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    Ivan Bilheiro Ivan Bilheiro 23/06/2014

    Educação como formação

    artigoUm dos maiores físicos de todos os tempos, o alemão Albert Einstein (1879-1955) deixou registrado, em um texto de título "Educação em vista de um pensamento livre" (Erziehung zu selbständigem Denken), algumas palavras bastante impactantes para a época em que foram escritas, e com poder suficiente para fazer com que os atuais envolvidos com a educação também se sintam impelidos a uma reflexão. Eis as palavras de Einstein:

    "Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida. Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas angústias para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade".

    Esta passagem, parte do livro "Como vejo o mundo" (Mein Weltbild, 193-?), revela uma acurada percepção do ganhador do Nobel de Física, Albert Einstein, sobre a importância de o processo educacional ser mais que um simples treinamento para alguma profissão ou um oferecimento de conhecimentos técnicos e práticos desprovidos, por exemplo, de uma reflexão maior sobre o papel do homem na sociedade.

    A Educação não pode se render a um simples processo de preparação para certa profissão. Se assim for, ela se tornará quase uma indústria que produz máquinas preparadas para cumprirem determinadas tarefas e impedidas, por sua própria estrutura, de exercerem qualquer outra função, constantemente presas àquilo para o que foram preparadas. Estas "máquinas humanas" deixariam de usar o que é máximo em seu potencial: a capacidade de pensar.

    E como é que a Educação pode evitar cair nesta orientação? De princípio, é preciso reconhecer este risco ao invés de escondê-lo como tendência natural dos tempos modernos; bem como perceber o quão próximo do processo educacional contemporâneo ele está. Para isto, as palavras de Einstein são alerta importantíssimo.

    É igualmente fundamental que se compreenda a Educação como mais do que um simples processo de transmissão de conhecimentos – especialmente conhecimentos técnico-práticos. É preciso pensá-la como um processo formador amplo, capaz de construir personalidades, de edificar cidadãos conscientes, reflexivos, ativos e críticos. Para isto, concorrem ações formativas que vão além do trabalho com conteúdos disciplinares: todos os envolvidos no processo educacional devem entender que sua posição, suas atitudes, sua forma de se relacionar com os educandos, sua maneira de discutir opiniões e diversas outras atitudes que não dizem diretamente respeito aos conteúdos trabalhados – tudo isso também serve para formar alguém; a influência disso é o que diferencia uma boa formação de uma simples preparação conteudista. Em resumo, deve-se pensar a educação como formação humana, e não simplesmente como preparação profissional.

    Retomando Einstein: qualquer cão ensinado é capaz de obedecer a comandos simples, que não despertem nele qualquer necessidade de reflexão. Mas ao homem cabe um papel menos "automático": ele deve pensar. Se recebe ordens, se lida com informações, se interage com outras pessoas, se atua no mundo; tudo isso ele deve fazer com uma preocupação moral de como se colocar, de como agir, e a capacidade de fazer isso tem sua base na formação e na preparação humana que a educação pode proporcionar, com tudo o que está inserido no que se chama de processo educacional, desde que este não seja refém de objetivos pragmáticos, técnicos – enfim, simplistas.

    Uma máquina é colocada em um lugar e, ali, exerce sua função até a exaustão. O que um homem pode fazer? Desde que formado para pensar, ele é capaz, como bem disse Einstein, de ser responsável por "determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade". Assumir, com responsabilidade e consciência moral, seu lugar no mundo. Para isso serve a educação como formação, contrária à "conformação" de uma educação simplista!


    Ivan Bilheiro é professor de Filosofia e Sociologia. Licenciado em História pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF), bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), instituição na qual cursa o Mestrado em Ciência da Religião. É, também, especialista em Filosofia pela Universidade Gama Filho (UGF) e em Ciência da Religião pela UFJF.

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