFV), João Paulo Viana Leite, para unir o grau de produtividade do solo local e a necessidade de subsistências dessas famílias, é necessário que haja consolidação da cadeia produtiva para que o retorno ao produtor esteja garantido.

    "Diferentemente do mercado hortifrutigranjeiro, quando o agricultor não tem definido o seu mercado consumidor e, ainda assim, há certeza de repasse, no caso das plantas medicinais, é preciso haver planejamento, saber para onde o produto será repassado e qual será a margem de lucratividade, para que não haja possibilidade de prejuízo."

    Com a criação, no ano passado, pelo Ministério da Saúde (MS), do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que prevê o acesso da população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS) a plantas medicinais e fitoterápicos, a perspectiva é de que a demanda cresça significativamente, passando o SUS a ser um dos compradores da produção.

    Outro possível mercado deverá ser aberto a partir da criação do programa Componente Verde, que integra a rede Farmácia de Minas, da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A previsão é que o projeto possibilite o acesso dos usuários do SUS a produtos como plantas medicinais in natura, plantas secas, fitoterápicos manipulados, fitoterápicos industrializados e medicamentos homeopáticos.

    "Com a absorção da fitoterapia pela atenção primária à saúde, temos a formação da cadeia, que tem início no agricultor familiar, passando pela indústria farmacêutica, até chegar ao paciente do SUS", explica Leite, destacando a necessidade da adoção de critérios, além da pré-definição do mercado, que influencie diretamente no retorno financeiro.

    "A qualidade do produto a ser comercializado inclui a necessidade de laudo de certificação; a atenção aos componentes ativos presentes na planta, assim como sua quantidade; a verificação da qualidade microbiológica, que prevê a não contaminação do produto; além da correta manipulação. Diante disso, o produtor precisa se preparar", salienta o professor.

    Segundo Leite, existem espécies que apresentam características mais promissoras, como é o caso da ipeca, usada para combater problemas relacionados ao aparelho respiratório. "É uma espécie muito procurada e tem grande potencial na região da Zona da Mata, até mesmo porque é nativa do bioma Mata Atlântica."

    O professor lembra, ainda, que, entre as plantas produzidas mais comumente na região, estão espécies da aroeirinha, usada para cicatrização, problemas respiratórios e tratamento de úlceras; alcachofra, que auxilia na digestão; além do maracujá, do guaco e da espinheira santa.

    Evento

    No próximo sábado, 20 de novembro, será realizado o 1º Seminário de Plantas Medicinais do Território Rural Serra do Brigadeiro. O evento, organizado pela UFV e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), regional Zona da Mata, é destinado a agricultores familiares e servidores da área de saúde da região.

    O objetivo é abordar temas relacionados à produção e à comercialização das plantas medicinais, além de elaborar um plano de ação para a introdução da fitoterapia como terapia complementar no SUS. O seminário tem início às 8h40 e prossegue até as 17h, no Centro Cultural de Rosário da Limeira, microrregião de Muriaé.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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