Minas Gerais reduziu em 22% os casos de trabalho infantil entre 2022 e 2023 e afastou 255 crianças e adolescentes dessa situação até maio de 2026. Apesar dos avanços, especialistas alertam que o estado ainda enfrenta desafios para combater as formas mais graves de exploração infantil.
O tema foi debatido nesta terça-feira (30), durante audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O encontro reuniu representantes de órgãos públicos e entidades ligadas à proteção da infância, que defenderam a criação do Plano Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção do Adolescente Trabalhador em Minas Gerais.
Representando o Ministério do Trabalho e Emprego, José Tadeu Lima afirmou que Minas foi o estado que mais afastou crianças e adolescentes do trabalho infantil no país, mas ainda ocupa a terceira posição no ranking nacional das piores formas de exploração, incluindo narcotráfico, exploração sexual e trabalhos insalubres.
Segundo ele, a fiscalização passou a atuar de forma preventiva, com buscas ativas em locais onde há suspeitas de exploração, permitindo identificar cadeias produtivas que utilizam mão de obra infantil.
Dados apresentados pelo Fórum de Enfrentamento e Combate ao Trabalho Infantil e Profissionalização do Adolescente de Minas Gerais (Fectipa) mostram que, entre 34 municípios pesquisados na Região Metropolitana de Belo Horizonte, apenas Belo Horizonte, Contagem e Betim possuem diagnóstico específico sobre trabalho infantil. Em contrapartida, 15 cidades afirmaram não registrar casos da prática.
Leia mais
ALMG inicia ciclo de prestação de contas do Governo de Minas
Estudos no Brasil são insuficientes para combater trabalho infantil
Exploração sexual infantil
O levantamento também apontou que 88 crianças e adolescentes foram retirados de situações de exploração, incluindo casos ligados ao tráfico de drogas. A coordenadora do fórum, Elvira Veloso, reforçou a importância das denúncias, que podem ser feitas a órgãos como Defensoria Pública, Polícia Civil, Cras e Creas.
Durante a audiência, autoridades também chamaram atenção para situações de extrema vulnerabilidade. O superintendente regional do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Alberto Calazans, relatou operações que flagraram crianças trabalhando em lavouras de alho, cebola e café, além de casos de trabalho análogo à escravidão envolvendo menores e mulheres grávidas.
A delegada Larissa Nunes, da Polícia Civil, destacou que o trabalho infantil frequentemente está associado a outras formas de violência, como exploração sexual, e defendeu uma atuação integrada entre os órgãos de proteção.
O defensor público Wellerson Corrêa alertou ainda para uma nova forma de exploração: o uso de crianças e adolescentes em conteúdos para redes sociais e plataformas digitais, muitas vezes incentivado pelos próprios responsáveis.
Durante a audiência, parlamentares cobraram a atualização das políticas públicas de combate ao trabalho infantil. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) informou que está em andamento o processo de contratação de um novo diagnóstico estadual e da elaboração de um novo plano de prevenção e erradicação do trabalho infantil, alinhado às diretrizes nacionais.
Tags:
adolescentes | Almg | Exploração | exploração infantil | fiscalização | Gerais | Infantil | Minas | Minas Gerais | Plano Estadual | proteção da infância | Trabalho | Trabalho infantil