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    Wander Côrtes: há três anos desbravando as trilhas do off-road

    Piloto foi "contaminado" pelo "vírus" da regularidade e garante que a participação nos rallys traz lições para toda a vida

    Thiago Stephan
    Repórter
    31/3/2012
    Wander Côter

    Poeira, lama, buracos... Superação, companheirismo, adrenalina... Há exatos três anos, em março de 2009, o piloto Wander Côrtes (na foto ao lado, à direita) entrava para o mundo do off-road. Quando ele comprou um troller, veículo muito usado em rallys de regularidade, percebeu que estava na hora de participar do esporte pelo qual já nutria paixão. Tinha chegado a hora de se aventurar por trilhas e estradas de chão Brasil afora.

    Wander considera-se um autodidata do esporte. Seu aprendizado ocorre ao ver o que acontece nas competições. E, rapidamente, percebeu as características necessárias para ser um bom piloto de rally. "Treino, muito treino. Na regularidade, os níveis de atenção e concentração devem estar sempre em primeiro lugar. Qualquer distração e já era o resultado. Por isso, treinar - no nosso vocabulário, andar - é primordial. Falo isso porque, às vezes, vemos pilotos consagrados que ficam algum tempo sem competir e, quando resolvem voltar, não conseguem bons resultados. Depois de algumas etapas, acertam o pé e os resultados aparecem", diz.

    Integrar o Jeep Club de Juiz de Fora também foi essencial para que ele começasse a ter bons resultados. "O Jeep Club, do qual faço parte, é uma verdadeira escola de off-road. Temos hoje alguns dos maiores navegadores do país, campeões brasileiros, e pilotos que se destacam em todos os campeonatos dos quais participam", revela.

    Resultados

    Apesar do pouco tempo disputando rallys, Wander Côrtes já acumula resultados significativos. Em 2010, terminou na terceira colocação no Campeonato Carioca. No ano seguinte, resultados ainda mais marcantes: foi vice-campeão da Copa Troller, prova de regularidade considerada a segunda mais difícil do Brasil; campeão da Copa Jeep Club; vice-campeão do Ibitipoca Off-Road; quinto lugar no Piocerá e sétimo lugar no Campeonato Brasileiro de Regularidade, resultado pelo qual tem especial carinho, já que foi conquistado após capotagem no segundo dia de prova.

    Logo no início deste ano, o piloto juiz-forano terminou em quarto lugar no Cerapió. Apesar de ter melhorado a classificação em relação ao ano anterior na prova entre os estados do Ceará e Piauí, foi a competição de 2011 a que mais marcou a sua breve carreira. "O Piocerá 2011 foi uma prova muito marcante. Apesar de termos ficado na quinta colocação, o gostinho foi de ser primeiro, só por participado e chegado. Foram quatro dias de competição, totalizando 1.400 quilômetros, debaixo de muita chuva. Em alguns trechos, andamos com água no para-brisa por até 200 metros. Andamos em meio a barro, erosões, dunas, tinha de tudo... Sem falar no nível dos competidores. No final, carro sem para-choque, ar quebrado, sem freio, quatro filtros de ar e dois de combustível trocados durante os quatro dias, bengala traseira quebrada, sem arranque... Por essas e outras que somos apaixonados pelo esporte."

    Custos por conta própria

    Ao longo dos três anos, Wander destaca que o apoio da família e de amigos foram fundamentais. Em relação aos custos do esporte, garante que são altos. "Já conseguimos alguns pequenos patrocínios. Porém, na maioria das vezes, corremos com recursos próprios. Atualmente, uma prova de regularidade com um dia de duração tem custo aproximado de R$ 2 mil com despesas convencionais, que não incluem manutenção ou quebra de equipamento. Para se ter uma noção, a Copa Troller tem seis etapas e o Cerapió ou Piocerá contam com quatro dias seguidos de competição. Em relação às provas locais, o custo é bem menor", afirma.

    Além dos custos, os pilotos precisam lidar com outra dificuldade: dividir o tempo entre competições, trabalho e família. "Geralmente as provas são nos finais de semana, o que ajuda muito em relação ao trabalho. Para quem ama o esporte, isto não é empecilho. Em relação à família, já é mais complicado. No meu caso, posso dizer que sou um privilegiado, pois todos lá em casa já foram contaminados pelo vírus da poeira e da lama. Eles adoram o esporte e, sempre que possível, me acompanham e incentivam, o que é gratificador e recompensador", comenta.

    Wander Cortes Wander Cortes
    Planos para a temporada

    A agenda de Wander Côrtes para a atual temporada está bem cheia. Ele afirma que vai participar da Copa Troller, da Mitsubishi Motors, do Campeonato Carioca, da Copa Jeep Club, da Transbahia, da Transcatarina e ainda negocia a possibilidade de correr a Mitsubishi Cup, que exige gastos que podem chegar a R$ 100 mil para disputar as seis etapas.

    Lições do off-road

    Ao entrar para o mundo da regularidade, Wander acabou percebendo que o que se ganha ao enfrentar as dificuldades do mundo off-road vai além dos resultados. "O off-road é, na verdade, uma escola para vida. Por isso, incentivo meus dois filhos homens (Arthur, de 6 anos, e Thiago, de 5) desde agora. E, quem sabe, ter até uma futura navegadora na família (Raphaela, de 11 anos). Podemos dizer que se aprende de tudo nas provas: companheirismo, respeito pelo próximo, responsabilidade, amizade, lealdade e, o mais importante, humildade, pois podemos ser campeões e estarmos no lugar mais alto do pódio e, também, estarmos no meio da corrida quebrados e necessitando da ajuda de outro competidor", finaliza.

    Os textos são revisados por Mariana Benicá

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