Rafaela Alves Rafaela Alves 23/09/2014

Humildade: a melhor amiga do bailarino

dancaEu acho esse tema tão importante quanto falarmos de técnica e emoção. Então, nesta coluna abordo um pouco do que penso sobre a humildade e o bailarino. Para ser bailarino, precisamos de um pouco de vontade de aparecer, e digo isso no melhor sentido do termo. Se você irá subir em um palco para se apresentar para um grande número de pessoas, você quer ser notado, quer que vejam a sua arte, quer ser visto. Isso é comum a todos os bailarinos que se apresentam para o público, sejam eles profissionais ou amadores.
No palco adquirimos a personalidade que a música exige, somos o que ela nos guia a ser: delicados, fortes, alegres, introspectivos, elegantes, despojados, etc. O ideal do bailarino é ser a música, é vestir sua nuance e transmitir isso em forma de dança.

Porém, fora do palco, dentro de sala de aula, tudo muda. O bailarino precisa ter humildade. Não que você tenha que ter a postura de dizer que nunca sabe nada, pois isso não é saudável para você e para sua autoconfiança, super necessária para dançar, e nem para o seu professor, tendo em vista que trabalhamos o tempo todo com feedbacks do aprendizado de nossos alunos.

Ter humildade é se despir do seu medo e confiar no seu professor, para que ele te guie pelo terreno do desconhecido. Se você escolheu aquela pessoa para chamar de mestre, deve ter em mente que o principal fator a ser levado em conta é a confiança no que ele sabe e no que pode te acrescentar. Do contrário, essa escolha é desarrazoada e merece ser repensada.

Então, a postura do bailarino inteligente em sala de aula é a de tentar absorver ao máximo o que lhe é transmitido, tentando adaptar a técnica passada pelo professor para o seu corpo e para o seu repertório. O bailarino humilde sabe da sua necessidade de aprender, sabe que a fonte é incessante e está em uma eterna busca pelo melhoramento.

Quem dança sabe que aprender um movimento não é o fim da linha. O mesmo passo é revisto, repensado e melhorado a cada repetição e a cada novo olhar que damos a ele. Com a sua própria evolução na dança, seu professor te desafiará de maneiras diferentes com o mesmo movimento. Então esqueça a frase: "Esse movimento eu já sei". O que sabemos é uma leitura do que foi passado, os movimentos são sempre redescobertos e reaprendidos.

Ter um professor é essencial a todo bailarino. Ter alguém em quem você confia te guiando e auxiliando a melhorar nos faz mais humildes e constrói bailarinos melhores. Não importa quanto tempo de dança você tenha, você sempre precisa aprender.

O momento da aula para quem realmente deseja se melhorar é um momento de diversão sim, pois dançar é extremamente prazeroso e desperta a socialização, mas, acima de tudo, estar em sala de aula é respeitar o momento em que a técnica, a expressão e que todas as explicações necessárias ao seu desenvolvimentos enquanto aluno possam ser passadas. Então, respeite o silêncio, tire suas dúvidas sobre os passos, respeite os limites de seu colega de turma e só o corrija se isso for solicitado pelo professor, fale menos, ouça mais. Humildade é para aqueles que realmente entendem o que é dançar e que querem voar cada vez mais alto.

E você, já havia pensado sobre isso? Que tal começar agora?

Nos vemos na próxima coluna, com mais um assunto para o nosso melhoramento enquanto bailarinos.


Rafaela Alves é professora e bailarina de Dança do Ventre e Folclore Árabe desde 2001. Conquistou o padrão de qualidade em dança da renomada Casa de Chá Khan el Khalili/SP em 2013. Proprietária do Studio de Danças Rafaela Alves. Formada em Direito pela UFJF.

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