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    Especialistas são contra venda de inibidores de apetite no Brasil

    Decisão do Senado suspendeu uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

    Lucas Soares
    Repórter
    10/09/2014

    A venda de inibidores de apetite está novamente liberada no Brasil. Uma decisão do Senado suspendeu uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vigorava desde o fim de 2011, e garantiu que a venda de anfetamínicos pode acontecer pois "são necessárias para os pacientes obesos impedidos de se submeterem a cirurgias bariátricas e que não conseguem emagrecer com uma rotina de exercícios físicos e dietas."

    A decisão, no entanto, não agradou a comunidade médica. O endocrinologista Pablino Paredes afirma ter estranhado a liberação. "Os congressistas nada entendem de drogas desse tipo. E eu não consegui entender qual foi a conclusão que eles chegaram para poder liberar. Foi muito estranho", comenta.

    Segundo Paredes, o motivo para ser contrário o uso dos inibidores é único. "O motivo é muito simples: não que os medicamentos não sejam eficazes, mas eles têm um risco muito grande no seu uso, principalmente no sistema nervoso central. As pessoas ficam mais agitadas, principalmente aquelas que tem algum componente psiquiátrico diagnosticado, que pode piorar o quadro. Outra alteração que eu considero muito séria é em relação ao sistema cardiovascular, já que aumenta a pressão e acelera o coração", explica.

    De acordo com o médico cardiologista Julio Lovisi, a forma como as anfetaminas atuam no organismo atacam o coração. "Todos esses remédios têm efeitos colaterais comuns à classe dos inibidores, que envolvem palpitação cardíaca, principalmente quando a pessoa faz uso sem orientação adequada. Eles atuam de uma maneira muito genérica, já que tem várias funções ao mesmo tempo. No sistema cardiovascular, provoca taquicardia, acelera o batimento, eleva a pressão e palpitação. Se não for um controle rigoroso, pode trazer problema para o usuário do remédio", avisa o profissional.

    Apesar de considerar um retrocesso a liberação da venda dessas substâncias, a nutróloga Alice Amaral explica que, em casos isolados, o consumo desses medicamentos é indicado. "Somente em caso de obesidade, ou seja, um índice de massa corporal (IMC) acima de 30. Sentir fome é fisiológico. Alimentar-se faz parte da natureza humana. [O medicamento] age inibindo o centro da fome, no hipotálamo. Nada natural. A substância química envia mensagem para o cérebro informando que o corpo está saciado. Com a falta de nutrientes, o organismo passa a utilizar a energia já existente no corpo. Causam dependência, ansiedade e vários efeitos colaterais. Bloquear a fome não faz sentido. É necessário repor o organismo com nutrientes para gerar energia para viver. Dieta adequada e exercício físico ainda são as melhores opções. Coma de 3 em 3 horas para emagrecer. Emagreça comendo", conclui.

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