Paulo César Paulo César 25/2/2013

Argo vence o Oscar de melhor filme e Daniel Day-Lewis entra para história conquistando o prêmio pela terceira vez

ArgoA 85ª edição do Oscar, realizada no último domingo, 24 de fevereiro, em Los Angeles (EUA), foi marcada pelo grande equilíbrio na distribuição dos prêmios. O grande vencedor, porém, foi um filme em que seu diretor não disputou a categoria principal, Argo, de Ben Affleck; e o líder de indicações, Lincoln, com 12, conquistou apenas dois prêmios. Daniel Day-Lewis entrou para história ao receber sua terceira estatueta e Jennifer Lawrence provou que é a queridinha do momento. A surpresa, no entanto, foi para a vitória de Ang Lee na categoria diretor.

Logo na primeira entrega da noite, Christoph Waltz conquistou seu segundo Oscar da carreira, como coadjuvante em Django Livre e, curiosamente, em sua segunda parceria com Quentin Tarantino, responsável por Bastardos Inglórios (09), que lhe deu o primeiro. Mesmo sendo um dos embates mais disputados, pode-se dizer que a vitória do austríaco foi uma surpresa, já que Tommy Lee-Jones (Lincoln) havia ganho o SAG (Screen Awards Guild), que praticamente aponta o vencedor da Academia. Entre as mulheres, sem surpresas, Anne Hathaway confirmou o enorme favoritismo de ter vencido quase tudo na temporada e foi a atriz coadjuvante do ano por Os Miseráveis. Só para não contestarem, subiu ao palco para dar uma palhinha com o resto do elenco do filme em uma bela apresentação.

Daniel Day-Lewis recebeu de um mito do cinema, Meryl Streep, a estatueta que o torna uma lenda entre os homens. O prêmio de melhor ator, pelo seu assombroso papel na cinebiografia Lincoln, o tornou o maior vencedor na categoria principal, com três vitórias. O mesmo número conquistado por Jack Nicholson, que, entretanto, conquistou um deles como coadjuvante. Assim como seu personagem, vai ficar para sempre nos livros de história. Jennifer Lawrence até caiu de emoção ao subir as escadas para receber de Jean Dujardin seu Oscar de melhor atriz no papel uma jovem perturbada em O Lado Bom da Vida. Alguns acham que o prêmio poderia ter sido dado à Emanuelle Riva (Amor) ou Jessica Chastain (A Hora Mais Escura), mas, além de fazer um bom trabalho, é a queridinha do momento entre os americanos.

Nas premiações secundárias, destaque para As Aventuras de Pi, que desbancou Lincoln e levou para casa os prêmios de efeitos visuais, fotografia e trilha sonora. O filme de Spielberg abocanhou apenas direção de arte, do qual nem era favorito para levar. O musical Os Miseráveis não ficou para trás e levou melhor maquiagem e mixagem de som, este valorizado pelo fato de os atores cantarem ao vivo nas gravações. O britânico 007 – Operação Skyfaal empatou com A Hora Mais Escura em edição de som, mas reinou absoluto com a canção "Skyfaal, composta e interpretada por Adele. O filme austríaco Amor, de Michael Haneke, ficou com o esperado prêmio de filme estrangeiro e a parceria Disney/Pixar levou mais uma com Valente. Tarantino (Django) voltou a vencer depois de quase 20 anos e levou para casa seu segundo prêmio de roteiro, e Argo beliscou os dois mais relevantes entre estes secundários: roteiro adaptado e montagem.

A noite terminou com surpresas. Na categoria de melhor diretor, muito se falava da possibilidade de Steven Spielberg ficar com a estatueta, já que Ben Affleck (Argo) e Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura) ganharam a maioria dos prêmios da temporada e, inacreditavelmente, ficaram de fora da lista de indicados. Também se cogitava a chance de Michael Haneke levar pelo trabalho intenso de Amor, mas quem riu por último foi o taiwanês Ang Lee. O trabalho místico e impressionante que fez em 3D, As Aventuras de Pi, foi considerado pelos votantes o melhor. Um bom trabalho, mas como já dito, beneficiado pela ausência de Ben Affleck, pois seu inteligente e tenso Argo saiu como o grande vencedor da noite, que estava sendo esperado, já que venceu grande parte das outras premiações e havia vencido montagem e roteiro adaptado. Anunciado pela primeira-dama norte-americana Michelle Obama e entregue pelo lendário Jack Nicholson, o filme que conta uma incrível história de um agente da CIA que, junto com um produtor e uma maquiador, produzem um falso filme com intuito de tirar seis americanos de um Irã em revolução, se igualou à Conduzindo Miss Dayse (90), que também ganhou o prêmio principal sem ter seu diretor indicado.


Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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