Serviços e sites de compras coletivas fecham e dão prejuízo a consumidores

Juiz-foranos relatam que pagaram por serviços e produtos diversos e não foram atendidos. Em alguns casos, estabelecimentos não existem

Jorge Júnior
Repórter
29/3/2012
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Cada vez mais investindo em ofertas pesadas, os sites de compras coletivas, visando uma quantidade expressiva nas vendas, estão causando dor de cabeça para os consumidores. Em Juiz de Fora, por exemplo, a funcionária pública Roberta Oliveira, comprou um cupom para utilizar em um bar da cidade, mas não foi atendida, devido ao fato de o estabelecimento ter fechado. "Fiz a compra que dava direito de consumir R$ 56 no local, agendei o dia que eu queria por e-mail, mas como não tive resposta, liguei um dia antes para o bar e fui informada de que o local havia fechado", diz.

Segundo Roberta, a pessoa que atendeu ao telefone, deixou a entender que era um sócio do restaurante e que também estava sem saber como agir diante do fato. "Parece que o outro sócio tinha abandonado a parceria", acrescenta. Com essa circunstância, a consumidora entrou em contato com o site em que a compra foi feita, mas até a publicação desta nota, não havia resposta. "Comprei em dezembro, a validade da promoção é até março, mas ainda estou no prejuízo", lamenta.

Quem também comprou um serviço pelo site de compras coletivas e se surpreendeu com a porta do estabelecimento fechada foi a engenheira Mariana Maia. "Em junho do ano passado, comprei uma sessão fotográfica para a minha filha. O anúncio dava direito às fotos em alta resolução em DVD, além de dez imagens impressas e tratadas. O serviço foi feito, o estúdio mandou as imagens para que eu escolhesse as fotos que queria, porém nunca mais tive retorno", conta Mariana, que pagou R$ 90 pelo trabalho.

De acordo com a engenheira, ela ligou para o fotógrafo, mandou e-mails e chegou a voltar ao local, quando verificou que o estúdio na existia mais. Ela relata que outras pessoas também passaram pelo mesmo problema. "Entrei em contato com o site, mas eles me informaram que não se responsabilizavam pelos transtornos gerados pelo fornecedor." Não satisfeita com a resposta e sentindo-se lesada, Mariana queixou-se na Agência de Proteção e Defesa do Consumidor de Juiz de Fora (Procon/JF), recebeu o dinheiro de volta, mas isso não foi suficiente. "Eu não queria o retorno do dinheiro. Quero as fotos."

Site acabou

Outra experiência em site de compras coletivas é vivenciada pelo administrador Juan Gomes, que comprou dois cupons para utilizar em um restaurante de comida japonesa da cidade, mas o site fechou. "Tenho uma visita marcada para este sábado [31 de março] e a outra está em lista de espera, mas o estabelecimento ficou de me avisar quando houver vaga. Como já presenciei algumas pessoas sendo tratadas com descaso pelo local, por ser de compras coletivas, tenho receio de não conseguir usufruir da oferta, já que não vou conseguir pegar o bilhete, pois o site não existe mais."

Com o fim da página na internet, Gomes afirma que já tentou contato com a empresa pelas redes sociais, mas também ficou sem resposta. Em uma das tentativas, o administrador deparou-se com a seguinte mensagem no site do restaurante: "o usuário está ciente e, desde já, concorda que os produtos ou serviços publicados no site são adquiridos diretamente do anunciante, sendo este o único responsável por sua entrega, quantidade, qualidade, adequação, integridade e segurança. O usuário está ciente de que o restaurante não possui qualquer responsabilidade pela entrega e características do produto ou serviço adquiridos, não tendo a posse ou propriedade dos produtos ofertados, nem legitimidade para a prestação dos serviços publicados." Com medo de não ser atendido, Gomes diz que vai entrar em contato com o restaurante para verificar se o agendamento está confirmado.

Comprou e recebeu errado

No dia 3 de janeiro, a funcionária pública Christiane Fonseca comprou um sapatênis em um site de compras coletivas, para presentear o namorado. O calçado, que era anunciado como original de determinada marca, custou R$ 139 e foi pago, à vista, no cartão de débitos. No entanto, com o passar dos dias, ela percebeu que a mercadoria não chegava, foi quando começou a dor de cabeça. "O prazo de envio do código de rastreamento pela empresa expirou e o site enviou um e-mail a todos os consumidores, pedindo que nós enviássemos um e-mail para a empresa que ofereceu o produto, solicitando o código. Fiz o que foi pedido e o sapatênis chegou, porém com um problema: veio um falsificado, dentro de uma caixa que também não era original da marca."

Além disso, Christiane conta que algumas pessoas receberam o produto e outras cancelaram a compra. "No dia 16 de fevereiro, após eu contestar, a empresa pediu que o tênis fosse enviado, com uma carta, explicando o motivo da devolução. Eles fariam o ressarcimento da postagem, mas nada foi cumprido. Já efetuei várias ligações interurbanas para tentar resolver o impasse, mas até hoje nada."

Ainda sem receber o ressarcimento, Christiane recebeu outro e-mail, dizendo que ela assinou os termos de uso e que o site não interfere nos prejuízos que podem acontecer entre a empresa e o usuário. "Com essa mensagem eu fui até o site, verifiquei as normas em que é informado que a página reconhece a confiabilidade da loja que estava vendendo o produto. Depois de contestar novamente, recebi outra mensagem, informando da devolução do dinheiro a ser creditado em conta."

Outros problemas

Além de comprar um cupom para um restaurante que não existe, Roberta comprou um pacote de revelação de fotos e, novamente, teve problemas. "Escolhi as fotos que eu queria para enviar para o site, mas quando ia digitar o local de entrega, aparecia uma mensagem, dizendo que o endereço estava grande. Depois disso, tentei outros destinos, mas também não foi aceito. Foi quando percebi que, se eu colocasse um dígito, o programa também não aceitava." Após verificar o problema, ela entrou em contato com o site de compras coletivas e obteve o dinheiro de volta.

O atendente de suporte Rodrigo Gonçalves conta que comprou uma televisão no meio do ano passado, no valor de R$ 890 e, depois de três meses, o produto não havia chegado. Ele entrou em contato com o site, que o informou que a loja estava aplicando golpes nos clientes. Após o contato, o dinheiro foi estornado.

E agora?

De acordo com o chefe de departamento de atendimento do Procon, Oscar Furtado, as pessoas que se sentirem lesadas podem ter seus direitos garantidos. No caso de empresas que tenham fechado as portas, o cliente deve procurar a junta comercial da cidade, para saber quem são os donos do estabelecimento e, assim, obter o endereço e o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da empresa, a fim de que a reclamação seja registrada. "Só com os dados é possível efetuar o procedimento." Segundo a assessoria da Junta Comercial, o cidadão que desejar informações sobre alguma empresa, pode solicitar a documentação, que é cobrada. Na cidade, o departamento funciona na rua São Sebastião, 713, Centro. O telefone de contato é (32) 3215-5778.

No caso do site que acabou, Furtado destaca que se o cliente não for atendido pelo restaurante, ele pode abrir uma reclamação e se o anunciante não acatar, ele pode mover uma ação judicial. Se o consumidor não receber o produto correto, ele pode abrir uma reclamação no Procon, pedindo o ressarcimento. "A pessoa deve ter todos os comprovantes de e-mails e demais negociações com o site, a fim de que a reclamação tenha fundamento. O código da postagem também é fundamental para abrir a reclamação."

Os textos são revisados por Mariana Benicá

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