Articulação feminina na política é pequena Em Juiz de Fora, as mulheres são a maioria do eleitorado, entretanto a ocupação nos cargos públicos é baixa

Aline Furtado
Repórter
8/3/2010

Após 78 anos que a mulher brasileira conquistou o direito ao voto nas eleições nacionais, a classe representa a maioria do quadro eleitoral em diversas cidades. Em Juiz de Fora, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), o eleitorado é formado por mais de 200 mil mulheres e pouco mais de 171 mil homens, o que significa 53,79% de mulheres e 46,14% de homens.

O direito ao voto feminino foi obtido por meio do Código Eleitoral Provisório, com data de 24 de fevereiro de 1932. "Mas esta não era uma conquista completa", lembra a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Mulher de Juiz de Fora, Juliana Gonzaga. Isto porque o código permitia votar apenas as mulheres casadas, com autorização do marido, além das viúvas e solteiras com renda própria.

Tais restrições foram eliminadas com a implantação do Código Eleitoral de 1934, mas o documento não tornava obrigatório o voto feminino. Somente no ano de 1946 o voto das mulheres passou a valer de forma obrigatória e sem restrições. Para a presidente da OAB Mulher na cidade, ao longo destes anos, as mulheres vêm se preparando melhor para a escolha de seus representantes. "Além disso, quando a mulher passa a representar a sociedade, ela o faz com consciência, já que está focada em servir da melhor maneira possível."

O cientista político Paulo Roberto Figueira Leal lembra que, embora a participação feminina venha crescendo em vários campos, o número de mulheres ocupando cargos públicos não alcança patamares proporcionais ao peso que elas têm como eleitoras. "No Brasil, temos um cenário diferente de outros países. Aqui existe um padrão histórico-cultural, que é reproduzido ao longo do tempo. Basta lembrar que a cidade conta com apenas uma vereadora há três legislaturas, mesmo diante do peso político das mulheres, visível pelo número do eleitorado." Leal reforça que deve ser travado um debate sobre a importância política feminina para que não haja prejuízo às mulheres. Juiz de Fora elegeu, até hoje, nove vereadoras.

Para a integrante de movimentos sociais, Adenilde Petrina Bispo, a mulher está cada vez mais assumindo lugar na sociedade. "A mulher tem tendência à liderança", constata. Apesar do avanço percebido ao longo dos anos, ela acredita que seja necessário trabalhar mais a questão sobre a decisão política feminina. "A mulher ainda desconfia da capacidade das companheiras quando o assunto é ocupação de lugares públicos."

Adenilde atribui a maioria dos casos à autoestima das mulheres. "Isso é visível principalmente naquelas que integram as camadas mais baixas da sociedade, tanto socialmente quanto financeiramente." Ela reforça a necessidade de se trabalhar com a difusão do conhecimento e da informação. "O fato de termos mulheres disputando cargos para os governos federal e estadual nos traz alegria e ajuda no despertar das próprias mulheres." 

A delegada e coordenadora Especial de Políticas para a Mulher, Sônia Parma, lembra que 28% dos lares em todo o Brasil são chefiados por mulheres. "A importância feminina é grande. A capacidade das mulheres de contribuir para soluções de problemas é imensa, mas infelizmente o que vemos é que quanto maior o campo de conhecimento, menor é a participação e a ocupação feminina." Para ela, reverter a situação significa um desafio a ser enfrentado por toda a sociedade.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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