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    Futuro do Cine Excelsior depende de decisão do Comppac

    Proprietário do imóvel pretende instalar estacionamento no espaço onde antes funcionava o cinema. Situação do imóvel foi discutida em audiência pública

    Thiago Stephan
    Repórter
    23/4/2012
    audiencia

    "Da decisão do Comppac [Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural] depende o futuro do espaço onde funcionou o Cine Excelsior". A frase é do vereador Flávio Cheker (PT), proponente de audiência pública que debateu, na tarde desta segunda-feira, 23 de abril, a situação do espaço, onde o atual proprietário pretende instalar um estacionamento. A obra começou a ser realizada, mas está embargada enquanto o conselho avalia a situação. "Cabe ao Comppac dizer se o espaço merece ser tombado ou protegido por meio da declaração de interesse cultural", acrescenta o vereador, em tom de apelo.

    O Cine Excelsior foi desativado em 1994. "Entre processos de tombamento e de interesse cultural, entrei com pelo menos dez pedidos desde o fechamento." O vereador acredita ser possível conciliar o interesse econômico com a preservação de um bem cultural, destacando que, atualmente, existem recursos disponíveis no BNDES que poderiam contribuir para a manutenção do espaço.

    Cheker destacou em sua fala o papel que vem sendo desempenhado pelo movimento "Salvem o Cine Excelsior", por meio do qual pessoas ligadas à cultura da cidade têm se unido para defender o que consideram bem material e imaterial do município. "Gostaria de agradecer a todos que apoiam a causa do Cine Excelsior, esse filme nebuloso, quase de terror, é uma sucessão de cenas aterrorizadoras", desabafou o cineasta Franco Groia, uma das lideranças no movimento que tenta sensibilizar a sociedade e o poder público sobre a importância daquele espaço sobre diferentes aspectos.

    Groia criticou duramente a Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), representada por meio da secretária Graciela Marques, que argumentou que o órgão havia cumprido a lei ao conceder a licença para pequenas obras e intervenção no passeio. "Foi pedida, inicialmente, a solicitação para pequenas reformas, o que foi concedido. Após essa concessão, a fiscalização esteve no local e constatou que se tratava da retirada do revestimento da parede e do piso, o que estava previsto na licença. A questão é que o imóvel não é tombado. O proprietário tem o direito de fazer as reformas", afirmou Graciela. Entretanto, Groia questionou a afirmação, levantando a questão de a secretária desconhecer a legislação. "Em momento algum a SAU exigiu do atual proprietário a anuência do condomínio."

    O superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, que também é presidente do Comppac, diz estar havendo na audiência duas discussões distintas: sobre o destino do imóvel e sobre a instalação do estacionamento. Ele destacou que o conselho não determina qual uso será dado aos espaços tombados, apenas aprecia o tombamento com base na importância do espaço. Ele rebateu acusações de falta de informações e transparência nos processos do Comppac feitas por integrante do movimento "Salvem o Cine Excelsior".

    O vereador José Sóter de Figueirôa Neto (PMDB) mostra-se solidário à causa. Ele propõe que os 19 vereadores assinem uma representação a ser enviada ao Comppac, mostrando-se amplamente favorável ao tombamento. Ele propôs também oferecer ao proprietário do imóvel que ele possa ir para outro local, de forma a não ter prejuízo. Por fim, destaca a necessidade de criar uma comissão para identificar empresas que possam transformar aquele espaço em multiuso.

    Os textos são revisados por Mariana Benicá

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