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    Homem de 74 anos morre esperando por vaga em UTI pública em Juiz de ForaLaércio Joaquim de Almeida faleceu enquanto estava internado na Policlínica de Benfica. Família tinha laudo, solicitando internação em unidade intensiva

    Clecius Campos
    Repórter
    26/1/2011

    Um homem de 74 anos faleceu na tarde da última terça-feira, 25 de janeiro, na Policlínica de Benfica, enquanto aguardava por uma vaga de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) na cidade de Juiz de Fora. Laércio Joaquim de Almeida estava internado na unidade localizada na Zona Norte desde a última quarta-feira, 19, quando foi levado pelos filhos, com sintomas de insuficiência respiratória. De acordo com a filha de Laércio, Ana Paula Rezende Almeida, desde que chegou ao hospital, os médicos já indicavam a transferência do paciente para uma UTI.

    "Conforme ele passava pelo tratamento, os médicos alertavam de que ele precisava de um hospital mesmo, de uma UTI, pois a situação era grave. Vários médicos disseram que ele precisava desse tipo de internação e a própria equipe da policlínica tentou fazer a transferência, consultando a central de vagas, mas não teve sucesso." O paciente morava no bairro Industrial. Por essa razão, a família decidiu levá-lo à Policlínica de Benfica e não ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), como sugerido pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "Escolhemos a policlínica por ser mais perto e porque a situação no HPS poderia ser ainda mais complicada. Na clínica é que percebemos a gravidade do problema."

    Segundo Ana Paula, na última segunda-feira, a família foi orientada por médicos da Policlínica a solicitar a vaga na UTI, por meio de mandado judicial. "Um médico pediu que nos reuníssemos e tentássemos resolver de outra forma, entrando com mandado de segurança, pois os próprios médicos estavam percebendo a dificuldade de conseguir a vaga." O profissional teria dado laudo à família, constatando que o paciente estava em risco de perder a vida. "Com o documento, fomos então à Promotoria de Saúde e o próprio promotor entrou em contato com a central de vagas."

    Ana Paula conta que, por meio de contato telefônico, o assistente da Promotoria de Saúde leu o laudo para o médico responsável pela triagem da Central de Regulação de Vagas, que teria considerado a situação como não urgente e informado de que não havia vagas disponíveis. "Essa pessoa nem olhou meu pai. Como poderia falar uma coisa dessas, sem examinar? Foi uma negligência, um absurdo", critica. O promotor de Saúde, Rodrigo Bastos, confirma a visita da família de Laércio à Promotoria. "Primeiro verificamos a disponibilidade na central de vagas, mas não havia previsão. Então, ajuizamos uma ação civil pública, para que o município fosse compelido a transferir o paciente para uma unidade de terapia intensiva. Infelizmente, ele veio a falecer antes que houvesse a efetivação da transferência."

    Polícia Civil vai instaurar inquérito

    O Ministério Público vai aguardar o retorno do processo judicial e encaminhar cópia do documento a ser juntado à investigação que será aberta pela Polícia Civil (PC). "É preciso averiguar se o município é responsável pela impossibilidade de transferência e se isso pode ter causado a morte do paciente." O laudo repassado pela família, já anexado ao processo, também será encaminhado à PC. Em nota, a assessoria de comunicação do 4º Departamento de PC informa que será instaurado inquérito com o objetivo de apurar eventuais responsabilidades criminais bem como de esclarecer as circunstâncias do falecimento.

    À frente do caso, a delegada Mariana Veiga Prestes determinou a realização de diligências preliminares que irão apontar se houve alguma conduta criminosa. A PC vai solicitar o prontuário médico de atendimento do paciente e encaminhá-lo à perícia. A filha de Laércio será ouvida. A família estuda a possibilidade de também mover ação contra a Central de Regulação de Vagas.

    Secretaria de Saúde diz ter autorizado internação

    A Secretaria de Saúde (SS) nega que o médico responsável pela triagem não tenha autorizado a transferência do paciente para hospital conveniado com atendimento em UTI. Segundo a assessoria de comunicação do órgão, a internação foi autorizada, mas dependia da liberação da vaga. Em nota, a SS explica: "Após passar por exames clínicos e laboratoriais, e ficar constatada a insuficiência respiratória, foi pedida vaga de UTI, já que a Policlínica é uma unidade destinada ao atendimento intermediário, enquanto aguarda-se vaga em outro hospital de maior porte. Havia, entretanto, dois pacientes esperando vaga com mandados judiciais e, portanto, tinham prioridade para internação."

    Ainda de acordo com a assessoria, o paciente teria apresentado melhora no quadro e, por essa razão, a direção da Policlínica havia recomendado a transferência para um leito de enfermaria em hospital conveniado, o que também não ocorreu, devido ao agravamento súbito da condição do paciente. A SS informa que em nenhum momento o paciente ficou sem assistência médica, pois a Policlínica possui suporte para atendimento, conforme o quadro que ele apresentava. Laércio ficou internado na Unidade de Estabilização da Policlínica de Benfica. "Ele continuou na Policlínica e faleceu lá. Os médicos e enfermeiros fizeram tudo que podia ser feito, mas não foi suficiente", lamenta a filha Ana Paula. Segundo infoma a SS, Laércio Joaquim de Almeida era hipertenso e fumante há 50 anos.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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