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    Amanda Beloti Amanda Beloti 25/11/2015

    Tendinopatia de Fibulares

    Caros leitores. Hoje falarei sobre uma patologia relativamente pouco descrita, quando comparada às outras, mas que é bastante frequente: a tendinopatia dos fibulares (que pode acontecer como complicação de uma entorse de tornozelo, descrita na coluna passada.

    Primeiramente, vamos ver quais tendões são acometidos nesta inflamação:

    Os dois tendões acometidos são os dos músculos fibular longo e fibular curto. Eles se originam na lateral da perna e descem paralelos, ao longo da fíbula, passando por trás do maléolo lateral (“bolinha” lateral do tornozelo).

    Eles se separam na sola do pé, onde se inserem em locais diferentes, como podemos ver na imagem acima: o fibular curto se insere na base do quinto metatarso e o fibular longo na base do primeiro metatarso.

    O local por onde eles passam é chamado “sulco fibular” (e fica bastante dolorido na palpação, quando estes tendões estão inflamados). Estes tendões ficam fixos em seu trajeto por duas faixas grossas de ligamentos, chamadas de retináculo superior e retináculo inferior.

    Os músculos fibulares são estabilizadores do tornozelo e auxiliam nos movimentos de flexão e extensão do pé:

    E no movimento de eversão do pé, que é o de virar a sola do pé pra fora:

    A tendinopatia dos fibulares ocorre quando há um processo inflamatório nestes tendões. Entre as causas podemos citar como destaques:

    • Movimentos repetidos do tornozelo
    • Pé varo, com pisada de supinação acentuada (ou seja, quem pisa muito na lateral do pé, pode deixar os músculos fibulares em constante situação de estiramento – com conseqüentes lesões repetidas)

    Podemos ver um pé varo olhando a direção do tendão do calcanhar


    O pé varo tende a uma pisada supinada, ou seja, mais na lateral do pé. Isto favorece por si só a entorse de tornozelo, além de deixar, naturalmente, os tendões fibulares mais estirados o tempo todo – ocorrendo microlesões constantes

    • alterações anatômicas dos ossos e músculos da região (existe uma variação anatômica rara – 10% da população – que é a presença de um ossinho a mais junto ao tendão do fibular longo. O ossinho é chamado “Os Peroneum” e normalmente é recomendada a sua remoção cirúrgica) – imagem abaixo. Saliências na lateral do calcanhar também podem machucar o tendão e levar à necessidade de intervenção cirúrgica.

    • seqüela de fratura de tornozelo
    • seqüela de uma entorse de tornozelo. Na entorse de tornozelo, acontece exatamente o movimento contrário ao realizado por estes músculos, o que causa um “estiramento” dos tendões e consequente lesão:

    Os tendões fibulares ficam então inchados, dolorosos quando seus músculos são contraídos ou alongados (estirados) ou quando a região por onde passam é palpada.

    Alguns pacientes relatam até mesmo muito incômodo ao usar alguns calçados que tocam a região inflamada (alguns tênis ou sapatos mais rígidos, como os sociais masculinos, apertam essa região atrás do maléolo, provocando dor). Aliás, o próprio uso repetitivo de um calçado que aperte a região pode ser o fator desencadeante da inflamação, por isso devemos prestar bastante atenção e, se for o caso, interromper o seu uso.

    Normalmente, após o médico fazer o diagnóstico, é necessário repouso da articulação. Pode ser necessário ou não uso de talas imobilizadoras, ou apenas um protetor para maléolos. No caso de quem tem a pisada supinada, como explicado acima, pode ser confeccionada uma palmilha individual, por um profissional capacitado. Existem muitos tipos de talas e de protetores, peça orientação do seu médico ou fisioterapeuta, que saberá prescrever qual o mais adequado para seu caso. Não compre por conta própria nem com ajuda de balconistas não especializados. Seguem alguns exemplos:

     Protetor de Maléolo tipo meia


    Tensor com protetor maléolo


    Tala imobilizadora com faixas que impede novas torções de tornozelo


    Tala imobilizadora que previne novas torções de tornozelo


    Robofoot – imobilização usada quando a lesão é mais grave

    Além do repouso e do possível uso de tala imobilizadora, o gelo local é importante. Mas até o gelo deve ser feito com cuidado, sem compressão e com orientação, pois nesta região também passam nervos, que podem sofrer com o resfriamento local. Pode-se usar uma pedrinha de gelo, massageando levemente a região por 10-15min, ou, para maior segurança, pode-se colocar o gelo por cima, como na imagem abaixo:

    O médico poderá prescrever também, conforme necessidade, o uso de antiinflamatórios. E a fisioterapia também tem sua grande contribuição, no alívio da dor, na recuperação dos movimentos, na cura total da inflamação, na prevenção de recidivas e na inserção do indivíduo ao seu antigo cotidiano. Em caso de esportistas, a fisioterapia tem grande importância no treinamento funcional, recuperação da performance e na prevenção de novas lesões.

    Normalmente é possível reverter o caso com tratamentos conservadores, sem que ocorra cronificação do processo inflamatório (a tendinose) e sem necessidade cirúrgica.

    Qualquer dúvida procure um médico ou fisioterapeuta! Evite automedicação, sempre!

    Até a próxima!


    Amanda Beloti é fisioterapeuta graduada em 2009 pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Cursa Especialização em Fisioterapia Traumato-Ortopédica pela mesma instituição. Instrutora Internacional de Pilates pela Pilates Plus (autorizada pela Associação Norte-Americana de Pilates). Sócia-proprietária do Consultório de Fisioterapia e Pilates STUDIO A. Saiba mais.

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