Casos de dengue diminuíram 50% em 2009Em 2008, número de agentes de campo não passava de 90. Hoje, são 140, mas ainda não é o ideal. Em 2010, PJF vai trabalhar na recomposição do quadro 

Pablo Cordeiro
*Colaboração
22/12/2009

O número de notificações e de casos confirmados de dengue em Juiz de Fora apresenta queda superior a 50%, em relação ao ano de 2008. De acordo com o Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde (SS), foram notificados 462 casos, ou seja, 44% dos 1.032 registrados no ano anterior. O órgão registrou 269 casos de residentes em Juiz de Fora, 53% dos 502 em 2008.

Segundo o subsecretário de Vigilância Epidemiológica, Ivander Mattos Vieira, a diminuição dos casos pode ser justificada pela atuação efetiva dos agentes de campo junto aos pontos de maior infestação da larva do mosquito. "Em 2009, houve uma recomposição do quadro de agentes. Ano passado, a quantidade não passava de 90 e, hoje, temos 140. Houve, recentemente, a aquisição de 13 veículos para o combate à doença." Mesmo com o aumento de pessoal, o número ainda não é o ideal. Conforme recomendação do Ministério da Saúde (MS), um agente deve trabalhar para cada mil imóveis do município. "Em Juiz de Fora, são 185 mil imóveis, portanto deveriam ser 185 agentes."

A média do Levantamento de Índice Rápido de Aedes aegypti (LIRAa) de outubro atingiu 1,75, com máxima de 4,07 nos bairros da Zona Leste e mínima de 0, em localidades como Novo Horizonte, Estádio Municipal, Dom Bosco, Paineiras e Santa Helena. No ano passado, a média de outubro foi de 0,63. O aumento do índice e a redução dos casos pode indicar uma incoerência. Entretanto, Vieira explica que o LIRAa feito em 2008 deve ter erros. "No ano passado, tivemos muitas dificuldades em realizar a pesquisa, devido à falta de recursos logísticos e de pessoal. O 0,63 está subestimado, acredito que o número real seja equivalente ao de 2009." (Confira a explicação no vídeo)

Segundo dados do LIRAa de outubro, os bairros com maior infestação do mosquito estão localizados nas Zonas Leste, Oeste e Noroeste, com maior índice no Manoel Honório, Marumbi, Alto Santa Rita, Progresso, Borborema, Borboleta, Democrata, Benfica, Santa Tereza e Santa Cruz. “Nestes lugares também foram identificados córregos e terrenos vazios, locais que facilitam a proliferação", explica Vieira.

Armadilhas

Juiz de Fora foi uma das 25 cidades de Minas Gerais que instalaram a armadilha para capturar fêmeas grávidas do mosquito Aedes aegypti, principais responsáveis pela proliferação do vírus. O objetivo era identificar os locais em que há maior infestação do mosquito. Entretanto, o instrumento já não é mais utilizado. “O mosquito está distribuído em todo o município, por isso, retiramos as armadilhas.”

Incidências de Aedes aegypti

Políticas para 2010

Para 2010, as políticas de conscientização popular quanto à prevenção do mosquito serão reforçadas, já que a água parada nas residências ainda é o maior facilitador da proliferação e transmissão da doença. “Trabalhamos com três eixos de ação: a conscientização popular, as estratégias dos agentes de campo e a integração de setores, como o Demlurb e a fiscalização da Secretaria de Atividades Urbanas", ressalta Vieira.

Para os meses de março, abril e maio, período posterior às fortes chuvas do início do ano, a conscientização e vistoria da residência devem aumentar. “Mesmo no período pós-chuvas, a umidade é alta, o que facilita o desenvolvimento do mosquito. Já temos um conhecimento da realidade e dos pontos críticos na cidade. Estamos trabalhando na recomposição do quadro de agentes endêmicos e na logística. Com isto, a expectativa é de que os números de casos continuem em queda em 2010", finaliza.

DEN 1

O subsecretário destaca que, recentemente, foi descoberto um subtipo do vírus, classificado como DEN 1, o que possibilita a contaminação pela doença mesmo quem já foi contaminado pelo DEN 3, o tradicional. "Quando a pessoa já foi contaminada com o DEN 3, subentende-se que não será mais contaminada. Mas, com a nova variação, a imunidade fica mais vulnerável. Caso seja contaminada, o quadro é mais grave devido à reação orgânica." Vieira pontua que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) estão preparadas para realizar o atendimento e encaminhar o paciente para orientação especializada, dependendo da gravidade da contaminação.

Endereço novo

A partir de 4 de janeiro de 2010, o Departamento de Vigilância Epidemiológica irá funcionar no antigo ambulatório da Gripe A, localizado na avenida dos Andradas, com entrada pela rua Antônio José Martins, s/n. O atendimento ao público será realizado no local ou através do telefone (32) 3690-8250.

 

*Pablo Cordeiro é estudante do 9º período de Comunicação Social da UFJF

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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